É preciso saber reconhecer e admitir seu lado B

1 12 2019

Tem dias que a gente não consegue ser forte, não consegue ser positivo, não consegue dizer verdadeiramente que “está tudo bem”. E não tem problema. O problema é não admitir que tem sim alguma coisa errada.

Somos humanos e faz parte da nossa natureza ter um lado B que não acha um dia de sol a coisa mais linda do mundo. Não o sufoque – conheça-o, lide com ele e supere o que for para ser superado. Como diz o texto abaixo, o problema não é pensar positivo, mas sim achar que nunca podemos ter nenhum pensamento ruim.

A DITADURA DO PENSAMENTO POSITIVO

 

Não duvido que os pensamentos positivos tragam muitas coisas boas para a vida. Nem Hamlet duvidaria. Mas o problema reside em transformarmos isso em uma “ditadura do pensamento positivo” e, assim, negarmos os “monstros” que habitam em nós.

Em tempos de dor latente, todos precisam encontrar algum escape para sobreviver aos seus monstros interiores e exteriores. Uma das ferramentas de sobrevivência é o famoso pensamento positivo. Utilizam desse mecanismo como uma resposta a tudo que acontece de errado na vida: “faltou mentalizar esse objeto de consumo que você tanto deseja”; “se você disser diariamente que está se sentindo bem, você se sentirá”; “finja que está tudo bem na sua vida, e foque nesse sentimento”; “você só sabe dizer coisas ruins, fale coisas mais positivas para receber coisas boas na sua vida.”

O grande segredo de tudo isso é que somos energia e moléculas que vibram e se interligam com os cosmos e todo universo. É tudo uma questão de lei de atração: cada um recebe o que emite para o mundo. Assim aqueles que emitem coisas boas recebem isso de volta, e o mesmo acontece com aqueles que emitem pensamentos, sentimentos e palavras ruins. Por isso que os famosos reclamões, que praguejam sobre todos os fatos da vida, recebem apenas respostas ruins de volta. O contrário também acontece e por isso que os otimistas recebem graças e boas vibrações do universo.

Inclusive várias religiões e crenças pregoam essa ideia. Destaca-se nessa entrelinha a prática do Ho’ponopomo que consiste em limpar a mente e todas as recordações ao recitar “Sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grato.” A ideia é dizer essa frase repetidamente várias vezes ao dia, e assim com a mente limpa e com a emissão de boas palavras ao universo, a pessoa receberá de volta muita luz e paz.

Não duvido, pois como já observava Hamlet a Horácio há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia. No entanto há de se fazer uma ressalva. Inúmeros livros e filmes vendem a ideia de que pensar de forma negativa é a coisa mais catastrófica para a vida de um ser humano. E aí reside o problema: a ditadura do pensamento positivo que nos diz que não podemos ter nenhum sentimento, pensamento ou fala negativa. E essa máxima pode se configurar em um problema muito grave: a negação dos nossos sentimentos ruins – inerentes a todo ser humano.

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E quem aponta esse problema não sou eu, e sim o pai da psicanálise. Freud em “Cinco lições da Psicanálise” relata a estória de alguns pacientes que sofreram grandes problemas psíquicos ao negarem a dor que estavam sentindo. Um desses casos é de um paciente que cuidou um longo tempo de seu pai enfermo. O genitor que não resistiu a doença, faleceu. Após o ocorrido, o filho se fingia de forte e de feliz, afirmando que estava se sentindo bem para as pessoas a sua volta. Mas como o luto não é um sentimento fácil de superação e como no fundo o menino não estava bem, adquiriu, depois de um tempo, algumas neuroses por ter reprimindo esses sentimentos ruins.

Cotidianamente vivemos – nos mais diferentes níveis – fracassos, decepções, medos, inseguranças, perturbações psíquicas, raiva, estresses, mágoas, ressentimentos. Esses sentimentos recebem os mais variados nomes: “monstros interiores”, “problemas mal resolvidos”, “sentimentos ruins”. São sensações inerentes a nossa condição de seres humanos, e por isso que não devem ser negados, e sim superados, no mínimo controlados. Por isso que é importante que nos vasculhemos nos antros mais profundos e obscuros do nosso ser, seja com a ajuda de um especialista, na conversa íntima com alguém querido, através da escrita e até com o consumo de remédios naturais ou industriais caso seja necessário.

Nesse sentido, lembro o que Dr. Marco Aurélio Dias da Silva com o título “Quem ama não adoece: o papel das emoções na cura e na prevenção de doenças” nos fala sobre as emoções reprimidas. O médico ao analisar inúmeros pacientes relata o quanto algumas doenças físicas estavam diretamente ligadas as emoções mal resolvidas.

Logo, sabemos que não é simplesmente fingindo que tudo está bem conosco e com o universo que irá fazer que as coisas fiquem bem. Necessário se faz aceitar os sentimentos ruins em uma perspectiva de superação. E essa não é das tarefas mais fáceis, embora Roberto Carlos cante que “É preciso saber viver”. A pergunta que nos resta dizer é como saberemos viver? Talvez o pai da psicanálise com a famosa frase “é preciso amar para não adoecer” nos deu uma grande dica para isso.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/inquietacoes/2015/02/a-ditadura-do-pensamento-positivo.html#ixzz3TU3rHhrM
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Um dia

21 11 2017

[Texto original do Alex Castro, que eu pedi licença para reproduzir – mais textos dele aqui]

CarpeDiem 1

Um dia, você morrerá.

Um dia, você terá morrido ontem. Seu corpo ainda vai estar (provavelmente) inteiro e sólido. As pessoas que te amam ainda vão estar chorando. E, por toda volta, a vida vai continuar igual, em tecnicolor e dolby surround, pessoas compondo músicas, pessoas gozando, pessoas nascendo. Continue lendo »





A arte de habitar

25 09 2017

Eu gosto muito da minha casa. Sempre que estou morando em um lugar, automaticamente passo a enxergá-lo como uma extensão minha, um porto seguro onde me reconheço em todos os cantos e onde tenho o controle (pelo menos ali) do ambiente. Esse controle é bom porque nele você relaxa: na certeza de saber onde está tudo e como tudo funciona, você pode fechar os olhos e se desligar do resto.

Alguém compartilhou o texto abaixo, de Onides Bonaccorsi Queiroz, no Facebook e eu reconheci nele imediatamente todo o bem-estar que sinto quando estou em paz, em casa. Continue lendo »





Onde estão as negras que pedalam?

2 08 2016

No fim de julho fui convidada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) para participar de um evento, a 1ª Cicloformação BH em Ciclo, para, além de contar minha experiência como mulher que pedala, tentar responder a essa pergunta. A mesa da qual participei chamava-se “Gênero e Bicicleta” e fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de participar. Aprendi muito, conheci várias pessoas bacanas e vi que tem muita, mas muita coisa legal sendo feita para que a bicicleta seja parte (devidamente valorizada e respeitada) da mobilidade urbana, ferramenta de inclusão social e redescobrimento das cidades.

Como fiquei nervosa e me atrapalhei com o tempo, sinto que faltaram coisas importantes para dizer e então resolvi escrever esse texto com o que eu não consegui falar (e outras coisas sobre o assunto que levantei depois). Desde já, agradeço novamente a BH em Ciclo, na pessoa da Amanda Corradi, pela oportunidade e espero ajudar no debate do tema, que eu percebi que é muito pouco investigado ainda, mas é mais uma pista para descobrir porque as pessoas pedalam ou não. Continue lendo »





Reclama, reclama sim

6 07 2016

Lidar com serviços de atendimento ao consumidor de qualquer coisa é algo que realmente não gosto.

Não gosto porque eu sei que, sempre que eu precisar de um desses serviços, vou passar por um longo caminho pensado para me fazer desistir da empreitada. E isso é proposital, não se engane – não adiantam leis, decretos, PROCON, nada. As empresas sempre darão um jeitinho de, malandramente, dificultar o seu contato com eles.

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Slide: Cláudia Ferreira / EBI Arrifes

Eu sempre soube disso, mas nunca consegui engolir. Talvez pela minha postura pessoal com os outros, mas nunca entendi porque quem te presta um serviço prefere enrolar para resolver seu problema ao invés de ir direto ao ponto para que todos terminem o dia mais felizes. Oh, sim, é claro, já temos algumas empresas de vanguarda que até mandam bilhetinhos escritos à mão para o cliente e interagem com ele pelo WhatsApp brincando e comentando séries, mas são a minoria (e elas podem muito bem estar te chamando de “miga” para te enrolar também) – o mais comum ainda é passar raiva.

 

Vou usar três exemplos, meus, que mostram isso. Mas qualquer um pode se reconhecer neles: Continue lendo »





Rumo a mais um “Perigoso retrocesso”

30 10 2015

“Tente ver o lado bom das coisas”.

Bom, tem sido difícil, frente a tantos retrocessos e revezes enfrentados por nós, brasileiros, de um ano para cá, dar crédito a essa frase. O rumo que estamos tomando com legisladores como os que temos (em todas as esferas) é incerto, mas certamente perigoso. Mais uma pá de cal em cima de qualquer esperança veio no editorial do jornal Estado de Minas de hoje, dia 30, cujo título é exatamente “Perigoso retrocesso”.

Curto e grosso, o jornal critica o desmonte do Estatuto do Desarmamento e aponta o reflexo disso na nossa vida: os bandidos continuarão armados, o que vai mudar é que VOCÊ, que nunca fez nada, agora pode ser morto por causa de uma briga de trânsito, de uma discussão com um vizinho, por causa de um jogo qualquer, por um troco errado no bar – porque vai ficar mais fácil ter uma arma. Os locais onde se pode entrar armado vão se ampliar e até quem responde a inquéritos policiais e processos judiciais poderá andar armado, vejam bem.

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Todas queremos ser a mãe do comercial

10 10 2015

amamentacaoQuando meu filho nasceu, ele mamou assim que o colocaram nos meus braços, ainda dentro da sala de parto.

Foi um momento inesquecível em que eu senti toda a felicidade e toda a dimensão do que era ser mãe. Horas depois, já limpo e vestido, ele veio para o quarto e mamou de novo, aumentando ainda mais a minha sensação de plenitude. Era como se meu corpo tivesse nascido para aquilo, foi tão natural que em nenhum momento parei para pensar na mecânica da coisa: ela simplesmente acontecia, naturalmente, e  o encaixe era perfeito.

E assim seguiu a experiência, cada dia mais enriquecedora e nos aproximando ainda mais. Ele mamou até os oito meses no peito, exclusivamente, e nenhum de nós nunca teve nenhum problema. Eu tinha muito leite e adorava amamentar. Eventualmente, até guardava o excedente para doar para um banco de leite, o que tornava tudo ainda mais gratificante. Ainda quando voltei a trabalhar, deixava já várias mamadeiras com meu leite para ele.

Minha dedicação em amamentar e a saúde do meu filho eram elogiadas por todo mundo – por isso eu digo: só é mãe de verdade quem amamentou. Continue lendo »








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