Listas de todo dia

23 05 2022

1. Fotos e espelhos
2. Gatos
3. Comida
4. Dançar
5. Trabalhar
6. Futebol
7. Quiz shows na tv
8. Detalhes e miniaturas
9. Astrologia e misticismo
10. Jogar conversa fora

Outras dez:

11. Escrever
12. Cozinhar
13. Cheiro de roupa de cama limpa
14. Concluir uma tarefa difícil
15. Dormir
16. Braços tatuados
17. Gargalhar
18. Lembrar das minhas avós
20. Fazer listas

E outras tantas coisas que descubro que simplesmente gosto todos os dias.





Respira e vai sem parar

8 05 2022

Quer dia melhor para falar de medo do que o Dia das Mães?

Você pode ler todos os livros, participar de todos os grupos possíveis de WhatsApp e Telegram, contratar a melhor doula do mundo, ter a rede de apoio mais incrível de todas, ter o companheiro mais desconstruído e parceiro de todos, mas nada, eu disse NADA te prepara para o momento em que enfim te entregam a criança nos braços e vocês ficam sozinhos no quarto pela primeira vez.

Porque ali você percebe que tem uma vida que você fez e agora depende (pelo menos por um bom tempo) totalmente de você. O peso do mundo inteiro cai na sua cabeça e você se sente muito sozinha, porque o que você fizer será gravado na cabeça dele como um parâmetro de certo ou errado; o que você disser será uma verdade absoluta e repetido com autoridade porque “minha mãe falou”; um pequeno momento em que você, cansada, perder as estribeiras e gritar “Some daqui!” terá um impacto que no futuro o terapeuta terá um trabalho danado para resolver. Se der certo, todo mundo vai requerer o mérito – se der errado, “cadê a mãe dessa criança?”.

O tempo todo você vai ser julgada. O tempo todo alguém vai te cobrar e te oferecer uma receita milagrosa que “funcionou com a avó da cunhada da vizinha da minha amiga e eu também usei com sua irmã e deu certo” e você vai ter que vencer o medo para agradecer e dizer que gostaria de tentar do seu jeito. Vai ter que vencer o medo de ser criticada pelas pessoas que você mais gosta e querem sim o seu bem, mas, na ânsia de te proteger, vão quase te sufocar.

O medo de que a criança esteja com fome ainda; o medo do seu leite ser “fraco”; o medo de “deixar na mão do pai” para você poder enfim tomar uma tacinha de vinho como antigamente; o medo de admitir que não conseguiu amamentar, mesmo depois de todas as técnicas, simpatias, pomadas e bolsas de gelo e água quente; o medo dele parar de respirar no meio da noite justo no dia em que você dormiu a noite toda; o medo dele passar mal na escola com o lanche que você leu que era super saudável; o medo do pai deixar de ter achar interessante e um dia ir embora.

A maior coragem da mãe e dar a cara a tapa para o mundo desde o momento em que o exame dá positivo e seguir enfrentando todos os seus medos o tempo todo para ver o filho voar – inclusive o medo dele ser tão livre ao ponto de nunca mais querer voltar.

O maior medo é nunca saber se você fez o melhor. O medo de não saber se ele está preparado. O medo de perceber que nada está sob o seu controle e nada é como você pensava, porque cada mãe é uma e cada maternidade é única. Cada filho é uma surpresa e o máximo que você vai poder fazer é se preparar para abrir os braços e acolher sempre que ele precisar e aprender com mais um dia nessa profissão em que a gente nunca chega ao nível sênior: a de ser mãe.





Para nunca esquecer

9 01 2022

Fiz minha primeira tatuagem colorida essa semana: eternizei A Roda da Fortuna, décima carta do Tarot, no meu antebraço.

(Foto: Alexandre Barba – tatuador – BH/MG)

Tudo começou em 1978, quando meu pai comprou uma edição de “Cem Anos de Solidão” no aeroporto, em São Paulo. Eu nasci dois anos depois e, mesmo antes de saber ler, as cartas de Tarot na capa do livro (justamente A Roda da Fortuna e O Diabo) me fascinavam. As ilustrações internas também me hipnotizavam, ao invocar todo o misticismo da história da família Buendía gerações afora.

Já dominando a leitura, o livro me abriu as portas para Gabriel García Márquez, de quem li muita coisa – mas nenhuma como aquele primeiro livro. Minha ligação com ele é uma mistura do meu amor pelo meu pai e nossos gostos em comum, meu fascínio pelo misticismo, minha relação com a literatura e meu desejo de deter todo o conhecimento do mundo, de ler seus segredos para nunca ser pega de surpresa.

(Foto: Arquivo pessoal)

Só que isso é impossível – meu desejo por controle é impossível. A Roda da Fortuna não foi escolhida à toa: ela está no meu braço para me lembrar que controlar a vida é uma ilusão. A vida é cíclica e estamos o tempo todo à mercê de suas mudanças – especialmente as que você provoca pelas suas ações ou pela falta delas. O que nunca muda na vida é que tudo muda, não interessa o que você acha.

Aprendo todos os dias sobre abrir mão do controle e observar mais como tirar proveito dos caminhos que a vida vai desvelando para mim. As coisas podem ser mais leves se você não tentar desvendá-las antes da hora. Não e fácil para uma virginiana que nunca gostou de surpresas, porém a carta eternizada no meu braço vem me lembrar de que não tenho como controlar a roda da vida, mas posso agir com foco no que desejo colher lá na frente.








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