A arte de habitar

25 09 2017

Eu gosto muito da minha casa. Sempre que estou morando em um lugar, automaticamente passo a enxergá-lo como uma extensão minha, um porto seguro onde me reconheço em todos os cantos e onde tenho o controle (pelo menos ali) do ambiente. Esse controle é bom porque nele você relaxa: na certeza de saber onde está tudo e como tudo funciona, você pode fechar os olhos e se desligar do resto.

Alguém compartilhou o texto abaixo, de Onides Bonaccorsi Queiroz, no Facebook e eu reconheci nele imediatamente todo o bem-estar que sinto quando estou em paz, em casa. Continue lendo »

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Adeus, querida Quebrada

16 03 2017

Tchau, apê…

Mês passado despedi-me do meu velho apartamento no bairro Concórdia, ao qual eu havia carinhosamente apelidado de “Quebrada”. Apesar de hoje morarmos em um bem maior e mais bem localizado, foi uma sensação estranha ver aquela caixa de fósforos tão querida vazia e cheia de sujeira pelos cantos.

Poderia ser só um apego sem sentido se me mudar para aquele pequeno apartamento sem vaga de garagem não tivesse significado uma ruptura com a minha zona de conforto e um passo que me exigiu muita coragem para vencer todos os “e se?” que aparecem quando você não é o tipo que se joga em desafios. Continue lendo »





Onde estão as negras que pedalam?

2 08 2016

No fim de julho fui convidada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) para participar de um evento, a 1ª Cicloformação BH em Ciclo, para, além de contar minha experiência como mulher que pedala, tentar responder a essa pergunta. A mesa da qual participei chamava-se “Gênero e Bicicleta” e fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de participar. Aprendi muito, conheci várias pessoas bacanas e vi que tem muita, mas muita coisa legal sendo feita para que a bicicleta seja parte (devidamente valorizada e respeitada) da mobilidade urbana, ferramenta de inclusão social e redescobrimento das cidades.

Como fiquei nervosa e me atrapalhei com o tempo, sinto que faltaram coisas importantes para dizer e então resolvi escrever esse texto com o que eu não consegui falar (e outras coisas sobre o assunto que levantei depois). Desde já, agradeço novamente a BH em Ciclo, na pessoa da Amanda Corradi, pela oportunidade e espero ajudar no debate do tema, que eu percebi que é muito pouco investigado ainda, mas é mais uma pista para descobrir porque as pessoas pedalam ou não. Continue lendo »





Bem vindo à minha ficção IV: Querida Moyra

15 06 2016

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Junho. 2016, A.D.

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Querida Moyra.

Há quanto tempo não nos vemos? Acredito que há muitos meses… não, anos.

Mas o que são anos ou meses para criaturas como nós? Nada mais que horas para essas pessoas que vemos todos os dias pelas janelas e esquinas, talvez. Mas enfim – sinto sua falta. Sinto falta de nossas longas conversas sobre coisas que só nós nos lembramos e compreendemos. Coisas que só nós temos condições de conversar, por termos uma visão completa do quadro – por já termos visto seu princípio e seu fim.

Onde você está agora? Você ficou aqui tão pouco tempo! A única coisa boa que enxerguei depois que me recuperei de sua rápida e marcante passagem é que senti algo, o que eu chamaria de algo bom. Creio que estava desacostumado com essa sensação, enferrujado todo esse tempo, por isso custo tanto a definir. Foi estranho, mas eu gostei. Enfim. Continue lendo »





Rumo a mais um “Perigoso retrocesso”

30 10 2015

“Tente ver o lado bom das coisas”.

Bom, tem sido difícil, frente a tantos retrocessos e revezes enfrentados por nós, brasileiros, de um ano para cá, dar crédito a essa frase. O rumo que estamos tomando com legisladores como os que temos (em todas as esferas) é incerto, mas certamente perigoso. Mais uma pá de cal em cima de qualquer esperança veio no editorial do jornal Estado de Minas de hoje, dia 30, cujo título é exatamente “Perigoso retrocesso”.

Curto e grosso, o jornal critica o desmonte do Estatuto do Desarmamento e aponta o reflexo disso na nossa vida: os bandidos continuarão armados, o que vai mudar é que VOCÊ, que nunca fez nada, agora pode ser morto por causa de uma briga de trânsito, de uma discussão com um vizinho, por causa de um jogo qualquer, por um troco errado no bar – porque vai ficar mais fácil ter uma arma. Os locais onde se pode entrar armado vão se ampliar e até quem responde a inquéritos policiais e processos judiciais poderá andar armado, vejam bem.

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Todas queremos ser a mãe do comercial

10 10 2015

amamentacaoQuando meu filho nasceu, ele mamou assim que o colocaram nos meus braços, ainda dentro da sala de parto.

Foi um momento inesquecível em que eu senti toda a felicidade e toda a dimensão do que era ser mãe. Horas depois, já limpo e vestido, ele veio para o quarto e mamou de novo, aumentando ainda mais a minha sensação de plenitude. Era como se meu corpo tivesse nascido para aquilo, foi tão natural que em nenhum momento parei para pensar na mecânica da coisa: ela simplesmente acontecia, naturalmente, e  o encaixe era perfeito.

E assim seguiu a experiência, cada dia mais enriquecedora e nos aproximando ainda mais. Ele mamou até os oito meses no peito, exclusivamente, e nenhum de nós nunca teve nenhum problema. Eu tinha muito leite e adorava amamentar. Eventualmente, até guardava o excedente para doar para um banco de leite, o que tornava tudo ainda mais gratificante. Ainda quando voltei a trabalhar, deixava já várias mamadeiras com meu leite para ele.

Minha dedicação em amamentar e a saúde do meu filho eram elogiadas por todo mundo – por isso eu digo: só é mãe de verdade quem amamentou. Continue lendo »





Novos ares are coming

2 03 2015

Há um, digamos, “ditado” que campeia por aí dizendo que “até um pé na bunda te empurra para frente”.

Bom, não estou mais no meu emprego e agora é a minha vez de testar a eficácia dessa frase.

Foto do Google - créditos na própria imagem

Foto do Google – créditos na própria imagem

É uma situação sempre chata, e a princípio desesperadora. A ficha custa a cair – ainda mais para mim, que, em cinco anos de casa, nunca tive nenhum tipo de reclamação sobre o meu trabalho. [Depois vim a saber que o motivo da minha demissão não era mesmo o meu trabalho, mas enfim.]

Mas o fato é que, por mais que pareça cliché, perder um emprego é uma oportunidade de repensar sua vida profissional e até dar uma guinada, caso você não estivesse satisfeito. Com o planejamento certo, é possível até tirar um período sabático para viajar, fazer um curso, investir no seu próprio negócio, trocar de área, tirar um sonho da gaveta. Tudo é possível.

Estou com medo, confesso.

Há mais de dez anos não sei o que é ficar sem trabalhar. Sinto falta da rotina, do ambiente de trabalho, de alguns colegas. Não gosto de me sentir improdutiva, não gosto dessa sensação de finitude, de ameaça aos meus planos futuros por não saber quando terei uma renda fixa de novo. Ainda não consegui colocar no papel todos os meus gastos mensais e nem tirar da caixa as coisas que ocupavam a minha mesa. Eu sou virginiana, por definição workaholic; é inevitável criar um laço afetivo com o trabalho e tratá-lo como parte indispensável da vida.

Mas, citando outro ditado, esse repetido sempre pela minha vó, “o que não tem remédio, remediado está”. Não pretendo voltar para o meu antigo emprego e eles também não pretendem me recontratar. Agora é hora de fazer valer o networking construído ao longo destes cinco anos e buscar novas oportunidades.

Se você por acaso tiver uma, o meu currículo está aqui, meus últimos trabalhos em Assessoria de Comunicação estão aqui, e eu sou uma colega de trabalho muito cooperativa e bem-humorada. Vamos em frente!








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