O primeiro ano do resto da minha vida

1 01 2020

Dia 30 de dezembro entreguei o apartamento onde morei nos últimos anos e encerrei um amplo ciclo de aprendizado na minha vida. A última angústia que me consumia em 2019 foi embora com um “Nada consta de condomínio” assinado em duas vias.

Anastasia Pinterest

(Foto: Pinterest / Anastasia)

Saí da imobiliária como se tivesse acabado de dar à luz: zonza e cansada, mas imersa em paz e alívio. Foram quase três anos de perrengue, cujas causas e culpas não vêm mais ao caso.

Com certeza eu aprendi muito e cresci mais ainda. Mas foi esse tempo todo levando ao pé da letra a frase “se der medo, vai com medo mesmo”, sendo que a palavra medo podia ser substituída também por tristeza, cansaço, indignação, preguiça, falta de tempo e por aí vai. Eu não podia dizer “não” para nada, porque se eu me negasse a fazer, não tinha quem fizesse – e ficar sem fazer não podia, porque eu também seria vítima da “rebeldia”. Continue lendo »





Fé na humanidade

17 11 2019

Um dia desses, depois de assistir “O Regresso(The Revenant – 2015, USA | Hong Kong | Taiwan):

– Esse tipo de filme me deixa meio mal, não gosto de ver o ser humano assim.
– A mim não me afeta. O ser humano é capaz disso aí pra pior.
[…]
– Mas a gente não pode pensar assim, senão a gente perde a fé na humanidade.
– Eu acho que só o fato de vivermos com medo, trancados atrás de grades, cercas e alarmes já mostra que não temos mais muita fé na humanidade mesmo.
– É…
[…]

The Revenant





Assisto novela sim, me deixa

5 07 2018

De tempos em tempos, uma das coisas mais prazerosas do meu dia é recostar na minha cama, ligar a TV e assistir à novela da vez na última faixa de horário.

Ator Emilio Dantas faz cantor de axé protagonista na novela 'Segundo Sol'

Beto Falcão tá vivo sim, como não?

Pode criticar, eu não ligo. Eu fazia a mesma coisa até relativamente pouco tempo atrás, te entendo.

À parte a discussão sociológica da influência das novelas na percepção das pessoas sobre isso ou aquilo na sociedade, ver novela me relaxa. Sou jornalista e, depois de um dia inteiro lendo todo tipo de desgraça anunciando o apocalipse na economia, na saúde, no mundo e nas relações humanas, eu dou graças por poder escapulir disso assistindo takes cuidadosamente coloridos por computador das praias da Bahia. É como meditação: as imagens vão passando e, no final, me sinto leve e sossegada.

Jornalista, esse “arauto da verdade”, assistindo novela é um contrassenso, uns dirão; pois eu digo que as pessoas são uma miríade de contrassensos e às vezes é isso que nos mantém sãos, que nos lembram que somos humanos, reais. Continue lendo »





Um dia

21 11 2017

[Texto original do Alex Castro, que eu pedi licença para reproduzir – mais textos dele aqui]

CarpeDiem 1

Um dia, você morrerá.

Um dia, você terá morrido ontem. Seu corpo ainda vai estar (provavelmente) inteiro e sólido. As pessoas que te amam ainda vão estar chorando. E, por toda volta, a vida vai continuar igual, em tecnicolor e dolby surround, pessoas compondo músicas, pessoas gozando, pessoas nascendo. Continue lendo »





A arte de habitar

25 09 2017

Eu gosto muito da minha casa. Sempre que estou morando em um lugar, automaticamente passo a enxergá-lo como uma extensão minha, um porto seguro onde me reconheço em todos os cantos e onde tenho o controle (pelo menos ali) do ambiente. Esse controle é bom porque nele você relaxa: na certeza de saber onde está tudo e como tudo funciona, você pode fechar os olhos e se desligar do resto.

Alguém compartilhou o texto abaixo, de Onides Bonaccorsi Queiroz, no Facebook e eu reconheci nele imediatamente todo o bem-estar que sinto quando estou em paz, em casa. Continue lendo »





Adeus, querida Quebrada

16 03 2017

Tchau, apê…

Mês passado despedi-me do meu velho apartamento no bairro Concórdia, ao qual eu havia carinhosamente apelidado de “Quebrada”. Apesar de hoje morarmos em um bem maior e mais bem localizado, foi uma sensação estranha ver aquela caixa de fósforos tão querida vazia e cheia de sujeira pelos cantos.

Poderia ser só um apego sem sentido se me mudar para aquele pequeno apartamento sem vaga de garagem não tivesse significado uma ruptura com a minha zona de conforto e um passo que me exigiu muita coragem para vencer todos os “e se?” que aparecem quando você não é o tipo que se joga em desafios. Continue lendo »





Onde estão as negras que pedalam?

2 08 2016

No fim de julho fui convidada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) para participar de um evento, a 1ª Cicloformação BH em Ciclo, para, além de contar minha experiência como mulher que pedala, tentar responder a essa pergunta. A mesa da qual participei chamava-se “Gênero e Bicicleta” e fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de participar. Aprendi muito, conheci várias pessoas bacanas e vi que tem muita, mas muita coisa legal sendo feita para que a bicicleta seja parte (devidamente valorizada e respeitada) da mobilidade urbana, ferramenta de inclusão social e redescobrimento das cidades.

Como fiquei nervosa e me atrapalhei com o tempo, sinto que faltaram coisas importantes para dizer e então resolvi escrever esse texto com o que eu não consegui falar (e outras coisas sobre o assunto que levantei depois). Desde já, agradeço novamente a BH em Ciclo, na pessoa da Amanda Corradi, pela oportunidade e espero ajudar no debate do tema, que eu percebi que é muito pouco investigado ainda, mas é mais uma pista para descobrir porque as pessoas pedalam ou não. Continue lendo »








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