Vossa Alteza, Londres

9 01 2012

Escolhi esse título porque é bem por aí mesmo: Londres, o centro da realeza britânica, é uma cidade imponente, sisuda, que te lembra a todo momento o quanto os ingleses prezam suas raízes, tradições e – é claro – sua família real. Mas não se deixe enganar: por baixo de toda realeza existe uma Londres de gente que cultiva jardins em suas casas e de pessoas que ficam nas praças, vendo a vida passar ou ganhando uns trocados para levar a vida.

De comum com Paris (da qual falei aqui), há o fato de que eu tive que abrir mão de algumas visitas importantes, como a London Eye, o British Museum e a London Tower por falta de tempo também. E aqui vai uma recomendação que eu faço de novo: ANDE A PÉ. So, please, walk with me!

[Ah, sim: veja todas as fotos deste post e muitas, muitas outras, em tamanho grande, nesse álbum do Picasa]

Só para os corajosos: olhar o mar sem fim por 1h30, de dentro do ferry boat

Conhecer Londres era um sonho de adolescente, da época em que comecei a gostar de pop e rock britânicos. Queria ir lá para estar mais perto dos meus ídolos, para comprar CDs e memorabilia. Bom, o tempo passou e isso ficou na gaveta, junto com todas as desculpas que eu tinha para não conhecer a Europa. Assim, quando embarcamos rumo ao porto de Calais, no norte da França, para tomarmos o ferry boat que nos levaria à Inglaterra, eu não sabia mais se iria atrás das bandas que eu gostava, mas tinha uma boa lista de lugares e coisas que eu queria ver.

Depois de uma hora e meia de ferry (onde estava o maior free shop que eu já vi – e o melhor, numa relação custo/benefício) e outras quatro de ônibus, chegamos a Londres. Era fim de tarde e já começava a escurecer. Ah, sim: faz MUITO FRIO em Londres no começo de novembro, anote aí. Recomendo levar na mala uma boa meia calça de lã, luvas, cachecóis e muitos pares de meia para dar conta de caminhar sem sentir seus dedos congelarem. Admito que isso ofuscou um pouco a graça da cidade para  mim, pois, além d’eu sentir frio além do normal, era difícil me animar com o tempo sempre fechado e chuvoso. O Sol, esse troll danado, só deu as caras nas minhas últimas horas na cidade.

PRIMEIRA NOITE: PUB!

Detalhe do The Horniman at Hay's

Não dá para ir à Londres sem ir a um pub e esse era o passeio programado para a primeira noite na cidade. Depois de deixarmos as malas no hotel – o Premier Inn, em Greenwich: quarto delicioso, café da manhã farto e diária baratinha, vale a pena! – o ônibus da agência levou a todos para um rápido city tour pela noite londrina. Tiramos algumas fotos às margens do rio Tâmisa, perto do Big Ben, e então fomos para o The Horniman at Hay’s, que fica próximo à London Bridge e é parte de uma, digamos, “rede” de pubs, sobre a qual você pode saber mais aqui.

Fish & chips!

Confesso que eu não tinha ideia de como funcionava um pub, mas então me contaram que é o seguinte: você chega, escolhe uma mesa e então vai ao balcão, paga e faz o seu pedido, informando o número da mesa – aí um garçom vai lá e te serve. Ah, bom! Cheia de fome e curiosidade, fui lá e pedi meu fish & chips, o popular peixe com batatas. Apesar da propaganda negativa que me fizeram, o prato é bem bom: um grande filé de peixe sem espinhos [e sem sal] frito à milanesa, batatas fritas macias e quentes e dois tipos de molho. Fora o grande copo de cerveja, dentre as tantas que havia no lugar. Engraçado que, em Londres, não há um “dia oficial da cerveja”, como aqui: em pleno domingo, o pub estava completamente cheio.

COMEÇANDO

Praça em Londres: se o espaço é público, é do povo

O primeiro dia em Londres começou com o city tour oficial, aquele incluído na viagem. Em meio a muito frio, fomos para a margem do Tâmisa novamente e, depois de algumas fotos na região, seguimos para rodar a cidade. Fiquei impressionada em como as pessoas realmente ocupam os espaços públicos – sempre tem alguém sentado nas escadarias e nas praças, a população sabe que aquilo pertence à ela. Quando estive lá, havia dois, digamos, “acampamentos-protesto” em andamento: um, perto do Parlamento, pedia a retirada imediata dos soldados britânicos das guerras mundo afora; o outro, em frente à Catedral de Saint Paul, era da mesma cepa do Occupy Wall Street.

Albert Memorial, em Kensington Gardens: grandeza que impressiona

Como eu disse, a imponência de Londres me impressionou bastante. A toda hora, é preciso torcer o pescoço e olhar bem para o alto para ver por completo um monumento ou prédio. A todo momento, a arquitetura inglesa te lembra que seus heróis, crenças e ídolos nunca são esquecidos. E isso é lindíssimo. O nosso city tour terminou por volta da hora do almoço em frente ao Palácio de Buckingham, onde consegui – apesar da multidão – ver a cerimônia da troca da guarda real. Demos sorte, pois, apesar de ter uma periodicidade, não é sempre que ela acontece.

Devo te avisar que a cerimônia toda é longa e maçante, a não ser que você conheça a simbologia de cada coisa ali. Como eu não conhecia e queria começar logo minha caminhada, saí dali para atravessar o Green Park em busca da minha primeira missão: descarregar o cartão de memória da câmera. Para isso me indicaram a Boots, uma daquelas grandes farmácias onde você encontra de tudo um pouco – memorize onde tem uma para emergências. Nas maiores unidades – como a que eu fui, na Piccadilly - eles têm serviços de fotografia e venda de cartões para celulares e transporte público. Ajudou bastante.

Então – voltando ao esquema dos tópicos, vou tentar falar dos highlights de Londres:

COMPRAS

Desculpe dizer, mas, ao contrário de Paris, Londres é SIM uma cidade cara. Isso é culpa da moeda deles, a Libra Esterlina (£), que é mais cara que o Euro (aqui no Brasil, quando troquei meu dinheiro, em outubro de 2011, cada libra custava R$3,10). Isso me confundiu, especialmente quando eu precisava usar o VTM, que estava carregado em Euros. Ainda assim, não me furtei a fazer nada do que planejei -  e mantive minha determinação em não comer em fast food, rs.

Lojinhas na Oxford Street

- A Oxford Street concentra uma enorme variedade de lojas. Tem para todos os gostos: baratinhas, super caras, de souvenires, de roupas, de sapatos. Se você chegar a ela saindo pelo Speakers Corner do Hyde Park, já verá várias lojas para comprar lembrancinhas. Aproveite, tem muita variedade;

- Por falar em lembranças de Londres, é praticamente obrigatório trazer chá. As latas são uma graça: grandes, pequenas, redondas, quadradas, com estampas do metrô, do Big Ben, dos táxis, dos ônibus, do casamento de William e Kate… e ainda tem aquelas com estampas exclusivas, dependendo de onde você comprar (dentro de museus ou atrações, por exemplo). Mas não deixe de trazer pelo menos uma – elas custam entre £3 e £8. Ah, sim: o chá deles é bem diferente do nosso, viu? Parece com chá preto, é bem forte, e o comum lá é tomá-lo com um pouco de leite;

A famosa cabine

- Outra coisa bem legal de trazer são miniaturas dos símbolos que traduzem Londres: a cabine telefônica vermelha e a caixa de correio – esses são os mais originais, na minha opinião. Porque né, o Big Ben até aqui no Brasil você encontra;

- O metrô, ou Underground de Londres por si só também é uma atração turística. Tanto que ele tem uma grife própria, que tem desde mousepads e latas de chá até camisetas e agasalhos muito legais. O problema é que são bem caros: uma camiseta custa em torno de £20. Mas olha, vale a pena ter pelo menos uma peça dessas de recordação;

Muito mais que um meio de transporte

Muito mais que um meio de transporte

- Se você precisar de roupas, uma opção com bom custo/benefício é a Primark, que também está na Oxford Street. Ela é como uma C&A de Londres e você encontra casacos quentes e bonitinhos por cerca de £29. É uma boa dica para o caso de você precisar de mais meias… porque você vai precisar;

- Aqueles que quiserem comprar tênis ou camisas de clubes europeus com preços bem abaixo dos nossos podem ir à Lillywhites, loja de artigos esportivos que fica na Regent Street. Eu não cheguei a ir lá, mas pessoas que estavam no mesmo hotel que eu voltaram maravilhadas com pares de Nike e Adidas por até 40% do valor que pagamos aqui no Brasil;

Vitrine da Primark

- Para demais lembrancinhas, vale o que eu falei sobre Paris: deixe para comprar dentro de museus, igrejas e outras atrações somente o que for exclusivo, porque todo o resto você acha em outras lojas com preços mais baixos. Também vale a sugestão dos marcadores de livros e lápis – os da National Gallery, por exemplo, são lindos.

ONDE IR

Na minha opinião, Londres não tem tantos detalhes escondidos quanto Paris – é que eles são explícitos mesmo, rs. Vale a pena caminhar com calma (leve um guarda-chuva, porque lá a chuva aparece assim, sem mais nem menos) e reparar em como a maioria das esculturas, monumentos e arquitetura remetem à monarquia. Para orientar minhas caminhadas, eu comprei um guia que se chama “Londres a Pé”, da editora Martins Fontes, que tem uns 20 roteiros de caminhada muito bem detalhados pela capital britânica, além de um bom mapa.

The Diana Princess of Wales Memorial Walk

- Mesmo com todo aquele frio do outono, os parques londrinos estavam lindos, com todas aquelas folhas avermelhadas fazendo um grande tapete, por onde correm esquilinhos (muitas vezes fugindo dos cachorros, coitados). Londres é cheia de parques, grandes e pequenos, mas os que eu consegui ir foram o Green Park, o Hyde Park e o Greenwich Park, esse, mais afastado. O Green Park é mais simples, mas o Hyde Park… ah, tem que ir. É uma delícia sentar-se num banco com um lanche e ficar observando pessoas de várias nacionalidades e sotaques passarem de patins e bicicleta. Não deixe de procurar, no chão, a placa em memória da princesa Diana (The Diana Princess of Wales Memorial Walk). Ali ao lado, com acesso por dentro do parque mesmo, estão os Kensington Gardens – que eu não fui, por pura falta de tempo mesmo;

- O, digamos, centro “real” de Londres está em Westminster, assim como o centro financeiro está em Canary Wharf. Uma caminhada por Westminster vai ter mostrar muitos prédios públicos e o Parlamento, onde está o Big Ben. Nessa área, repare nos leões, que enfeitam a London Bridge e são o símbolo da monarquia britânica;

"Batman" também faz aparições na Trafalgar Square

- Assim como Belo Horizonte tem seu centro “oficial” na Praça Sete, o de Londres fica na Trafalgar Square. É uma grande praça em frente à National Gallery, onde, assim como em BH, há pessoas matando o tempo, passeando, cortando caminho e fazendo seus números para ganhar alguns trocados. É nessa praça que está o relógio digital que faz a contagem regressiva para as olimpíadas deste ano. O mais impressionante lá, na minha opinião, são os monumentos à Lord Nelson (ou Horatio Nelson, em alguns lugares), um herói nacional da Inglaterra. A Coluna de Nelson é tão alta que mal cabe em uma foto sem se perderem os detalhes – para se ter uma ideia, os leões ao pé da coluna têm cerca de dois metros de altura e são ínfimos, se comparados à altura da coluna em si. Há também uma “miniatura” (de quatro toneladas) do navio de Nelson, dentro de uma garrafa, em outra coluna, que vale uma boa olhada dada a riqueza de detalhes;

Detalhe da National Gallery

- Por falar na Trafalgar Square, é nela que está a entrada para a famosa National Gallery, um dos maiores museus britâncos. E é grande mesmo! O acervo abrange obras de arte de diveros artistas, desde o século XIII até os dias de hoje. Mestres como Van Gogh, Rembrandt, Leonardo da Vinci e Michelângelo descansam nas paredes das dezenas de galerias. Uma dica: reserve um dia todo, pelo menos, se quiser tentar ver tudo (com atenção) num dia só. Eu, com parcas duas horas, não consegui fazer mais do que quatro das mais de 60 salas…

Fleet Street

- Saindo da Trafalgar Square, está a Strand Street. Se você for por ela, já fará outro tour muito bacana. Vale a pena parar para ver toda a beleza da Charing Cross Station e da Sommerset House, logo no início dessa rua. Mais um pouco à frente, está a Fleet Street, antigo centro da imprensa em Londres – para mim, que sou jornalista, foi bem interessante saber que quando os ingleses mais velhos dizem que “a Fleet Street mentiu” estão dizendo que a imprensa errou;

Detalhe: domo da Catedral de Saint Paul a noite

- Um pouco à frente da Fleet Street, está a lindíssima Catedral de Saint Paul, com seu domo que se destaca na vista da cidade. Quando eu estive lá, diseram que ela estaria fechada, pois um acampamento de manifestantes estava bem em frente, na praça. Ainda assim, arrisquei e não me arrependi – a catedral estava aberta e, apesar da escuridão, pude ver muita coisa da obra do arquiteto setecentista Sir Christopher Wren – figura interessantíssima responsável pela reconstrução de mais de 50 igrejas depois do incêndio que destruiu Londres em 1666. Ainda, assisti ao Choral Evensong, a missa das 17h onde o coral de meninos canta – é muito bonito, vale a parada;

Uma vista do trajeto do ônibus n.º 15 a noite. Ao fundo, o domo de Saint Paul

- Foi na Catedral de Saint Paul que eu peguei o famoso ônibus vermelho de dois andares, que também é uma atração turística da cidade. O de número 15 segue por toda a Strand Street, passa pela Fleet Street, Cannon Street e vai até a Torre de Londres, constando até no meu guia turístico. Me atrapalhei um pouco nessa parte também, ao pagar o ônibus, porque lá o comum é as pessoas terem o Oyster Card, que serve para os ônibus, metrôs e trens. Como eu ia ficar só três dias na cidade, para mim não compensava comprar. Assim, eu teria que comprar o ticket num dos totens para isso – mas, quem disse que encontrei um nos arredores da catedral? Assim, resolvi pagar as £2,20 em espécie e quase fui xingada pelo motorista, que há muito tempo não deve ver ninguém pagando um ônibus em dinheiro, muito menos sem pegar o comprovante…

- Ainda na questão igrejas, ao lado da Torre de Londres está a All Hallows by the Tower, considerada a igreja mais antiga de Londres. Ela está no mesmo lugar desde 675! Eu infelizmente cheguei tarde para entrar, mas descobri que no site dela é possível fazer um bom tour virtual;

Corredor dentro da Abadia de Westminster: aqui é possível "roubar" uma foto

- A mais linda e melhor de todas as igrejas eu deixei por último: a Abadia de Westminster. Aconteça o que acontecer, NÃO DEIXE DE IR LÁ. Sei que sou suspeita, pois adoro igrejas antigas, mas a abadia é algo fora do comum: seja pelos 46 metros de altura no ponto mais alto da nave, seja pelos túmulos (perfeitamente preservados) dos reis que governaram a Inglaterra no século XIII, seja pelas centenas de esculturas homenageando os enterrados lá (inclusive o túmulo de Isaac Newton, citado no livro O Código da Vinci)… é de encher os olhos, você fica boquiaberto. Em todo o percurso da visita, não deixe de reparar o chão, coberto por sepulturas de todas as épocas – as mais novas que eu vi são dos anos 60 do século passado. Você vai andar bastante lá, então te recomendo reservar metade do seu dia só para isso – porque não é só a igreja, há as capelas, há os pátios, as salas, um museu e há todos os detalhes disso tudo que você precisa ver. Pegue um audioguia com os educadíssimos voluntários que cuidam da abadia e prepare-se para passar por muita história inglesa. Dica: infelizmente, não é permitido tirar fotos lá dentro, mas por £4 você compra livretos com detalhes dos vitrais ou da arquitetura da abadia;

Estátua de Marlon Brando

- Uma coisa que todos me disseram que não valia a pena visitar era o museu de cera Madame Tussauds. Ainda bem que não acreditei, porque foi divertidíssimo! Eu sempre quis conhecer um museu de cera e fiquei espantada com o realismo das figuras. Também me diverti fazendo – e vendo os outros fazerem – poses para fotos junto às estátuas, hahahaha! Mas sério: pelos £28 da entrada você visita não só umas figuras de cera, mas um centro de entretenimento: lá também tem um cinema 4D com um filme dos heróis da Marvel, uma série de atrações interativas e uma espécie de “trem-fantasma” onde, ao invés de sustos, você vê a história da Inglaterra com bonecos animados e narração em seis línguas. Ainda, uma super loja de souvenires e um café na saída. Não perca!

Baker Street Station

- Bem perto do Madame Tussauds, na Baker Street, está outra atração massa que eu não dei conta de ir: o Museu Sherlock Holmes, que, não sei se você sabe, é um detetive que nunca existiu, a não ser na imaginação de seu criador, Sir Arthur Conan Doyle. Quando voltei para o hotel, foi legal reparar nos azulejos da Baker Street Station, que são decorados com a famosa silhueta de Holmes. Bom, e se é para falar de atrações que eu não tive tempo de ir, vá também ao Ripley’s Believe it or Not!, o museu do inacreditável, na Piccadilly Circus;

Greenwich Park, perfeito para horas de sossego

- Voltando um pouco aos parques, lá em Greenwich, onde era meu hotel, fui ao Greenwich Park – o mais bonito e sossegado, na minha opinião. Estando nele, é impossível não visitar também o Old Royal Naval College, com seus dois prédios “gêmeos” que atualmente abrigam a Universidade de Greewich, o National Maritime Museum (onde há muitas informações sobre Lord Nelson e o uniforme conservado que ele usou quando morreu na Batalha de Trafalgar) e o Royal Observatory. Ah, sim: todas as entradas são gratuitas e fotos são permitidas, tá?

Detalhe da fachada do National Maritime Museum

- A marinha é o orgulho da Inglaterra, pioneira em vários aspectos nisso. Assim, no National Maritime Museum, além do Lord Nelson, você também vai encontrar exposições sobre a marinha mercante britânica e suas expedições, sobre a construção dos navios e pontes ao longo dos séculos no país, muitas maquetes e alguns barcos usados pela realeza inglesa, totalmente conservados. E, quando você achar que já viu o bastante, há um café com vista para o Greenwich Park e uma grande loja para você se distrair;

Relógio de sol de golfinhos: dei sorte do sol resolver aparecer...

- Subindo uma colina por dentro do Greenwich Park, você vai chegar ao Royal Observatory, que já foi o centro astronômico da Inglaterra, reunindo cientistas como Sir Edmond Halley, aquele que deu nome ao cometa. Há o observatório, onde não fui, e um museu, que concentra vários instrumentos de medição de tempo e de orientação, tais como bússolas, relógios, telescópios, lunetas e livros a respeito – alguns são bem curiosos, como o relógio de sol de golfinhos. Uma parte do museu tem entrada gratuita, mas, para ter acesso à área com o famoso Meridiano de Greenwich, você precisa pagar £8. Lá, você verá mais áreas do museu e poderá pisar na linha que antes marcava o meridiano zero – ah, essa área é bem cheia, não se espante se custar a conseguir uma foto só sua em cima da linha…

Greenwich Market, fundado no século XIX

- Se quiser ter um pouco de contato com os moradores da pacata área de Greenwich, vá ao Greenwich Market, ali perto. Há bancas e lojinhas de comida, produtos esotéricos, antiguidades, artesanato, camisetas e até massagem e terapias alternativas. Lá eu comprei um dos souvenires mais legais da viagem: um conjunto com 20 descansos de copos antigos de pubs ingleses. A dona da banca me explicou que, dentro de cada um dos cerca de 10 conjuntos que ela tinha, estavam 20 descansos diferentes – ou seja, se você comprasse todos os conjuntos, teria uns 200 descansos de copos diferentes!

COMER EM LONDRES

Servido? Tá bom pra você?

Tal qual em Paris, eu não posso dar lá tantas dicas de onde comer, pois mal parei para isso. O que eu fazia era tomar um SUPER café da manhã no hotel e lanchar de leve ao longo do dia. Aliás, o café da manhã merece uma caixa alta mesmo, porque é ainda mais bem servido do que o de Paris – bacon (que mais parecia um bife), ovos mexidos ou fritos, linguiças, salsichas, tomates, cogumelos (isso mesmo!), feijão (!!!), torradas, leite, sucos, creme, cereais, muffins, bolos, iogurte, frutas, croissants… tudo ali, à disposição. Assim, depois de comer muito bem de manhã, eu levava um iogurte e um muffin na bolsa e saía – bem tranquilo, não?

- Não dá pra ir à Londres e não provar o fish & chips, o tradicional peixe com batatas, do qual falei lá em cima. Qualquer pub tem e o preço fica entre £10 e £14. É uma refeição e tanto: um grande e macio filé de peixe sem espinhos, batatas fritas e dois molhos. Delícia!

- Já que falamos em pubs, se você bebe, experimente as cervejas também. Alguns pubs têm suas próprias variedades, vale a pena prestar atenção nisso e experimentar;

- A rede de fast food “saudável” Pret a Manger está em toda Londres e tem opções saudáveis e muito gostosas por precinhos bem camaradas. São saladas, sopas, barrinhas de cereais, iogurtes, bolos e biscoitos, tudo a base de frutas, legumes e cereais, que você compra e leva para comer onde quiser. Eu passava sempre por lá e gostava de comprar um pote de iogurte com granola, um suco e alguns daqueles deliciosos biscoitos de Natal em forma de boneco de neve… custavam uns £0,50 e eram uma boa para matar a fome a noite no hotel, junto com um chá;

Nham-nham (saudades)

- Também achei uma boa descobrir o Caffè Nero, onde há bolos deliciosos e cappuccinos gigantes. A rede está em toda Londres também, inclusive dentro do Madame Tussauds e do Aeroporto de Heathrow. Além disso, lá tem wi-fi de graça, bastando um cadastro para usar à vontade em qualquer loja deles. Isso me salvou quando precisei saber o saldo do meu VTM, ufa!

FIQUE ESPERTO

As dicas que eu poderia dar aqui são muito parecidas com as de Paris. Sabe como é, precaução é boa em qualquer parte do mundo, em qualquer língua. Mas vejamos algumas:

- A recomendação para não sair tirando câmeras e mapas à torto e a direito na rua vale para Londres também, até porque, lá dá para reparar mais ou menos quando tem alguém te “vigiando”. Inclusive, reparei que os turistas lá são bem mais discretos que em Paris… talvez porque Londres seja uma cidade mais discreta também;

Aproveite a consulta ao mapa para um café.

- O metrô de Londres, apesar de famoso, não é tão, digamos, “fácil”, como o de Paris. Eu, pelo menos, tive um pouco de dificuldade, especialmente quando eu precisava pegar o DLR (um trem que vai para regiões mais afastadas da cidade). Na verdade, é preciso ter atenção com o DLR: não é em todas as estações que você vai ver uma catraca para depositar seu ticket, mas é bom comprar um assim mesmo, por garantia;

- Não recomendo andar sozinho(a) a noite em Londres. Fora do centro a cidade fica bem vazia e tem muitos lugares escuros. Confesso que fiquei meio apreensiva quando voltei um pouco mais tarde em um dos dias…

<3

- Parece idiota, mas nunca é demais lembrar: na Inglaterra existe a mão inglesa no trânsito, ou seja, é tudo invertido com relação ao que nós estamos acostumados. Na maioria das ruas há avisos no chão indicando para onde você deve olhar antes de atravessar e te aconselho a prestar atenção, porque não é fácil lembrar disso o tempo todo. Na dúvida, atravesse nas faixas de pedestre e somente com o sinal verde para você.

Muito bem, é isso. Espero ter te ajudado a saber um pouco mais sobre Londres dividindo minhas impressões da cidade. A melhor dica, no entanto, é ir até lá e descobrir a cidade ao seu modo – é inesquecível. :)





Paris: apaixonante e acessível

1 01 2012

Paris, Paris, ah, PARIS…!

Sinto saudades até hoje! A capital francesa me surpreendeu bastante – eu não tinha dúvidas de que ela era linda, mas, até pisar de fato nela, eu achava que muito dos elogios eram empolgação de gente deslumbrada. Mas não: Paris é lindíssima mesmo, gente! Até quando é feia, Paris é bonita – mesmo com frio e chuva, Paris é apaixonante. Eu poderia escrever um livro sobre meus três dias lá, mas vou tentar colocar só os highlights aqui e o restante eu vou contando depois.

Outono às margens do Sena

De cara, já te dou uma recomendação: ANDE A PÉ – a cidade tem detalhes que você só vai ver se caminhar, coisas que você precisa sentir de perto. Sério, caminhe. Os quarteirões são pequenos e as coisas são próximas umas das outras. Veja as pessoas, fale com elas, repare na arquitetura maravilhosa dos prédios, observe o dia a dia parisiense. E não tenha medo de se perder, porque os mapas de Paris são claríssimos e a cidade é toda “auto-explicativa” – há placas para tudo, em todos os lugares. Você anda de ônibus e metrô sem dificuldades e até os tickets para isso você compra sozinho, seguindo somente as explicações nos locais.

[Coloquei todas as fotos que ilustram esse post, e muitas outras, em tamanho grande, aqui, nesse ábum]

CHEGANDO EM PARIS

Depois de 11 horas de viagem, desembarquei junto a vários casais (brasileiro tem disso: acha que só pode ir a Paris para ocasiões românticas; logo, eu, sozinha de tudo, tive que aguentar poucas e boas – conto noutro post) no Aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris. Aqui eu aproveito para relembrar uma dica que dei no post anterior: confirme com a agência dois ou três dias antes de embarcar o seu hotel, seus traslados e passeios, porque nós fomos deixados no hotel errado pelo motorista que nos buscou.

A situação do hotel se resolveu com uma caminhada de uns quatro quarteirões, dificultada pela chuva daquele final de tarde. Todos se ajeitaram, mas eu ainda tinha outra prova de resistência: aquele ainda não era meu hotel, meu nome não constava em nenhuma listagem. Pelo menos a equipe do Hotel Ibis – Gare du Nord Chateau Landon foi muito gentil e me arrumou um quarto assim mesmo. Aliás, aqui já tem outra dica: se você está indo por sua conta, a rede Ibis está em vários lugares de Paris, com bom atendimento, quartos confortáveis, café da manhã gostosinho e preços camaradas. Só não espere achar atendentes que falem inglês, são poucos.

Um generoso bife francês

Passado o imbróglio do hotel, demos as primeiras voltas no 10ème Arrondissement da Cidade Luz para procurar algo para comer. Acabamos em um café de um simpático e falante armênio, e aqui eu reitero: falar a língua do lugar faz TODA a diferença. Só eu falava francês e ele, ainda que incipiente, nos garantiu boa comida e bebida sem aquele constrangimento de “ih, não foi isso que eu pedi… achei que era outra coisa”. Dica: isso de que os franceses são mal-educados é MITO. Eles são educados sim, só que não têm saco para turista incoveniente (que grita por não saber o idioma; que mexe em tudo; que não sabe se portar nos lugares) e não vão fazer festa para você como nós fazemos para eles no Brasil.

PRIMEIRO DIA

Le ciel bleu de Paris

No dia seguinte – por sinal, ensolarado e lindíssimo -, saímos cedo para o city tour oficial, aquele incluído no pacote. É como eu disse: não deixe de ir – esse passeio vai te apresentar a cidade e você vai se orientar mais facilmente quando sair depois. Passamos pelos principais pontos turísticos e paramos no Champ-de-Mars, em frente à Torre Eiffel, para fotos. Mais uma dica, essa por experiência própria: cuidado com o trânsito, que a gente esquece de olhar quando se deslumbra com o visual – os franceses vão reduzir quando te virem no meio da rua, mas vão te xingar todo.

Le Carrousel du Louvre

Me separei do grupo no Museu do Louvre, de onde eles iriam ao Palácio de Versailles. Eu escolhi abrir mão desse e de quaisquer programas que me tomassem o dia todo por causa do pouco tempo que eu tinha. Uma coisa sobre o Louvre: no subsolo dele tem um charmoso shopping chamado Le Carrousel du Louvre, onde você vai encontrar restaurantes e lojinhas diversas. Te aconselho a não comprar souvenires lá, a menos que seja algo muito exclusivo, pois, saindo dali, em frente ao museu, na Rue de Rivoli, você achará as mesmas coisas até pela metade do preço.

Rue de Rivoli e suas lojinhas

Minha jornada sozinha por Paris começou na hora do almoço, no Louvre mesmo. A guia me informou sobre o meu hotel “de fato”, o Hotel Ibis – Bastille Opera, e lá fui eu, com a mochila sobre a qual falei no primeiro post (olha aí porque ela é importante: a minha mala teve que ficar no ônibus do city tour de um hotel para outro e só chegou para mim a noitinha, então me virei com o que tinha na mochila) e disposição para caminhar pela Rue de Rivoli até lá. A troca foi muito boa, pois fiquei mais perto do centro da cidade e do Quartier Latin, que tinha destaque nos meus roteiros.

A partir daqui, vamos para os tópicos, acho mais fácil:

COMPRAS

Sabe, Paris não é um lugar caro, se você for um turista tipo eu, mais interessado em conhecer a cidade do que em gastar. Com o dinheiro que levei, pude comprar lembrancinhas, entrar onde eu quis, sentar num café e comer em lugares que não passavam nem perto de fast food. Dica: 20 Euros dá pra comprar muitas coisinhas de lembrança. Se a ideia é uma camiseta, elas custam entre 10 e 20 Euros.

Paris

- Como eu disse, resista a comprar souvenires dentro dos museus e atrações turísticas, pois são mais caros. Caso queira, compre só os exclusivos dali e considere lápis, canetas, chaveiros, ímãs e marcadores de livros, que são baratos e muito bonitos. P.S.: mas uma camiseta com uma estampa típica de turista é praticamente obrigatória, permita-se, vá. :)

- Todo mundo me perguntou se eu tinha trazido aqueles perfumes “famosos” de Paris. Não, não trouxe, tampouco me prendi às lojas famosas, que são tão caras quanto as do Brasil. Mas, nas minhas andanças atrás de um hidratante (lembram que é meio burocrático carregar coisas com mais de 100ml na mala?), achei a Fragonard Parfumeur, no Boulevard Saint Germain. É uma loja com perfumes e cremes muito cheirosos e um atendimento excelente: quando engasgei em como dizer “cheiro” em francês, prontamente o atendente se ofereceu para conversar em inglês e ainda me deu altas amostras de produtos por eu ser brasileira (isso às vezes ajuda). Com tudo isso, acrescido de preços camaradas, foi lá que comprei meu hidratante e um conjunto de perfumes para minha irmã;

- França também combina com chocolates. Mais uma vez, não me deixei levar pelas sugestões do guia de viagem e pelas grifes famosas. Ainda caminhando pelo Quartier Latin, achei a Jeff de Bruges, uma loja fofa, com chocolates gostosos em embalagens lindinhas que agradaram em cheio aqui em casa. Ah, e o preço também é bacana, fica a dica;

Vitrine da Pulp's

- A caminho do primeiro museu do dia, passei em frente a uma loja que os aficcionados por séries e quadrinhos – novos e antigos – amariam: a Pulp’s, que tem bonecos de todos os personagens que você imaginar. No entanto, prepare seu bolso: qualquer um dos mimos expostos não custa menos do que 30 Euros…

- Se você gosta de coisinhas com design divertido e diferenciado, vai gostar de ir à PA-Design – ela é tipo uma Imaginarium francesa. Eu fui lá em busca dos super hype post-it em forma de relógio de pulso, mas, infelizmente, eles tinham acabado… mas você pode se divertir com dezenas de outras coisas muito atraentes;

Loja (tentadora) de gravuras em Montmartre

- Em Montmartre, o bairro boêmio de Paris, você será tentado com dezenas de lojinhas vendendo souvenires, gravuras, camisetas, bolsas e coisas gostosas para comer. Sugiro andar bastante pela área antes de entrar em uma delas disposto a comprar, porque os preços variam e a oferta de produtos legais também. Dica: nessas lojas você vai achar muitos produtos com estampas da Belle Époque parisiense e de Toulouse Lautrec, artista que ficou famoso pelos cartazes do Moulin Rouge – são lindos, mas você acha igualzinho no Brasil mesmo, viu?

LUGARES PARA IR

Dessa vez, optei por não ir às grandes atrações de Paris por uma questão de tempo. Assim, vi a Torre Eiffel só de longe, não fui ao Museu do Louvre nem ao Palácio de Versailles e tampouco a outras coisas lindas que há nos arredores da cidade. Eu tinha só três dias e muitas coisas anotadas para conferir, das quais vou falar aqui. Desde já, uma boa dica: informe-se sobre os passeios para saber se compensa realmente pagar o preço que a agência cobra, pois em alguns casos, sai mais barato ir por sua conta. Dica boa 2: saia cedo, por volta das 9h, e visite primeiro as igrejas, para você ver que lindeza o sol entrando pelos vitrais! E dica boa 3: reserve entre 5 e 10 Euros para a entrada em cada lugar que visitar (a maioria custa entre 7 e 8 Euros).

- Nas margens do Rio Sena, na área do Quartier Latin, estão os bouquinistes, simpáticos vendedores de livros usados que montam suas bancas na beira do rio. São dezenas, onde você encontra, além dos livros, gravuras e jornais antigos, mapas e curiosidades. Vale a caminhada por essa tradição parisiense que existe desde o século XVII e um papo com os velhinhos que estão sempre de bem com a vida;

Armadura no Museu de Cluny

- Como eu gosto muito de arte antiga, fui direto ao Museu Nacional da Idade Média, ou Museu de Cluny. A entrada custa 8 Euros e você pode pegar emprestado um audioguia para conhecer melhor todas aquelas maravilhas de até 900 anos. Uma dica boa: na maioria dos museus franceses é permitido tirar fotos! Sem flash, mas não é ótimo mesmo assim?

- Outro museu em que entrei foi o Espace Dali Montmartre, com pinturas e esculturas de Salvador Dali, artista que eu amo. O espaço não é grande, mas tem uma ótima variedade de obras mostradas por um guia e ainda tem uma lojinha cheia de coisas tentadoras;

Detalhes dos vitrais de Saint Sulpice

- Também gosto muito de igrejas antigas, e Paris é cheia delas! Não entrei em Notre Dame, mas fui à Saint Germain de Près, Saint Sulpice, Saint Jean Evangeliste, a Basilique du Sacré Coeur e Saint Pierre de Montmartre. Nas igrejas também costuma ser permitido fotografar sem flash, mas pergunte antes. O bom é que nenhuma delas cobra entrada, a não ser que você queira visitar lugares especiais dentro delas, como o domo e a cripta da Sacré-Coeur. Ah, em todas elas há missas que você também pode assistir – são lindas. Uma dica: igreja é igreja em qualquer lugar do mundo – então, nada de saias curtas, decotes, celulares ligados e bonés lá dentro;

Paris, vista do domo da Sacré Coeur

- A Basilique du Sacré Coeur é um caso à parte: haja o que houver, não deixe de visitar. A arquitetura, a beleza e a grandeza dela te deixam sem fala, sério. Mesmo na baixa temporada, o lugar é muito cheio, então tenha paciência. Como eu disse, você também pode visitar a cripta e o domo. Numa boa? Deixe a cripta e vá direto ao domo – de lá você terá uma visão INCRÍVEL de Paris, tanto quanto a visão da torre. Mas prepare-se: são mais de 300 degraus numa estreitíssima escadinha em caracol… haja estômago;

- A Opéra National de Paris é lindíssima também! Ela é o cenário do clássico “O Fantasma da Ópera” e me disseram que realmente existe um lago por baixo do prédio. A fachada do prédio é magnifíca, com estátuas homenageando os grandes compositores eruditos da História – não deixe de dar uma volta no prédio todo, cada detalhe vale a pena. Mas o horário de visitação é só até às 16h – então corra, senão você terá só algumas fotos de fora, a noite, que nem eu… =[

Le Musée de L'Erotisme

- Outro lugar interessante é Le Musée de L’Erotisme, que também fica em Montmartre, pertinho do Moulin Rouge (onde, aliás, não fui: é MUITO caro). Mas atenção: a visita só vale se você não se horroriza com arte erótica – que é diferente desse pornô que abunda por aí – e está disposto a conhecer a história do sexo ao redor do mundo nos cinco andares do lugar. Há peças de todos os tempos e de todos os lugares do mundo, provando que sexo sempre foi uma grande obsessão da humanidade. As mais interessantes, na minha opinião, são aquelas peças que são aparentemente inocentes, mas, olhadas com mais atenção, revelam detalhes bem picantes. O legal é que você pode deixar o Museu do Erotismo por último no seu roteiro, pois ele fica aberto até às 2h da manhã;

- Perto do meu hotel eu descobri uma rua interessantíssima para a boemia, a Rue de Lappe, uma viela cheia de cafés e bares para todos – eu disse TODOS – os gostos. Tinha até uma loja de coisas brasileiras! Passei por lá uma noite por acaso, porque me perdi ao tentar cortar caminho para o hotel. Como é uma rua muito estreita, não passam carros, então as muitas pessoas ficam na rua mesmo tomando suas cervejas e conversando. Vale a pena uma ida lá com os amigos – DUVIDO que você não encontre nada que te agrade até altas horas.

COMIDA

Os europeus não têm os mesmos hábitos que a gente sobre café da manhã, almoço e jantar. Lá eles tomam um super café, almoçam rapidamente (praticamente lancham) e voltam para casa ou saem para jantar. Há comida para todos os gostos e bolsos em Paris e uma coisa que me dava muito medo era o “vaticínio” dos outros dizendo que tudo era estupidamente caro e eu só teria condições de comer em fast food. Ora, vê se eu vou para a França comer em McDonalds! Francamente, né? Dica: reserve entre 5 e 15 Euros para cada refeição – com isso, você pode escolher entre um lanche e um prato perfeitamente.

Nham-nham!

- Então: aproveite que você estará num hotel e tome AQUELE café da manhã. Sério, não tenha vergonha de comer bem, lá o quente da refeição é o café e você precisa estar preparado para um dia inteiro de passeios;

- Não vou tentar indicar lugares para comer, porque eu como de tudo, então não tenho preferências. Mas achei uma boa opção também as várias bancas de frutas e de sanduíches espalhadas pela cidade, para um lanche rápido enquanto você caminha;

- Você pode até sentar-se em algum lugar para almoçar, mas olha, o tempo que você vai gastar nisso é precioso. É claro que a experiência é sempre válida e os restaurantes são lindos, mas, se você não tem tempo, faça como muitos franceses e sente-se num café para comer uma baguette ou um Croque-monsieur, e tomar uma cerveja ou um café mesmo;

- Eu não posso falar muito do jantar em Paris porque não jantei de fato em dia nenhum, fora no primeiro. Fiquei sem saber como escolher um restaurante e né, não ia ter graça nenhuma ficar sozinha olhando para a vela (sim, todos os restaurantes têm uma vela na mesa) e a taça de vinho na mesa. Mas você pode ir a um café, é quase a mesma coisa do almoço no que tange à opções;

Garrafas de chá verde, com mel ou romã: delícias para lanchar no hotel

- O que eu preferia fazer era lanchar a noite. Paris é cheia de lojinhas de conveniência com coisas diferentes e gostosas para comer – assim, toda noite, ao voltar de longas caminhadas, eu entrava em uma delas e escolhia um sanduíche, biscoitos, e um iogurte, um chá ou uma garrafa de suco, e levava para o hotel. Isso não te custará mais do que uns 5 Euros e vai te suprir numa boa;

- Não deixe de tomar cafés e capuccinos em Paris: lá sim, eles são “de responsa”! Quando você pede, por exemplo, um capuccino, o que vem é uma GRANDE xícara com a bebida, um generoso topo de chantilly polvilhado com cacau em pó e um biscoitinho ou mentinha para acompanhar. Nossa, como é bom!

A tal sopa

- Tem uma coisa que você precisa saber: a sopa de cebola – Soup aux Oignons – é uma entrada tradicional nos restaurantes e talvez você queira provar. Bom, te recomendo tomar um antiácido depois, pois ela é BEM forte… apesar de gostosa e acompanhada de croutons. Voltei para o Brasil sentindo o gosto dela ainda. =S

FIQUE ESPERTO

Como disse meu pai no momento em que embarquei aqui no Brasil, “vagabundo é vagabundo no primeiro mundo também”. Eu não passei aperto nesse sentido, mas vivi situações no mínimo, tensas. Voilà:

- Não saia na rua com um “crachá de turista” – explico: PELAMORDEDEUS, não vá tirando a sua câmera ultra moderna da bolsa toda hora e nem ande com ela no pescoço, isso é um chamariz lá tal qual é aqui. A melhor coisa a fazer é justamente NÃO parecer um turista – ande com calma, observe as pessoas e, se quiser tirar uma foto, pare, faça a foto, guarde a câmera e siga. Dica: se for pedir a alguém para tirar uma foto sua, prefira falar com outros turistas na mesma situação ou famílias passeando – vai ser mais difícil deles saírem correndo com as suas coisas;

Vai abrir um mapa? Faça isso com uma cerveja - é gostoso e mais seguro

- A mesma coisa vale para mapas. Abrir um mapa, em qualquer lugar, é confirmar que você não sabe bem onde está – e isso não é bom. Então seja discreto e entre numa igreja ou café para isso. Aliás, o melhor é dar uma longa olhada no mapa ANTES de sair do hotel e anotar o caminho que vai pegar, para abrir o mapa o mínimo possível depois;

- Cuidado com a sua bolsa e não coloque nada importante nos bolsos. Eu não fui assaltada, mas ouvi casos de gente que ficou sem a carteira dentro do metrô ou de um museu e nem viu. Dica: assim como aqui, os gatunos parisienses hoje em dia são bem vestidos e não aparentam em nada o que fazem de verdade para ganhar dinheiro;

Galeries Lafayette

- Essa aconteceu comigo: cuidado com gente que, do nada, te aborda na rua, pois é nessa hora que vem um parceiro e pode te assaltar (um amigo meu passou por isso na Argentina – e, pasme: a parceira do golpe era uma velhinha). Estava eu andando em frente às Galerie Lafayette no sábado a noite quando, do nada um rapaz se “materializou” na minha frente, falando uma língua que eu nunca ouvi e jurando que eu era uma amiga dele. Agarrei a bolsa, olhei ao redor e saí, dizendo que, infelizmente, não era eu. Bom, o moço continuou me seguindo e conversando e me deu um trabalho danado despistá-lo. Até hoje tento imaginar o que ele queria;

Desenhista na Place du Tertre

- Outra que me aconteceu (essa foi tensa): em Montmartre há muitos artistas de rua, inclusive aqueles que fazem seu retrato na hora. A maioria fica na Place du Tertre, mas outros ficam na Rue Norvins e vão te abordar para te vender um retrato. Quer um conselho? NÃO ACEITE – pelo menos até ele te falar o preço certo do mimo. Senão, você vai passar pelo mesmo que eu: o desenhista, sempre muito simpático, te convencerá a posar com um papo de que “para você fará um preço bom”. No entanto, depois dele pronto, te dirá que o preço é entre 60 e 100 Euros!!! Eu não paguei isso tudo porque (confesso) contei uma mentirinha dizendo que todo meu dinheiro estava no cartão e o que eu tinha em espécie eram só aqueles 30 Euros – que ele aceitou, para minha sorte.

- Mais uma de experiência própria: reafirmo que andar em Paris é a melhor forma de conhecer a cidade. Assim, ao fim do primeiro dia, eu estava com as pernas tão doloridas que mal conseguia dormir. Na ocasião, eu optei por tomar uma dose cavalar de Dipirona para espantar a dor e descansar, mas, como não sou médica, te recomendo é a fazer mais paradas durante o seu passeio e colocar as pernas para o alto assim que chegar no hotel.

Ufa! Acho que é isso. Talvez eu lembre de mais coisas, mas essas vão ficar para outros posts, mais detalhados. Next stop: London!





Ir a Paris e Londres: isso dá pra fazer!

29 12 2011

[contrariando as regras de um bom post para blog, este ficou bem grande: mas acredite, vale a pena ler até o final]

Esse ano, nas minhas férias, me dei um presente e tanto: fui passar oito dias em Paris e Londres. Foi algo totalmente inesperado até para mim, do começo ao fim – a experiência de alguém como eu, que nunca saiu do país, não tem grana sobrando e viajou sozinha merece mesmo um post. Aliás, três, porque nesse eu falo só da preparação e nos próximos dois vou contar da estadia em Paris e em Londres, propriamente. E vou te falar: valeu cada minuto e cada real investido, foi um aprendizado maravilhoso!

Apesar de sonhar em conhecer Londres desde a adolescência e pensar em Paris desde que retomei as aulas de francês esse ano, a Europa aparecia lá embaixo das minhas possibilidades, como algo quase inalcançável. “Ah, é caro… é longe… é burocrático… tudo que tem lá eu estou cansada de ver na TV e na web… não tenho ninguém para ir comigo…” eram algumas das justificativas que eu tinha prontas para desanimar a mim mesma.

Mas eis que, numa “virada de mesa” (Meia-Noite em Paris, do Woody Allen, também ajudou MUITO nisso), um dia eu estava dando uma olhada na minha caixa de spam e me deparo com uma promoção de uma agência de turismo. A promoção anunciava oito dias em Paris e Londres, com passagens, traslados e hospedagem por um preço que cabia no meu bolso (porque era baixa temporada, mas isso não foi problema). Na mesma hora tive um estalo: sim, eu posso! Porque não? Como era uma agência conhecida, pela qual já tinha viajado, fui lá no dia seguinte, munida dos anúncios e de mil perguntas.

Até aqui, minha ficha ainda não tinha caído =)

Fiquei sim com um certo medo. Afinal, nunca tinha saído do país, era (e ainda sou) completamente tapada para trâmites burocráticos, meu francês ainda era pouco (inglês eu já falo, mas na França não ajuda muito) e, ainda por cima, teria que ir sozinha, pois, sem namorado, sem ficante que valesse o convite, e sem amigos ou família dispostos a investir nisso na mesma época, não me restava escolha. Então, depois de muito conversar com a agente, assinei a papelada e voilà: embarcaria em 2 de novembro rumo à capital francesa e, depois, Londres, via Canal da Mancha.

Aqui eu já te recomendo abandonar um preconceito, o de viajar para esses lugares por agência. O que é que tem? Legal se você gosta de se aventurar num mochilão, conhece gente lá fora e faz tudo por sua conta, conseguindo tarifas mais baratas, dormindo em albergues e etc. Mas, para pessoas como eu, leigas e sozinhas, foi bem mais confortável já saber de antemão onde eu ficaria, com quem eu estaria e o que esperar de cada serviço. Fora a comodidade de parcelar tudo, porque né… é um investimento grande que você não faz assim, toda hora.

Moleskine, meu bom amigo e confidente de viagem!

Outra coisa, essa um preconceito meu mesmo: eu sempre achei que ficaria chateada em viajar sozinha, sem ter com quem conversar e trocar impressões. Num primeiro momento, bateu sim uma certa tristeza, mas depois percebi que isso podia ser uma vantagem, posto que eu tinha liberdade total para preparar meus roteiros e segui-los (ou não) como bem entendesse, por quanto tempo quisesse. E, para aplacar a vontade de contar as minhas impressões, fiz um diário de viagem num Moleskine que carregava comigo para todo lugar (pois é, não tenho laptop).

Tem muitas outras coisas que eu acho importante que você, que pensa em ir para esses lugares mas é leigo e “medroso” como eu, saiba – assim, as organizei em tópicos aí embaixo, ó:

INDO PELA AGÊNCIA

- Como eu disse, não tem nada demais em viajar via agência de turismo (o único “porém” é que, viajando sozinha, sai um pouco mais caro). Mas escolha uma conhecida, guarde todos os anúncios e e-mails trocados e faça todas – eu disse TODAS – as perguntas que te vierem à cabeça, até as que você considera estúpidas. Não tem coisa pior do que estar num local totalmente estranho e cheio de dúvidas;

- Ainda sobre viajar pela agência: a maioria inclui no pacote um city tour – aproveite-o! Além de já estar pago mesmo, ele vai te dar um panorama da cidade, o que te ajuda muito a “sentir” o lugar e a se orientar por sua conta depois. Fora que os guias podem te dar muitas informações úteis e dicas. Atenção: mas não confie muito nas indicações de lugares para compras, pois normalmente eles passam os mais famosos, e não os mais baratos;

- Por precaução, uns dois ou três dias antes de viajar, procure a agência e confirme os nomes e endereços dos hotéis em que você vai ficar, assim como horários de vôos, traslados e passeios que serão oferecidos.

INFORME-SE

- Converse com pessoas que já foram para onde você vai, se informe sobre o clima que você vai achar por lá e sobre o que vestir. As roupas para o frio, por exemplo, vale a pena pegar emprestado com um amigo, pois são casacos, luvas e botas que você raramente vai usar aqui no Brasil. Prefira levar tênis e sapatos sem saltos (porque o melhor nessas cidades é andar à pé), além de peças que não precisem ser passadas;

Atenção, crianças: não tentem suprir a falta de um adaptador com gambiarras

- Pesquise tudo sobre o país para onde você vai, leia todos os guias de viagem que puder, veja fotos e prepare seus roteiros com antecedência, anotando tudo que for possível. É claro que, quando você chegar ao lugar, tudo pode mudar radicalmente, mas isso vai te dar uma noção para você aproveitar melhor sua visita. Atenção: se informe sobre a voltagem dos lugares, mas deixe para comprar adaptadores lá – é mais barato e não tem como comprar errado;

- Me disseram para comprar ingressos para certas atrações com bastante antecedência, aqui do Brasil mesmo, para pagar um preço menor e para evitar que esgotassem – francamente, não é tão necessário assim: consegui comprar entradas para todos os lugares que quis visitar no próprio país, sem problemas e sem ônus. É claro que, se você for na alta temporada (na Europa é o verão, entre julho e setembro), for com um grupo ou se quiser ir a um show em específico, a dica vale.

PASSAPORTE E VACINAS

- Obviamente, você vai precisar de um passaporte. Providencie-o o quanto antes, porque o processo todo pode demorar um pouco e a agência vai precisar dos dados dele para emitir sua passagem. É fácil – tudo é feito pela internet, via site da Polícia Federal e com pagamento em banco via boleto. Aqui em BH, fiz um agendamento num posto de atendimento da PF na Praça Sete e foi tranquilo. Atenção: uma vez lá fora, não saia sem o passaporte – lá ele é sua única identificação válida;

- Dependendo do lugar que você vai visitar, você precisa de vacinas específicas. Para Paris e Londres não precisava, mas a agência não me falou. Na verdade, é bom se você já tiver tomado a vacina contra sarampo e você vai precisar levar seu cartão de vacinação à Vigilância Sanitária – VISA da mesma forma. Ah, em Belo Horizonte, a VISA não é mais na avenida Getúlio Vargas, ok? É na Secretaria Municipal de Saúde, na avenida Afonso Pena quase esquina com rua Rio Grande do Norte, e lá eles te passarão todas as informações que você precisa.

DINHEIRO

- Falando em dinheiro, você vai ter que trocar o seu numa casa de câmbio (peça uma indicação da agência, é mais seguro). Também é fácil, mas prefira levar o dinheiro em espécie, é menos burocrático para fazer a operação. O mais recomendado é você levar na viagem um VTM (Visa TravelMoneyum cartão de débito para uso no exterior) e algum dinheiro em espécie. Eu fiz o seguinte (e deu muito certo): metade do que eu separei para levar na viagem foi carregado no VTM, e a outra metade dividida entre Euros e Libras em espécie. Atenção: a Inglaterra não pertence à Zona do Euro, então nem pense em levar Euros para lá, porque não são aceitos em lugar nenhum;

- Carregar dinheiro com segurança era uma coisa que me preocupava. Então, segui a dica de uma conhecida que sempre vai para o exterior e comprei o tal do porta-dólares, que é feio pacas mas resolve, posto que anda dentro da sua roupa. Ali eu colocava uma quantidade de dinheiro e o passaporte – na bolsa eu colocava uma quantidade menor, em espécie, e o cartão. Se quiser guardar dinheiro no hotel, pergunte pelo cofre e como usá-lo.

PREPARE-SE

- Dá para usar seu celular e seu cartão de crédito no exterior, mas confirme com sua operadora e seu banco se você precisa habilitar alguma coisa para isso, além das taxas cobradas (aqui tem algumas boas informações sobre tarifas para usar celular no exterior). A noob aqui não olhou e acabou ilhada, sem celular, dependendo de internet em cafés e lan-houses e sem poder usar o cartão de crédito na Europa;

Acredite, ajuda muito ler isso ANTES de ir

- Falar a língua do país para onde você está indo faz TODA a diferença, é impressionante como as portas se abrem para você com muito mais facilidade. Mas, se você não fala nem inglês, procure ao menos saber as expressões mais básicas de cada lugar, afinal, uma cara boa e “bom dia / boa tarde / boa noite”, “por favor”, “com licença” e “desculpe” (no mínimo) são bem-vindos em todo o mundo;

- Separe uma mochila com uma muda de roupa, uma toalhinha, escova de dentes, escova de cabelo, barrinhas de cereal, garrafinha, umas aspirinas e pelo menos um guia de viagem (é que eu levei uns quatro diferentes) para o caso de um incidente (aconteceu comigo, contarei no post sobre Paris) e leve-a sempre consigo. Atenção: é meio complicado comprar remédios na Europa, então, leve os seus consigo na bagagem de mão;

- Aliás, vai levar câmera DSLR, laptop, ou qualquer aparelho eletrônico mais, digamos, chamativo? Ache a nota fiscal e leve-a junto, para você não passar aperto se pedirem. Senão, coloque-os na mala que será despachada. Atenção: lacre as malas com cadeados, lacres e/ou embale-as em plástico no aeroporto mesmo e verifique se ela foi mexida assim que pegá-la de volta no seu destino;

Tenha tudo isso em mãos ao embarcar e desembarcar

- O embarque internacional pede uma antecedência de duas horas e não é à toa: você vai fazer seu check-in e depois vai passar pelo raio-x e pela alfândega, e isso leva tempo. É importante lembrar que, em vôos internacionais, é proibido levar qualquer coisa líquida com mais de 100ml, ou seja, garrafinhas d’água, desodorantes, shampoos e hidratantes ficarão por aqui. Ah, e cuidado com as free-shops dos aeroportos: nem sempre os preços são realmente vantajosos.

Bem, isso é o que eu lembrei até agora. Faço uns updates se lembrar de mais alguma coisa interessante. E em breve… Paris e Londres por uma noob que curte andar à pé e conversar com gente na rua. ;)








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