You can be anything sim

13 12 2018

Ouça a Kennedy!

Kennedy é uma boneca Barbie da série Made To Move que enfeita minha mesa de trabalho. Sempre sorridente, ela segura uma plaquinha que diz “You can be anything” e ler isso na mãozinha dela me anima dia após dia.

Hoje a plaquinha da Kennedy é quase banal, um discurso meio vazio que dizemos a todo mundo todo dia para fazer as pessoas se sentirem bem. Mas eu, que sou jovem há mais tempo que vocês, lembro bem quando essa frase era uma utopia: bastava ela aparecer para alguém vir estilhaçá-la com um porrete escrito “isso não vai te dar sustento” e/ou “isso é impossível”.

Todas as coisas que eu quis ser na vida foram mortas a porretadas verbais antes que eu tivesse discernimento suficiente para entender porque elas “não valiam a pena”. Cresci meio perdida nesse campo, vendo meus colegas de escola orgulhosamente dizerem que iriam ser dentistas ou advogados, enquanto eu gostava muito de escrever e desenhar (“mas você vai morrer de fome!”) e queria aprender a tocar guitarra (“isso não é coisa de menina!”). Eu não me via em nenhuma dessas carreiras que eram, em teoria, garantia de sucesso. Muitas vezes eu achava que ia ser mais uma perdida na vida mesmo.

Aí eu cresci.

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Assisto novela sim, me deixa

5 07 2018

De tempos em tempos, uma das coisas mais prazerosas do meu dia é recostar na minha cama, ligar a TV e assistir à novela da vez na última faixa de horário.

Ator Emilio Dantas faz cantor de axé protagonista na novela 'Segundo Sol'

Beto Falcão tá vivo sim, como não?

Pode criticar, eu não ligo. Eu fazia a mesma coisa até relativamente pouco tempo atrás, te entendo.

À parte a discussão sociológica da influência das novelas na percepção das pessoas sobre isso ou aquilo na sociedade, ver novela me relaxa. Sou jornalista e, depois de um dia inteiro lendo todo tipo de desgraça anunciando o apocalipse na economia, na saúde, no mundo e nas relações humanas, eu dou graças por poder escapulir disso assistindo takes cuidadosamente coloridos por computador das praias da Bahia. É como meditação: as imagens vão passando e, no final, me sinto leve e sossegada.

Jornalista, esse “arauto da verdade”, assistindo novela é um contrassenso, uns dirão; pois eu digo que as pessoas são uma miríade de contrassensos e às vezes é isso que nos mantém sãos, que nos lembram que somos humanos, reais. Continue lendo »





Onde estão as negras que pedalam?

2 08 2016

No fim de julho fui convidada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) para participar de um evento, a 1ª Cicloformação BH em Ciclo, para, além de contar minha experiência como mulher que pedala, tentar responder a essa pergunta. A mesa da qual participei chamava-se “Gênero e Bicicleta” e fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de participar. Aprendi muito, conheci várias pessoas bacanas e vi que tem muita, mas muita coisa legal sendo feita para que a bicicleta seja parte (devidamente valorizada e respeitada) da mobilidade urbana, ferramenta de inclusão social e redescobrimento das cidades.

Como fiquei nervosa e me atrapalhei com o tempo, sinto que faltaram coisas importantes para dizer e então resolvi escrever esse texto com o que eu não consegui falar (e outras coisas sobre o assunto que levantei depois). Desde já, agradeço novamente a BH em Ciclo, na pessoa da Amanda Corradi, pela oportunidade e espero ajudar no debate do tema, que eu percebi que é muito pouco investigado ainda, mas é mais uma pista para descobrir porque as pessoas pedalam ou não. Continue lendo »








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