Reclama, reclama sim

6 07 2016

Lidar com serviços de atendimento ao consumidor de qualquer coisa é algo que realmente não gosto.

Não gosto porque eu sei que, sempre que eu precisar de um desses serviços, vou passar por um longo caminho pensado para me fazer desistir da empreitada. E isso é proposital, não se engane – não adiantam leis, decretos, PROCON, nada. As empresas sempre darão um jeitinho de, malandramente, dificultar o seu contato com eles.

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Slide: Cláudia Ferreira / EBI Arrifes

Eu sempre soube disso, mas nunca consegui engolir. Talvez pela minha postura pessoal com os outros, mas nunca entendi porque quem te presta um serviço prefere enrolar para resolver seu problema ao invés de ir direto ao ponto para que todos terminem o dia mais felizes. Oh, sim, é claro, já temos algumas empresas de vanguarda que até mandam bilhetinhos escritos à mão para o cliente e interagem com ele pelo WhatsApp brincando e comentando séries, mas são a minoria (e elas podem muito bem estar te chamando de “miga” para te enrolar também) – o mais comum ainda é passar raiva.

 

Vou usar três exemplos, meus, que mostram isso. Mas qualquer um pode se reconhecer neles: Continue lendo »





Três pequenas cenas do caos urbano ou o “Levante do Por Favor”

12 07 2012

Caro leitor, observe:

Cena 1:

Linha 8205, sentido Nova Granada > Maria Goretti, um dia qualquer da semana, por volta de 20h. O cobrador, sentado em sua cadeira, conversa ao celular enquanto atende displicentemente aos passageiros que passam pela roleta. De repente, um deles, sentado na frente do ônibus, se irrita com alguma coisa que eu não pude ouvir:

Cobrador (tirando o celular do ouvido): – Cê é louco?

Passageiro: – Não sou obrigado a ficar ouvido isso aí que você tá falando!

Cobrador (se levantando): – Cara, você é doido, ah, você vai ver… Continue lendo »





O corpo é seu, mas seu marido é quem decide

18 05 2012

Estava aqui pensando em como começar esse texto, no qual pretendo comentar uma coisa incrível (no mau sentido) que ouvi da minha médica. Talvez eu deva começar dizendo que essa semana tuitei que estava tendo ataques alternados de feminismo e misantropia – e que descobri que isso tem uma ligação que mais adiante eu tentei relacionar.

Feminismo eu acho que não preciso explicar o que é – já misantropia, caso alguém não saiba, é algo como não gostar de gente. Pois é, confesso que tem dias que eu não gosto de gente. E esses dias eu tenho percebido que não gosto de gente porque constato todo dia que a vida das mulheres é mesmo muito difícil, credo – e todo mundo acaba tendo uma parcela de culpa, seja homem ou mulher. Enfim. Isso foi só um arremedo de prólogo.

Outra coisa que seria interessante dizer – para fins de compreensão total do que eu quero mostrar Continue lendo »





Animais, animais!

20 02 2012

Ok, admito que esse é um dos trocadilhos mais infames de que se tem notícia, mas a causa é nobre. Estou falando das recentes conquistas dos protetores de animais Brasil a fora no que tange à leis e protestos contra a crueldade que pipoca dia após dia na mídia: cães arrastados pelos próprios donos, gatos mortos para servirem de ingredientes em rituais de gosto (e eficácia) duvidoso, cavalos e afins atados à carroças até morrerem de exaustão sob o jugo do chicote, pássaros contrabandeados das formas mais incríveis possíveis e onças mortas em safaris clandestinos em fazendas do interior (nunca tive coragem de assistir aos vídeos).

Manifestantes tomam a avenida Paulista, em São Paulo, em 22 de janeiro (foto: Estadão)

Manifestantes tomam a avenida Paulista, em São Paulo, em 22 de janeiro (foto: Estadão)

Nos dois últimos exemplos que citei, ainda temos a vantagem da mídia pegar pesado e de haver leis que protegem os animais selvagens e em extinção. Mas Continue lendo »





Cadê minha cidade?

10 08 2011

Dia após dia, depois de ler os jornais de manhã, me faço a mesma pergunta e não consigo pensar em uma resposta que me convença, ou que, pelo menos, me dê alento.

Belo Horizonte, para mim, está irreconhecível de alguns anos para cá. Seja o trânsito caótico, sejam os serviços públicos que pioraram, seja a educação sucateada, seja o crescente da violência, seja o sumiço das iniciativas culturais, ou as obras inúteis e de cunho eleitoreiro que descaracterizam o espaço urbano e pioram a qualidade de vida dos cidadãos. Não reconheço a cidade na qual nasci e que amo tanto desde sempre. Continue lendo »





Gritar não atrai aviões atrasados

13 06 2011

Passei o primeiro fim de semana de junho trabalhando em um evento de sindicatos no Rio de Janeiro. Fui de avião e meu vôo atrasou cerca de três horas por conta do mau tempo no aeroporto Santos Dumont, no Rio. Assim sendo, lá fiquei eu no Aeroporto de Confins, com um netbook, um MP3 player e um jornalista das antigas para bater papo. De perda mesmo, só algum tempo que eu gastaria andando pelas ruas do Rio antes do horário do evento que eu teria que cobrir, às 15h.

Eu grito mais, logo, estou mais certo que você.

A tensão começou quando apareceu “atrasado” no painel da sala de embarque e, assim que avisaram que o vôo tinha sido cancelado, percebi que, não importa o dinheiro que o sujeito tem ou o destino do vôo, viram todos bárbaros (e que, apesar do discurso altruísta, só olham para o próprio umbigo). Foi uma profusão de discursos sobre responsabilidade e gritarias onde o que mais se ouvia era EU. Berros, ofensas, ameaças, desrespeito. Tá, não me olhe assim, eu sei que o atraso de um vôo é um motivo e tanto para se irritar, mas a falta de educação sempre me impressiona. Continue lendo »





De engarrafamentos e colaboração no Twitter

30 03 2011

Para escrever sobre isso é necessário um prólogo:

Eu tenho 30 anos de idade e, desde que me lembro, ando de ônibus e pego engarrafamentos. Não faço questão de contabilizar os seis anos em que tive carro, porque não o usava para trabalhar. Uma vez que o trânsito em Belo Horizonte virou um caos e já compete ombro a ombro com o de qualquer metrópole com sérios problemas de mobilidade urbana, eu já saio de casa (para qualquer lugar) contando com o tempo gasto no engarrafamento, que é de mais ou menos 20, 30 minutos, tirando aquele tempo gasto para esperar o ônibus. Não gosto, mas me conformei.

Agora vamos ao texto em si: Continue lendo »








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