Para nunca esquecer

9 01 2022

Fiz minha primeira tatuagem colorida essa semana: eternizei A Roda da Fortuna, décima carta do Tarot, no meu antebraço.

(Foto: Alexandre Barba – tatuador – BH/MG)

Tudo começou em 1978, quando meu pai comprou uma edição de “Cem Anos de Solidão” no aeroporto, em São Paulo. Eu nasci dois anos depois e, mesmo antes de saber ler, as cartas de Tarot na capa do livro (justamente A Roda da Fortuna e O Diabo) me fascinavam. As ilustrações internas também me hipnotizavam, ao invocar todo o misticismo da história da família Buendía gerações afora.

Já dominando a leitura, o livro me abriu as portas para Gabriel García Márquez, de quem li muita coisa – mas nenhuma como aquele primeiro livro. Minha ligação com ele é uma mistura do meu amor pelo meu pai e nossos gostos em comum, meu fascínio pelo misticismo, minha relação com a literatura e meu desejo de deter todo o conhecimento do mundo, de ler seus segredos para nunca ser pega de surpresa.

(Foto: Arquivo pessoal)

Só que isso é impossível – meu desejo por controle é impossível. A Roda da Fortuna não foi escolhida à toa: ela está no meu braço para me lembrar que controlar a vida é uma ilusão. A vida é cíclica e estamos o tempo todo à mercê de suas mudanças – especialmente as que você provoca pelas suas ações ou pela falta delas. O que nunca muda na vida é que tudo muda, não interessa o que você acha.

Aprendo todos os dias sobre abrir mão do controle e observar mais como tirar proveito dos caminhos que a vida vai desvelando para mim. As coisas podem ser mais leves se você não tentar desvendá-las antes da hora. Não e fácil para uma virginiana que nunca gostou de surpresas, porém a carta eternizada no meu braço vem me lembrar de que não tenho como controlar a roda da vida, mas posso agir com foco no que desejo colher lá na frente.





Bem vindo à minha ficção II: perna quebrada e cabeça vazia

11 12 2012

Sabe o ditado “cabeça vazia, oficina do diabo”? Pois é. Eu detesto ficar sem ter o que fazer, porque sou capaz de divagar profundamente por coisas totalmente inúteis e nocivas. Sim, eu confesso. Estive de férias por 30 torturantes dias e ganhei mais 12 por recomendações médicas. Tive muito tempo para evitar que minha cabeça virasse “oficina do diabo” e, pensando nisso, resolvi escrever a respeito.

Também escrevi pensando, novamente, nisso de assumirmos nossos sentimentos e sermos honestos até mesmo quando temos sentimentos considerados negativos. “Considerados”, porque aprendi que toda coisa negativa traz uma positiva, não é só papo de auto-ajuda.

Sem mais delongas (sempre quis usar essa expressão), essa é a estória de uma moça que estava com raiva e estava obrigada a Continue lendo »





Bem vindo à minha ficção: um conto de lavra própria

21 10 2012

Nem só de Jornalismo, assessoria de imprensa e reflexões sobre saudade e sentimentos não-tão-legais-assim vive um jornalista. Às vezes alguns – tipo eu – se arriscam a escrever ficção e até ganhar uns concursos de literatura com isso (sim, eu já ganhei um – conto n’outra ocasião).

O texto abaixo eu fiz para um concurso e, como não fui selecionada, estou compartilhando. Como deveríamos escrever sob pseudônimo, não me importei em usar meu próprio nome para a personagem, posto que eu queria muito encaixar em algum lugar essa coisa de Janaina ser um dos nomes de Iemanjá, a Rainha do Mar, de acordo com a Umbanda. Outra coisa que eu também fiz foi escrever na terceira pessoa, e do ponto de vista de um homem. Talvez esse homem não tenha ficado muito convincente, mas vá, digamos que eu imaginei este como sendo um homem ideal, que repara em detalhes e sutilezas, coisas que – dizem – não existem para os homens em geral.

Eh, bien. Mas eis o texto. Continue lendo »








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