You can be anything sim

13 12 2018

Ouça a Kennedy!

Kennedy é uma boneca Barbie da série Made To Move que enfeita minha mesa de trabalho. Sempre sorridente, ela segura uma plaquinha que diz “You can be anything” e ler isso na mãozinha dela me anima dia após dia.

Hoje a plaquinha da Kennedy é quase banal, um discurso meio vazio que dizemos a todo mundo todo dia para fazer as pessoas se sentirem bem. Mas eu, que sou jovem há mais tempo que vocês, lembro bem quando essa frase era uma utopia: bastava ela aparecer para alguém vir estilhaçá-la com um porrete escrito “isso não vai te dar sustento” e/ou “isso é impossível”.

Todas as coisas que eu quis ser na vida foram mortas a porretadas verbais antes que eu tivesse discernimento suficiente para entender porque elas “não valiam a pena”. Cresci meio perdida nesse campo, vendo meus colegas de escola orgulhosamente dizerem que iriam ser dentistas ou advogados, enquanto eu gostava muito de escrever e desenhar (“mas você vai morrer de fome!”) e queria aprender a tocar guitarra (“isso não é coisa de menina!”). Eu não me via em nenhuma dessas carreiras que eram, em teoria, garantia de sucesso. Muitas vezes eu achava que ia ser mais uma perdida na vida mesmo.

Aí eu cresci.

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Cuidado para não matar um sonho

30 12 2013

Estava lendo (de novo) esse texto no blog AnsiaMente, da Carmen Guerreiro (sugiro que você o leia até antes do meu), e lembrei que, quando eu era criança, quis ser desenhista – mas então vieram e mataram meu sonho.

Com a virada do ano aí na porta, época em que muita gente faz promessas e deseja retomar um desejo antigo, ou dar o primeiro passo para um caminho novo, é importante a gente lembrar de não matar os sonhos dos outros.

Com seis anos, em 1987: não é a BatGirl, mas era outra versão da minha mãe

Com seis anos, em 1987: não é a BatGirl, mas era outra versão da minha mãe

Vou me usar como exemplo. Eu nasci sabendo desenhar. É sério. Com seis anos, no jardim de infância, eu já ganhava elogios pelos meus desenhos – lembro de uma vez em que pediram para desenharmos nossa mãe e eu desenhei a minha vestida de BatGirl, com o uniforme completo (só errei o lado para o qual o joelho dobra, mas ok, em compensação as duas mãos tinham cinco dedos). Continuei assim, fui juntando lápis de cor, tintas, referências, elogios e estrelinhas das professoras e amigos da escola. Pedia para a minha mãe trazer do trabalho aquelas folhas enormes de formulário contínuo e adorava aqueles cartazes de propaganda eleitoral, porque eram enormes e o verso era uma ótima tela. Continue lendo »





Fiz 30 e não morri

14 02 2011

Faça um pedido!

Engraçado: eu achava que ia fazer 30 anos e um monte de coisas iria mudar na minha vida – a maioria para pior. Achava que ia ganhar um monte de rugas, que ia ficar mau-humorada e reclamando da vida constantemente, achava que apareceria uma marca na minha testa dizendo “velha”, que eu ficaria amarga e sozinha e que a molecada passaria a me tratar por “senhora”, dentre um monte de outras misérias. Só que os dias passaram depois do aniversário e nada aconteceu. A não ser pela carteira de identidade, que comprova que nasci em 80, ninguém nem diria que fiquei mais velha.

Há muito tempo penso em escrever sobre isso, mas só esses dias consegui de fato refletir sobre tudo e concluir que fazer 30, na verdade, me fez foi um bem enorme. Interessante que várias amigas que já passaram por essa idade me disseram a mesma coisa – que era para eu deixar de ser “noiada” porque a vida melhora muito depois que você faz 30 anos. E é verdade: eu me sinto bem melhor comigo mesma e com as pessoas ao meu redor hoje em dia do que quando tinha, sei lá, 18 ou 25 anos.

No lugar da tensão que me dava quando eu via o 31 de agosto de 2010 se aproximando, apareceu uma sensação de que eu posso tudo. Eu me sinto plena. Me olho no espelho e vejo uma pessoa melhor, mais segura, mais madura e mais forte para defender o que pensa e o que quer. É estranho quando eu paro para escrever isso, porque parece que virei outra – que bom, porque estou gostando bem mais dessa “outra” pessoa. Os 30 na verdade me rejuvenesceram. É comum as pessoas arregalarem os olhos quando digo que tenho 30 e um filho de quase sete anos. Eu ainda não sei reagir bem ao espanto delas, mas fico feliz assim mesmo, porque prova que minha teoria está certa.

Não sei se foi uma iniciativa inconsciente ou uma mera coincidência, mas depois desse aniversário eu passei a me cuidar melhor – me alimento direito, cortei as “porcarias” e as overdoses de doces do meu cardápio; frituras e refrigerantes, só quando saio com amigos ou quando estou com aftas (o bicarbonato dos refrigerantes ameniza a dor, #ficadica), nessa ordem. Vou à academia quatro vezes por semana e me empenho com prazer nas atividades físicas: fico impressionada em ver como o corpo tem respondido melhor do que quando eu tinha meus 20 e poucos – acho que é um agradecimento por reclamar menos e agir mais. As cervejas continuam sendo um prazer, mas tenho preferido tomar minhas weiss bier em casa, com calma, do que virar a noite me entupindo de qualquer coisa.

Não fico mais “contando moedinhas” quando se trata de cuidar da minha pele, do meu cabelo ou das minhas unhas, atitude que me fazia mal duas vezes: uma quando eu me via mal-cuidada no espelho e outra pelas comparações que eu fazia com as outras pessoas quando isso acontecia. Eu trabalho muito para ganhar meu dinheiro, então porque ficar “pão-durando” com pequenas coisas que deixam qualquer mulher mais feliz? Me abri para novas roupas: além das peças coringa em preto, branco e cáqui nas gavetas, agora saias, vestidos, vermelhos, rosas, verdes e shorts dividem espaço com as calças e blusas de corte sóbrio e clássico. E, se eu achava que aquele papo de que “estar bem consigo próprio atrai pessoas e coisas boas” era clichê, hoje eu te digo que não, não é – você continua tendo uns momentos ruins, mas eles ficam cada vez mais escassos e, quando aparecem, duram menos.

Mas acho que a melhor percepção foi a da forma como eu passei a me impor frente aos outros. Com 25, eu me achava pior do que as outras mulheres, então achava também que eu TINHA que aceitar o que aparecesse porque nada melhor iria me achar, fosse um parceiro, um emprego ou um programa para o sábado a noite – achava que o que me acontecia era um “favor” que a vida me fazia. Hoje, com 30, eu me coloquei no meu “devido lugar”, e não me sinto pior que ninguém. Me sinto muito à vontade para dizer “não” se não gosto de alguma coisa, para recusar ir a lugares que eu não curto mesmo se a companhia for boa e para procurar só aqueles empregos nos quais eu saiba que minha motivação não será somente o salário, mas também a qualidade de vida.

Acho que tudo se resume a mais ou menos isso: qualidade. Agora eu quero qualidade para mim. Quero só as melhores companhias, só os melhores amigos, as melhores risadas. Quero reclamar menos e pensar mais no lado positivo de cada coisa. Quero viver, só viver. É claro que o tempo vai continuar passando e eu ainda tenho medo de quando chegar o dia em que não poderei mais fugir das rugas no rosto, dos cabelos brancos, do medo de ficar sozinha e da verdade inevitável de que vou perder minhas formas para a idade. Mas sabe, o medo do futuro paralisa a gente, e eu não quero mais parar: se não morri quando fiz 30, agora eu quero mais é viver tudo, agora mesmo.





A SkyNet vem aí

7 06 2009

Eu coloco O Exterminador do Futuro 2: o dia do julgamento (James Cameron, 1991) como um dos filmes que mais marcaram minha adolescência. Desde a trilha sonora, com You could be mine, do falecido Guns n’ Roses, até o Arnold Schwarzenegger, naquele que, para mim, foi seu último bom papel no cinema antes de se tornar The Governator – como os americanos diziam na época de sua eleição para governador da Califórnia.

Para entender porque eu acho esse filme marcante e porque eu o relaciono ao que vou dizer sobre as última aulas que tivemos na pós-graduação, preciso confessar algo no mínimo curioso para alguém que pretende trabalhar com Comunicação Digital: morro de medo de robôs e máquinas inteligentes.

Lembro-me bem de uma das frases do T101, interpretado por Schwarzenegger,  quando eles chegam a casa do pesquisador da Cyberdyne Systems Inc. e precisam explicar porque é necessário destruir o chip retirado do primeiro exterminador:

“- (…) Em pânico, eles tentam puxar a tomada. A SkyNet adquire vida própria e lança mísseis contra a União Soviética.”

Essa frase jamais saiu da minha cabeça. Desde então, todas as vezes em que vejo os japoneses criarem robôs cada vez mais independentes e parecidos com os seres humanos, me encolho na cadeira pensando que pode haver um dia em que seremos dominados por eles.

Paranóia? Talvez não. Esse tipo de futuro não precisa começar com máquinas vindo do futuro, mas sim com indícios corriqueiros, como as centenas de funções do seu celular ou a profusão de câmeras nos corredores dos prédios comerciais e residenciais, como lembrou minha professora na pós, Marília Bergamo. Ela me perguntou: “Você não tem medo disso tudo?” – pensativa, respondi que não, enquanto ela me encarava com uma expressão enigmática.

Talvez seja por isso que as máquinas vão nos dominar: não temos medo dos indícios e nem desconfiamos do inocente GPS que vem integrado ao carro e ao celular, ou das dezenas de experiências listadas no Google Labs… pobres de nós.








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