Amor é verbo que exige coragem

30 03 2022

Sou Florentino Ariza andando em pleno século XXI, mas queria mesmo era ser Fermina Daza.

Florentino chegou a dizer ao pai de sua amada que seria uma honra morrer por amor – “Atire. Não existe glória maior do que morrer por amor”, ele disse, tranquilo. A paz de quem tem fogo dentro de si, mas quer ser consumido até o pó.

Mas Fermina… ela amava também, mas, quando viu que aquele amor não teria futuro (o futuro que queriam para ela), soube guardá-lo numa gaveta e viver o que estava disponível. O melhor que poderia ter naquele momento. E viveu suas lutas sem olhar para trás, porque sabia que aquela era a caixa onde deveria caber agora. Fechou os olhos e se jogou. Sorveu daquilo até a lembrança do que houve ficar tão apagada que mal ocupava espaço na vida que tinha agora. “Florentino não é um homem. É uma sombra”.

Enquanto isso, Florentino vivia. Pela metade. “Minha vida é amar Fermina”. As 622 amantes que teve ao longo dos 51 anos, nove meses e quatro dias em que esperou por ela não puderam afogar todo o sentimento que ele manteve virgem por Fermina. Florentino também tentou caber na caixa que apareceu, mas ela tinha buraquinhos por onde apareciam uma foto, uma mecha de cabelo, um banco em frente a uma janela específica, conectada para sempre a uma lembrança, um sentimento que se aprende a sublimar porque não cabe no mundo das coisas que existem.

Como se tornar Fermina? Como sufocar com tanta altivez? Como se resignar com tanta classe, dedicação e disciplina? Como trancar um quarto tão querido no coração para que o resto da casa se torne habitável para si e para os outros? Como domar o mar revolto dentro de si para entregar o que esperam que você seja?

Continue lendo »




Fé na humanidade

17 11 2019

Um dia desses, depois de assistir “O Regresso(The Revenant – 2015, USA | Hong Kong | Taiwan):

– Esse tipo de filme me deixa meio mal, não gosto de ver o ser humano assim.
– A mim não me afeta. O ser humano é capaz disso aí pra pior.
[…]
– Mas a gente não pode pensar assim, senão a gente perde a fé na humanidade.
– Eu acho que só o fato de vivermos com medo, trancados atrás de grades, cercas e alarmes já mostra que não temos mais muita fé na humanidade mesmo.
– É…
[…]

The Revenant





Jovens bruxas de araque

20 10 2019

Como boa cria dos anos 80/90, me delicio relembrando a cultura pop daquela época. Vivi tudo que pude intensamente: Xou da Xuxa, Os Trapalhões, disquinhos coloridos, Balas Soft, mochila da Company e todo tipo de filme, literatura e música que eu podia absorver via locadora de vídeo, biblioteca pública e MTV.

jovens-bruxas_t5212

Hoje acho essas lembranças em perfis no Instagram e dia desses uma dessas URLs me trouxe o filme Jovens Bruxas (The Craft – EUA, 1996) junto com uma história que naquela época parecia ridícula, mas hoje seria capaz até de transformar aquela turma em celebridade do YouTube.

O filme chegou aqui no Brasil em 1997. Eu estava no 2º ano do ensino médio em uma escola pública de Belo Horizonte com todo tipo de estereótipo possível em suas versões tupiniquins. Tinha os populares que ‘transgrediam’ as normas fumando; tinha as gostosas que bebiam sem ter idade e ‘namoravam’ caras mais velhos que tinham carros; tinha os nerds estranhos com caspa e óculos quebrados (JURO); tinha os otários ultra babacas torcedores de futebol; tinha os CDFs e tinham aqueles que não cabiam em lugar nenhum porque eram muito apagados para terem qualquer rótulo. Nessa faixa aí, quase no time dos CDFs, estava eu. Continue lendo »








%d blogueiros gostam disto: