Pedal na Bahia: Itacaré a Barra Grande

16 01 2017

Confira todas as partes:

Mapa e altimetria - via Strava

Mapa e altimetria – via Strava

Partindo pela península de Maraú, cerca de 50 quilômetros de um caminho muito tranquilo e com altimetria zero (sério, pode olhar no mapa) separam Itacaré de Barra Grande. O trecho final, cerca de 20 quilômetros, é de estrada de terra e areia fofa, mas quando passamos estava firme, totalmente “pedalável”. A parte de praia é toda muito bonita e toda hora dá aquela vontade de encostar a bike na sombra de um coqueiro e entrar no mar. O dia estava ensolarado e perfeito pra isso, mas os horários da maré não permitiam gracinhas.

Tem travessia de rio carregando a bike? Tem sim sinhô! (Mas são todos rasinhos na maré baixa, preocupa não)

Tem travessia de rio carregando a bike? Tem sim sinhô!
(Mas são todos rasinhos na maré baixa, preocupa não)

Ainda assim, nos demos uma cerveja no Tikal Praia Bar, um bar vip na praia de Algodões cuja festa de réveillon prometia muito luxo e selfies, e um PF de peixe no Bar do Raul, mais a frente, onde pegamos a estrada de terra e areia. Uma técnica para pedalar na areia que me ensinaram consiste em colocar na “vovozinha” e ir pedalando com foco no equilíbrio. Funciona – mas tem horas que é preciso empurrar mesmo, pois a bicicleta atola fundo. Os carros passam com dificuldade e a maior parte dos deslocamentos são com moto, quadriciclo, trator ou caminhões.

Esperando o PF no Bar do Raul antes de pegar a estrada de areia para Barra Grande

Esperando o PF no Bar do Raul

Chegamos em Barra Grande, cuja estrela é a praia de Taipu de Fora e suas áreas de mergulho, por volta das 16h. Na pequena cidade todas as ruas são de areia fofa onde você entra até o meio da canela, não tem calçadas, não tem sinal de celular (um pouco na beira da praia, e só), eventualmente falta luz, não tem nada de banco (não consigo processar o lugar ter uma loja da Farm com biquínis a R$ 250 e não ter sequer um caixa eletrônico), a comida não tem um preço muito convidativo e usar cartão é precário por esses motivos mesmo. Lembrou de levar dinheiro em espécie? Ótimo, você vai precisar.

Aí que eu me f*di

O por do sol no píer e nos bares à beira mar é famoso

O por do sol no píer e nos bares à beira mar é famoso

De acordo com Rogério, a cidade é legal, mas demos azar: além das pessoas que foram para lá curtir a festa do Café de La Musique – Ponta do Mutá, uma rave (acho que era isso aqui) resolveu se instalar lá e outro mar de gente foi junto. Obviamente, a cidade estava lotada e meu stress começou aí, quando chegamos e em nenhum lugar tinha vaga para pousar.

No corre de descolar onde ficar, eu, estressada, esqueci minha mochila nas costas de uma cadeira na padaria onde tomamos um suco. Achamos pouso com um sargento aposentado chamado Israel que aluga quartos na casa dele, mas eu só dei falta da mochila com carteira, celular, protetor solar e a GoPro Hero 3 do Rogério quando já estávamos de banho tomado. Desesperei. Rogério correu de volta lá, perguntou nas lojas ao redor, mas obviamente a mochila já tinha sumido. E não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser praguejar e lamentar meu vacilo.

O que não tem remédio... remediado está!

Mas o que não tem remédio… remediado está!

O gerente da padaria nos cedeu as imagens da câmera de segurança e fomos no mesmo dia ao posto de polícia, de onde liguei para o banco e bloqueei o cartão. O delegado Marcos, a investigadora Daisy e o escrivão Felipe (obrigada, gente) foram atenciosos e fizeram o que era possível, mas deixaram claro que, com a cidade cheia de turistas, provavelmente eu não veria mais minhas coisas, pois era quase impossível rastrear um estranho. Se fosse algum nativo, eles disseram, teria entregue a mochila na padaria e tudo estaria bem.

Infelizmente, pela filmagem vimos que quem pegou não foi um nativo, mas dois caras criados a todinho e mimos como esses que frequentam essas baladas que conhecemos tão bem. Observaram, pegaram, abriram e levaram na maior tranquilidade, sem lembrar que a mamãe ensinou que não se fica com o que não é seu. No dia seguinte, um hóspede de uma pousada achou o que sobrou das minhas coisas na praia e conseguimos de volta os documentos. O iPhone e a GoPro, não. Fazer o que, né.

Vida que segue: Taipu e mergulho

Apesar da broxada por causa do furto e das três noites sem dormir graças a tal rave, que começava às 23h e ia até as 9 da manhã, fomos à praia nos dois dias – um pedalando e no outro no que chamamos de “trans-turista”, carros que enfrentam bem a areia e levam e trazem as pessoas da cidade a Taipu de Fora, localizada a cerca de seis quilômetros da vila, por R$ 10.

Taipu de Fora.

Taipu de Fora.

Taipu de Fora é muito bonita e foi uma das coisas mais legais do mundo aprender a mergulhar com snorkel e ver toda a beleza que passeia entre os recifes de corais. Voluntários ficam na beira da água orientando as pessoas para que não estraguem nada e eu acho que essa vigilância é o que ajuda a água a se manter tão clara. Eu tinha medo de mexer com isso e sei lá, me afogar, mas usar snorkel é relativamente simples: a máscara cobre o seu nariz e isso te obriga a respirar pela boca – mantendo a ponta do tubo para fora da água, basta respirar com calma e soprar com força se entrar água. Sobrevivi, hahaha.

Grande Anísio!

Grande Anísio!

A praia infelizmente também viu as consequências da multidão que tomou a cidade: os bares estavam lotados, com preços surreais, cobrando uma gorda consumação mínima e os garçons só atendiam quem gastava mais – cumprindo ordens do mal-educado proprietário, como no péssimo Buda Beach. No primeiro dia recusamos o esquema e acabamos sem mergulhar, porque não tinha onde ficar e deixar nossas coisas em segurança; no segundo decidimos ceder e acabamos no Bar das Meninas, onde aí sim, fomos bem atendidos sem extorsão e o garçom – o simpático Anísio – garantiu a segurança dos nossos pertences. E lá ainda aceitava cartão e tinha ducha e wi-fi, olha que lindo.

Rumo à Barra de Serinhanhém

Réveillon em clima de luau na praia em frente ao Café de La Musique

Réveillon em clima de luau na praia em frente ao Café de La Musique

O plano era passar o réveillon em Boipeba, mas Rogério ficou preocupado em não encontrarmos onde ficar lá, pois chegaríamos em cima da hora, dia 31 a tarde. Assim, expulsamos 2016 na praia em Barra Grande mesmo, em frente ao Café de La Musique, onde muita gente foi filar a música do lugar, assistir aos fogos de artifício e pular sete ondinhas, firmando seus espumantes e isopores na areia, num clima total de luau com direito até a fogueira.

Antes disso, fomos em busca de um barqueiro que pudesse nos atravessar para Barra de Serinhanhém, para, depois de mais um trecho pedalando na praia e outra travessia de barco, chegarmos à Cova da Onça, no sul da ilha de Boipeba. Essa primeira travessia, num trajeto de mais ou menos 9 quilômetros, é a mais cara – então espero que você ainda esteja com seu dinheiro em espécie aí.

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One response

18 01 2017
leugeniobh

Nossa, que chato este lance do furto, hein?! Mas ainda bem que não deixaram isso atrapalhar o esquema… Tô gostando! Principalmente as dicas do dimdim… Hehehe

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