Pedal na Bahia: Ilhéus a Itacaré

16 01 2017

Confira todas as partes:

Trajeto e altimetria - via Strava

Trajeto e altimetria – via Strava

Depois de 18 horas de ônibus desembarcamos em Ilhéus, de onde parte a cicloviagem. Como a ideia é só pernoitar lá (na versão dessa viagem com deslocamento de carro, ele fica guardado na cidade e depois pega-se um ônibus de volta para buscá-lo), não fizemos muita coisa, só queríamos mesmo tomar um banho e esticar o corpo, já que chegamos no meio da tarde e o calor estava infernal no trajeto da rodoviária ao hotel.

Estátua de Jorge Amado, o pai da Gabriela

Estátua de Jorge Amado, o pai da Gabriela

A cidade não tem lá muita coisa a não ser os atrativos derivados de Jorge Amado e sua obra. Tudo remete a algum livro, e se você já leu, isso é bem legal. Comemos alguma coisa no famoso Bar Vesúvio, de Gabriela Cravo e Canela, e demos uma olhadinha dentro do Bataclan, bordel do mesmo livro. Tudo já foi devidamente adaptado ao turismo, mas não deixa de ser interessante. A noite lanchamos em uma praça de alimentação ao ar livre e foi só.

No dia seguinte, tomamos café da manhã cedo e partimos, atentos a hora da maré. Acompanhar a tábua das marés, aliás, é fundamental para viagens na praia. No ponto mais baixo dela você consegue pedalar com areia firme – a partir dessa hora, você tem duas horas antes e duas depois para isso. É claro que em algumas vezes você pode encontrar dificuldades mesmo assim, e em outras mesmo com maré mais alta você vai conseguir pedalar – mas isso é sorte, planeje-se com base no certo.

Esse dia é o percurso mais longo e, falando por mim, mais difícil de todos, por causa da quilometragem e do trecho de asfalto da metade do caminho até Itacaré. São quase 76 quilômetros e um pouco menos da metade disso é pelo asfalto, por uma estrada sem acostamento e cheia de subidas – mas cheia de sombras e não muito movimentada, ainda bem. Considerando que isso foi já no primeiro dia de deslocamento, eu cheguei ao final cansada, com a bunda doendo e muito estressada, porque estava preocupada com o horário (favor relembrar a dica importante do primeiro post).

O final do pedal pela praia é coroado pelo Restaurante Paraíso e com um trecho de mar delicioso em frente a ele. Não saia sem provar a porção de camarão empanado com molho de manga deles e os sucos de frutas da região, são uma delícia. Pouco depois dele, já subindo um pouco pelo asfalto, tem um mirante de onde você quase pode ver Ilhéus, onde vale parar também.

Vista do mirante

Vista do mirante

Descansados e refrescados, daí pra frente são só as curvas do asfalto e a mata fechada dos dois lados. Em alguns trechos há até redes no alto para facilitar o trânsito dos macacos. Esse pedaço do caminho é onde você também percebe porque levar uns lambiscos e bastante água é importante, já que não há lugares para comprar nada em grande parte dele. Aqui você também vai ver porque precisa levar as luzes, já que, dependendo da hora em que você sair, a chegada a Itacaré acontecerá a noite já.

Um amigo do Rogério que fez essa viagem começou a pedalar a partir de Itacaré; já o Rogério prefere sair de Ilhéus para ter mais pedal. Eu, pessoalmente, começaria de Itacaré também, porque achei o trecho de asfalto cansativo e desnecessário – mas ele é a única alternativa, já que não tem mais praia depois do restaurante. Partindo de Itacaré, seria possível ganhar mais um dia na programação e gastá-lo com uma praia. Mas enfim: eu não sou fonte confiável, pois sou estressada e não gosto de subidas.

"Bem vindos a Itacaré!"

“Bem vindos a Itacaré!”

Chegando em Itacaré furamos nosso primeiro pneu. O caminho para o centro da cidade é uma longa descida com uma ciclovia, onde um prego gigante que parece ter sido colocado de propósito lá atravessou minha fita de kevlar e a câmara de ar traseiros. Por sorte isso não atrapalhou muito, porque já estávamos bem perto do centro e logo achamos vaga na Soleil Pousada & Hostel.

Já em Itacaré

O plano era ficar só aquela noite e uma parte do dia seguinte, e então sair rumo a Barra Grande para conseguir, depois de lá, passar o réveillon em Boipeba – mas, como Rogério não conhecia as praias de Itacaré, eu estava muito detonada pelo esforço no asfalto, e ainda tínhamos que consertar o pneu da bike, decidimos ficar mais um dia, o que foi ótimo, porque realmente precisávamos desse break.

Gatinho simpático de Itacaré nos dando bom dia

Gatinho simpático de Itacaré nos dando boa tarde

Itacaré é uma cidade bonitinha de casinhas coloridas e cheia de gente, gatos, restaurantes com comida boa e gente vendendo artesanato. Quase não se veem carros circulando e as ruas são tomadas por pessoas a pé e mesas dos restaurantes. Se você precisar sacar dinheiro, ligar para alguém ou comprar algo mais elaborado, aproveite, pois daí pra frente, só em Morro de São Paulo você verá isso de novo. Ali eu procurei uma papete para substituir minha apertada sapatilha, mas o que tinha era uma Havaiana rosa e ela serviu bem, hahaha.

Ah, a comida baiana…

Uma das coisas que eu mais gosto na Bahia é que a comida é boa, barata e que camarão é o pão francês deles – tem em tudo e com preço bom! Comemos um camarão na moranga no Divino Gourmet, que “oferece” repelente nas mesas (você vai precisar, acredite) e tem vinis desconhecidos nas prateleiras e frases do Caetano Veloso nas paredes, e uma massa no Mediterrâneo, cujo dono, um italiano, vai te receber na porta e te apresenta a comida de forma tão convincente que, quando você se dá conta, já está lá sentado. Esse último também tem uma horta no fundo de onde saem as folhas e afins usados nos pratos, o que eu achei bem legal.

Camarão na moranga do Divino Gourmet

Camarão na moranga do Divino Gourmet

Apesar de deixar um dia a mais para Itacaré, fomos em apenas uma praia, a de Tiririca, querida pelos surfistas. Ela estava cheia e tinha um bar, daqueles onde só se entra com pulseira vip, tocando música eletrônica, já numa preparação para a festança do réveillon. Você acessa muitas das praias pela mesma estrada, então pode entrar em uma e, se não gostar, basta voltar para a estradinha de calçamento e entrar na próxima – são pequenas e bem perto umas das outras.

No dia seguinte, pé na estrada no pedal de novo, com a primeira travessia de barco do percurso, que tem cerca de um quilômetro e cruza um rio. Ela te leva de Itacaré à península de Maraú, de onde pedalamos rumo a Barra Grande. Essa é a primeira ocasião onde você vai ver porque precisa de dinheiro em espécie e trocado, já que os barqueiros obviamente não aceitam cartões e nem costumam ter troco, apesar de baixarem o preço da travessia se você estiver disposto a negociar. O bom é que eles levam as bikes sem reclamar, ao contrário dos outros meios de transporte.

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4 responses

28 09 2017
luiz Mochon

nossa !! que viagem !! vou fazer esse mesmo roteiro !!!! quero algumas dicas

29 09 2017
Janaina Rochido

Oi, Luiz!
É realmente uma viagem muito boa, estamos à disposição para te dar a dica que você precisar. 🙂

18 01 2017
leugeniobh

Muito bom … Este negócio de subir morro, também não é pra mim, não … hehe

18 01 2017
Janaina Rochido

Hahahahaha, pois é – prefiro só o planinho da praia também!

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