E esses espaços todos?

20 07 2014

Semana passada completei um mês morando sozinha. E, ao contrário do que muitos apostaram (rá!), não, eu não morri de fome; não, eu não fico levando minha roupa para a minha mãe lavar; não, minha casa não virou um chiqueiro; não, a minha geladeira não tem só água, ovo e cerveja; não, minha casa não virou um “abatedouro” nem um Q.G de festas.

Nada disso. A vida segue como sempre e eu sigo reparando detalhes engraçados, que você não percebe na vida em família. Como a questão dos espaços.

Como eu disse daquela vez, “o apartamento é grande o suficiente para ter cara de casa própria, mas pequeno o necessário para me fazer sentir aconchegada” – mas, ainda assim, estranho a quantidade de lugares vazios, sem nada neles. E sem precisar necessariamente ter alguma coisa neles.

Assim: na casa dos meus pais, espaços eram um problema. Eram poucos, e tinha coisa demais para caber neles. Meu quarto lá, por exemplo, era como aquela mala que você só consegue fechar sentando em cima – a qualquer hora ele poderia explodir, tenho certeza. Minha mãe adorava móveis e bibelôs e tinha um monte – das duas coisas – na casa toda. Todos os espaços tinham alguma coisa e cada coisa tinha seu espaço; se ela saísse de lá, o aspecto de bagunça estava posto.

Aqui não.

Nem tudo precisa estar ocupado (ft. Maria Biscoito)

Nem tudo precisa estar ocupado (ft. Maria Biscoito)

E exatamente por estar acostumada a tantos espaços lotados, vira-e-mexe eu me pegava remanejando minhas coisas para ocuparem espaços, vejam vocês. Espalhava copos e panelas pela pia, mesmo que limpos e secos e enchia a mesa do computador de papéis, lápis e badulaques, deixando tudo o mais espalhado possível (ok, nesse caso eu confesso que me deixei levar também pelo *cof-cof* “charme” da mesa de trabalho bagunçada). Achava estranho a sala clean e arrumadinha – e olha que eu sou virginiana, via de regra obcecada com organização e padrões. Mesmo a cama grande de casal eu ainda estranho e me encolho num dos lados dela, talvez por ainda não ter esquecido de vez o aperto da cama de solteiro encostada na parede.

Em parte, eu sei que essas minhas atitudes têm a ver com as lembranças da vida junto com a família; a profusão de coisas no mesmo espaço me é muito familiar. Mas acho que também tem a ver com aquela coisa do aconchego, de estar “rodeada” de coisas, pessoas – proteção. Aqui, além de ser somente eu, não há necessidade de ter tantas coisas, nem de ter todos os espaços da casa ocupados. A minha ideia é, e sempre foi, viver com o necessário, por questões de praticidade e de organização (afinal, ainda sou uma virginiana).

Apesar do estranhamento, eu entendo que tratar de forma diferente esses espaços que sobram aqui faz parte da formação de uma identidade muito própria dessa fase da minha vida, trata-se de imprimir uma marca só minha, o meu estilo de vida, o que eu quero pra mim.

Por agora, ainda não consigo ver muito de mim, do que eu quero, no apartamento. Mas já tenho meus gatos aqui comigo e, em breve, um sofá e uma mesa também. Daí pra frente, serão os detalhes a dar o tempero. Aguardo ansiosamente o “prato” pronto. 🙂

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