Prazer, eu sou o cabelo real da Janaina – Parte 1

20 01 2014

Eis que, quase quatro meses depois de passar a frequentar a reunião dos Alisados Anônimos (sugiro ler esse texto até antes do que vem abaixo, ele é importante para o entendimento do processo todo), o meu cabelo foi bem sucedido e se livrou totalmente do alisante. Agora desfila por aí lindo, leve, solto, crespo e curto.

Oi. Eu sou a Janaina, 100% natural (nem maquiagem tem aí).

Oi. Eu sou a Janaina, 100% natural (nem maquiagem tem aí).

Uma pequena "linha do tempo" de todos os jeitos que já usei meu cabelo (lá no alto, ele natural, quando eu tinha seis anos) - sim, eu curti bastante.

Uma pequena “linha do tempo” de todos os jeitos que já usei meu cabelo (lá no alto, ele natural, quando eu tinha seis anos) – sim, eu curti bastante.

Fiz o meu big chop (numa tradução livre, é o “grande corte”, aquele corte “definitivo”, onde você tira toda a química) na metade de janeiro, no Salão Beleza Negra, aqui em BH (sob a batuta de Betina Borges, é especializado em cabelos crespos e afro), e estou felicíssima.

Sem exagero, me sinto outra mulher: mais segura, mais autoconfiante, mais livre, mais serena. Às vezes eu penso: “porque não fiz isso antes?” e logo eu mesma me respondo: porque antes eu não tinha segurança o suficiente e antes não havia mulheres maravilhosas e próximas a mim desfilando seus crespos por aí para me dar coragem. Antes, provavelmente me olhariam como uma excêntrica; hoje, me olham como olham para qualquer outra pessoa.

Desde o dia do corte, já percebi muitas coisas interessantes. Assim, decidi dividir esse texto em duas partes, sendo que nessa eu vou contar mais da parte técnica, objetiva, do meu novo cabelo – na outra, daqui a 10 dias, eu conto sobre os aspectos subjetivos e de como as pessoas me perceberam depois (não deixe de ler, é interessantíssimo).

A primeira coisa que notei foi que acabou a minha preocupação com o cabelo estar “arrumado” ou não; basta umidificar com os produtos certos quando acordo, dar uma ajeitada e escolher o adereço do dia: pronto, estou arrumada. E, quando eu lavo, a cada dois ou três dias, basta dar uma balançadinha depois de passar o finalizador e voilà!

Muitas pessoas me perguntaram se eu não fiquei com dó de cortar o cabelo que conservei grande desde os 12 anos mais ou menos. Sinceramente? Não tive. Além de já ter curtido bastante ele liso (até franja eu já usei) e comprido, já estava me preparado há muito tempo para esse momento. Outra coisa é que eu sempre quis ter cabelo curto, acho lindo – só não fazia porque eu sempre associava cabelo curto àquele corte chanel à la Mayana Moura e isso me tornaria escrava do alisamento, da chapinha e de um mar de coisas para sempre. Vejam vocês… nunca tinha pensado em usar curto E crespo.

A transição - a gente faz o que pode para dar conta desse período com cabelo "bipolar"

A transição – a gente faz o que pode para dar conta desse período com cabelo “bipolar”

Entre você decidir parar de usar química e cortar de fato há um período bem chato, que é a transição – aquele período em que você tem que se virar para fazer o cabelo todo parecer uniforme, porque ele estará com a raiz crespa e as pontas alisadas. Não é fácil: eu usei faixas, turbantes, penteados loucos que eu inventei e muito rabo-de-cavalo com um monte de presinhas na frente. Algumas mulheres decidem não passar por isso e raspam logo a cabeça, outras fazem tranças afro ou permanente nas pontas, mas eu preferi só esperar e disfarçar mesmo.

Agora…

Não preciso mais me preocupar em amarrar o cabelo para dormir; o frizz não me preocupa mais; quando bate um vento ou começa a chover eu não fico desesperada para enfiar um saco na cabeça (sim, eu fazia isso); não me preocupo mais com o suor escorrendo da testa quando caminho na esteira; piscina e mar não são mais sinônimo de “preciso fazer uma escova o quanto antes”; e, se um dia, por acaso, eu for jogada dentro d’água com roupa e tudo, o cabelo não será mais motivo para eu querer matar quem fez isso. Eu chamo isso de LIBERDADE.

É engraçado porque hora nenhuma eu me estranhei no espelho – é como se o cabelo liso que eu tinha é que fosse o estranho o tempo todo. Aliás, ficaram algumas manias que eu preciso sanar: por exemplo, a mania de passar a mão no cabelo o tempo todo. Se fosse questão de estimular a oleosidade até que seria bom, mas o problema é que isso desmancha os cachos (por mais que eu goste de sentir a maciez do cabelo cada cachinho, formadinho, bonitinho). Outra coisa é a mania de olhar no espelho toda hora; eu passei até a gostar mais de me ver no espelho, só que isso me leva a passar a mão no cabelo, o que nos leva a primeira mania que eu preciso eliminar.

Devo frisar que o cabelo curto e natural, apesar de mais prático, também exige muitos cuidados. Tenho assistido muitos tutoriais, lido muitos blogs sobre cabelos crespos e cacheados, conversado com pessoas e coletado dicas de produtos e cuidados (porque né, é a primeira vez que eu tenho um cabelo crespo e curto sob responsabilidade somente minha). Alguns eu já comprei, mas tenho me segurado, porque agora, que os crespos estão ganhando as cabeças das mulheres, tem uma gama enorme de coisas, uma parecendo melhor que a outra. Por outro lado, por estar curto, gasto menos de tudo: menos shampoo, menos condicionador, menos máscaras e afins. Mesmo assim, ainda quero deixá-lo crescer até mais ou menos o ombro, para ver como fica.

O antes, o durante e o depois do 'big chop' pelas mãos da Betina Borges - nem doeu :)

O antes, o durante e o depois do ‘big chop’ pelas mãos da Betina Borges – nem doeu 🙂

Sei que gostei muito da mudança, de ver uma cara nova no espelho. Assumir meu cabelo crespo é uma parte importante de um trabalho de autoconhecimento, aceitação e fortalecimento da minha auto estima que venho fazendo há muito tempo (novamente, sugiro a leitura deste texto para entender o processo). E olha, é muito bom ser quem você é, sem truques, sem nada para esconder. Essa agora sou eu, 100% eu. E me sinto muito bem assim.

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3 responses

30 01 2014
Prazer, eu sou o cabelo real da Janaina – Parte 2 | Janaina Rochido, jornalista

[…] agora – e sobre isso que eu quero falar nessa segunda parte do texto, depois de falar das questões mais técnicas, mais objetivas na primeira. O que não muda, de qualquer forma, é que eu continuo AMANDO ter cortado o cabelo e tê-lo […]

23 01 2014
Áurea Maria Parreira

Parabéns, Janaína, pelo cabelo e pelo texto, que está ótimo! Um abraço.
Aurea

25 01 2014
Janaina Rochido

Muito obrigada pela visita e pelos elogios, Áurea! Um grande abraço!

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