“Eu sou Amsterdam”*

23 10 2013

Dois anos depois de ter estado pela primeira vez na Europa, voltei ao velho continente, dessa vez para Amsterdam. E olha… valeu cada minuto (apesar d’eu ainda não ter descoberto a forma certa de escrever o nome dessa cidade).

*Um trocadilho com a tradução do famoso letreiro “I amsterdam”.

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[Veja aqui todas as fotos da viagem em tamanho grande, inclusive as que ilustram esse texto]

Estacionamento de bicicletas próximo à Centraal Station: carro de duas rodas

Estacionamento de bicicletas próximo à Centraal Station: carro de duas rodas

Quando postei algumas das mais de 550 fotos da viagem no Facebook, comecei falado que, se você acha que Amsterdam é só para fumar maconha, ver as prostitutas em suas vitrines e para subir no letreiro, era melhor apagar o beck e tirar o cavalinho da chuva, porque a cidade é muito mais que isso. Inclusive, lá é o lugar perfeito para você colocar em prática toda aquela educação que sua mãe te deu, porque a recíproca é verdadeira: todos são uma finesse só, dá gosto.

Amsterdam é a principal cidade da Holanda (que não é a mesma coisa que Netherlands, veja) e é toda cortada por canais que são também vias de transporte. [Eu e minha companheira de viagem, a escritora Ana Elisa Ribeiro, podemos nos orgulhar de termos andando em TODOS os meios de transporte da cidade, rá!] As pessoas lá realmente moram em barcos e realmente usam a bicicleta para tudo, e até isso é atração turística na cidade.

E, assim como eu fiz nos meus textos de dois anos atrás sobre Paris e Londres, repito: ande a pé. A cidade é pequena, linda, limpa, plana e totalmente segura – e, de quebra, você poderá realmente sentir a vida lá.

DO COMEÇO

Antes de embarcar, relembrei aquelas precauções que tomei da outra vez quer viajei e comprei também um bom guia da cidade com roteiros a pé – esse Amsterdã – Roteiros para você explorar a cidade a pé, da Publifolha, e achei muito bom. Também li bastante no blog do Daniel Duclos, um brasileiro que mora em Amsterdam e escreve o completíssimo Ducs Amsterdam (que também tem um guia impresso).

Uma das dezenas de esteiras de Schiphol para poupar os pés cansados dos viajantes

Uma das dezenas de esteiras de Schiphol para poupar os pés cansados dos viajantes

Passamos uma semana em Amsterdam, entre os dias 29 de setembro e 7 de outubro. Ficamos hospedadas na casa de uma parente da Ana, que mora na cidade já há cinco anos e nos deu valiosas dicas de como nos virarmos por lá (e mesmo antes de chegarmos). Fomos de TAP, que tem um vôo direto de Belo Horizonte para Lisboa e, de lá, uma conexão para Amsterdam (além do vídeo de segurança mais legal que eu já vi) – não foi o mais barato, mas era a melhor opção por causa da alfândega em português e do tempo de viagem, que seria menor. Assim, na tarde de 30 de setembro, desembarcamos em Schiphol, um enorme aeroporto onde você acha de tudo.

Para a minha, a sua, a nossa sorte, todo mundo em Amsterdam fala inglês (de qualquer jeito, é interessante ser simpático e aprender algumas expressões em holandês), o que tornou a nossa estadia bem mais fácil do

Acima da Centraal Station, um céu azul que ficaria conosco até a volta. =)

Acima da Centraal Station, um céu azul que ficaria conosco até a volta. =)

que quando estive em Paris, tendo apenas seis meses de um francês muito inseguro. Ainda assim, tínhamos instruções detalhadas de como comprar os tíquetes para o trem e como pegar o ônibus para chegarmos ao nosso destino, pois os terminais só “falam” holandês. Vencida essa etapa, dormimos o possível – já que o fuso horário não deixou ser o necessário – e começamos nossas descobertas na segundona, dia 31. E demos muita sorte: chove com freqüência em Amsterdam, mas não vimos sequer UMA gota de chuva. Estava friozinho (entre 18°C e 22°C), mas tinha sol todo dia e não foi necessário estar sempre com o casaco pesado – pude usar minhas roupas normais mesmo. Yay!

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Tram: porque não copiam essas coisas aqui no Brasil?

Tram: porque não copiam essas coisas aqui no Brasil?

Uma coisa que nos chamou a atenção na cidade é como as pessoas são educadas (e lindas, mas isso é subjetivo) e se respeitam. Tudo também é muito limpo e há flores por todos os lados (só não vimos as famosas tulipas, já que elas crescem só na época de frio). Pessoas, bicicletas, carros, motos, charretes, trams (o bonde deles), ônibus, cachorros e turistas convivem pacificamente e respeitam regras de trânsito. Outra, ainda mais importante, é o quanto a cidade é segura: nem se vê polícia em Amsterdam! Para nós, brasileiros, acostumados a ficar com os dois pés atrás, é estranho deixar uma bicicleta do lado de fora de uma loja e voltar sabendo que ela estará lá (paguei um mico e tanto por causa disso, depois conto). Os policiais que vimos estavam na Leidseplein e no Red Light District, mas aposto que nem armas tinham. Bem que disseram que estão fechando os presídios na Holanda por falta de presos

Se você ainda não acredita, eis uma típica casa barco: algumas são maiores que apartamentos

Se você ainda não acredita, eis uma típica casa barco: algumas são maiores que apartamentos

De qualquer forma, como disse a nossa anfitriã, não é porque a criminalidade é quase zero que se deve dormir no ponto. Ela disse que roubam-se bicicletas, especialmente as mais caras, principalmente na madrugada – os principais responsáveis, ela disse, são viciados, que as trocam por drogas. Por isso, é importante sempre usar as duas trancas que todas elas possuem e ficar de olho no que você deixa dentro do carro, porque também acontece de quebrarem seu vidro em busca dos GPS e outros eletrônicos. Mesmo assim, tive que me conter muito para não sentar a ripa na (falta de) segurança brasileira aqui nesse texto, que não passa nem perto disso.

COMPRANDO (COM CUIDADO)

Porcelanas holandesas: como tudo é lindo, tudo a gente quer comprar

Porcelanas holandesas: como tudo é lindo, tudo a gente quer comprar

Um aviso aos navegantes: Amsterdam não é uma cidade barata. Já adianto que se você está em busca de marcas, não é lá que você vai encontrá-las com preços atrativos – se fizer a conversão para o Real, às vezes sai até mais caro que aqui. Eu mesma caí na besteira de sair gastando e, quando me dei conta, precisei refazer minhas contas e fui obrigada a recarregar o meu VTM, por via das dúvidas. Uma vergonha, se você considerar que o cálculo que eu tinha feito de 85 Euros por dia seria mais que suficiente para comer, passear e ainda comprar uma coisinha ou outra. Mas enfim, fica o alerta.

Promoção de Louis Vuitton no de Bijenkorf: só para os fortes

Promoção de Louis Vuitton no de Bijenkorf: só para os fortes

Bem, tivemos a sorte (ou não) de chegar a Amsterdam bem na semana em que um dos grandes shoppings da cidade o, de Bijenkorf, faz seus “3 dias loucos”, uma liquidação anual que promete preços incríveis. Esse é o shopping das marcas de luxo, então acho que vocês podem imaginar que, mesmo “incríveis”, os preços estavam bem além da minha carteira… mas eu trouxe um parzinho de luvas, que estava precisando há muito tempo. Perto dele, havia o Magna Plaza, um shopping mais, digamos, acessível. Ambos ficam no centro de Amsterdam, o Dam, perto do Monumento Nacional, do Palácio Real e do Madame Tussauds.

Saindo do Dam em direção à Museumplein (falarei dela mais pra frente), estão a Kalverstraat e a Rokin, duas ruas cheias de lojas de todos os tipos e gostos. A primeira, durante muito tempo, foi a referência em compras e, na segunda, tem dezenas de lojinhas de souvenires com preços bem melhores que no aeroporto ou nas lojas próximas aos museus (minhas pantufas custariam 12 Euros em Schiphol e lá custaram 10 – fica a dica). Próximo dali, está uma área chamada Nine Streets (mais ou menos entre os canais Herengracht e Prinsengracht e as ruas Raadhuistraat e Leidsengracht) onde há muitas lojas de roupas e calçados – dizem que sempre há novidades e é onde estão muitas grifes de fora, como a espanhola Mango.

Shopping Magna Plaza: aqui [o bolso] dói menos

Shopping Magna Plaza: aqui [o bolso] dói menos

– O interessante de se comprar em viagens assim, ao meu ver, são coisinhas que você não encontra no seu país – ou que até encontra, mas não tão legais. Por exemplo, Amsterdam é cheia de lojas de objetos curiosos e de design divertido, cheias de delícias que você não vê aqui – vale a pena! Duas que gostei bastante foram a Kitsch Kitchen, que tem muitas coisas diferentes (até brinquedos e CDs), transitando pelo kitsch, o vintage e o artesanato, e a By Popular Demand, que é uma Imaginarium muito mais criativa.

Condomerie: camisinha, prazer e prevenção levados à sério

Condomerie: camisinha, prazer e prevenção levados à sério

– E, por falar em coisas que não existem no Brasil, não muito longe do Dam, na Warmoestraat, 141, está a Condomerie, uma loja de camisinhas onde você encontra preservativos de todos – eu disse TODOS – os tipos, cores, tamanhos, texturas, cheiros e gostos imagináveis. Não precisa ficar constrangido, porque é tudo tratado com muita seriedade e profissionalismo – além de muitos folderes informativos, tem até consultoria para você saber qual o tamanho certo de camisinha para o respectivo pênis e opções para quem tem alergia a látex. Não deixe de ver, é divertidíssimo e rende lembranças bem diferentes dos tamancos de porcelana.

– Quanto aos souvenires, aqueles típicos, aqui e ali pipocam várias lojinhas – mas, se você quiser encurtar o trabalho e resolver tudo de uma vez, passe logo na Dam Square Souvenirs, ali no Dam. Tamancos, porcelanas, tulipas, vacas, queijos, chocolates, moinhos, Rembrant, Van Gogh, Heineken, maconha, prostitutas, sexo… tudo, absolutamente tudo, que tem a ver com a Holanda está representado lá em forma de camisetas, moletons, roupas de bebê, bonés, pantufas, chaveiros, placas, abridores de garrafas, ímãs de geladeira, pelúcias e muito mais. E o preço é o mesmo dos outros lugares.

COMENDO (E MUITO)

Presunto de parma, rúcula, castanhas e pasta de tomate seco: boa pedida da da Bagels & Beans

Presunto de parma, rúcula, castanhas e pasta de tomate seco: boa pedida da da Bagels & Beans

Curiosamente, soube de pouca coisa típica da Holanda para se comer – além dos doces e dos derivados de leite, lógico, deeeerrr. O que mais se vê em Amsterdam são restaurantes para lanches rápidos (recomendo muito: Bagels & Beans), bistrôs ecléticos (como o Razmataz, onde jantamos numa noite) ou os típicos de todos os outros lugares (italianos e argentinos, em sua maioria).

Haring: me disseram que o certo para comer é assim, cru e direto na boca - valeu, mas eu prefiro com pão...

Haring: me disseram que o certo para comer é assim, cru e direto na boca – valeu, mas eu prefiro com pão…

Eu ouvi falar de uma comida típica deles chamada haring, que seria peixe cru e pão, mas acabei não conseguindo provar, apesar das muitas barraquinhas disso por lá. Também têm os deliciosos stroopwafels, que são uns biscoitos redondos parecidos com waffers, recheados com caramelo – ô, meldels, como comi isso… aqui no Brasil é meio difícil de encontrar (e caro), mas lá todo supermercado tem, a 1 Euro e pouco o pacote. Engraçado que eles também gostam bastante de batata frita e tem muitos lugares, portinhas na beira da rua mesmo, onde você escolhe o tamanho e sai de lá com o seu pacotinho pronto para comer. =9

Parede coberta de cartões de visita do mundo todo numa trattoria: pasta a qualquer hora do dia

Parede coberta de cartões de visita do mundo todo numa trattoria: pasta a qualquer hora do dia

De acordo com a nossa anfitriã, o pessoal em Amsterdam não tem o hábito de almoçar como nós: eles lancham rapidamente na hora do almoço (a mesma coisa que observei em Paris e Londres), normalmente tendo sempre pão e leite como base. Assim, é fácil achar restaurantes abertos a qualquer hora com opções de massas, pizzas, carnes e até sopas. Para estes casos, reserve entre 10 e 20 Euros para cada refeição (é como eu disse: esta não é uma cidade barata) – e, para outros, lá também tem McDonalds (e a Bagels & Beans).

Sanduíche natural e iogurte comprados no Albert Heijn: um lanche delicioso por menos de 5 Euros

Sanduíche natural e iogurte comprados no Albert Heijn: um lanche delicioso por menos de 5 Euros

Existe uma outra boa alternativa: o Albert Heijn, que minha colega apelidou carinhosamente (HAHAHAHAHA) de “Epa de Amsterdam”, pois em cada esquina tem um. E todo mundo, absolutamente TODO MUNDO compra nele. Lá você encontra de tudo, é uma beleza! Assim, tal qual eu também fiz da outra vez que viajei para o exterior, quando não estava a fim de gastar muito, passava lá e comprava pão, biscoitos, sanduíches naturais, saladas, iogurtes, sucos… gastando no máximo 8 ou 10 Euros. Até descobrimos uma delícia de embalagem com camarões cozidos num molhinho de azeite e ervas que, olha… foram os 2,65 Euros mais bem gastos da minha vida – aquilo num pão redondo com uma garrafa de suco é um lanche e tanto! E outra: lá também se compra chocolates deliciosos com ótimos preços, o que se torna uma opção interessante para presentear.

Waffle, meu querido waffle... esse foi comprado no Albert Heijn

Waffle, meu querido waffle… esse foi comprado no Albert Heijn

Ah, claro: uma vez na Europa, não deixe de tomar cappuccino – aqueles sim, são verdadeiros! E comer waffles – ah, os waffles!… Maravilhas macias e quentinhas cobertas com coisas como Nutella e cerejas, ou com açúcar e acompanhadas de sorvete. Vende em todo canto (até no supermercado – vi versões cobertas com chocolate, morango, açúcar e cappuccino, ao custo de mais ou menos 3 Euros o pacotinho), fácil demais – por cerca de 5 Euros você compra essa felicidade. É como eu digo, se o paraíso existe, ele certamente é doce. ❤

ONDE FOMOS

[Prepare-se, aqui tem muuuuuita coisa]

O Dam, com o Monumento Nacional ao centro: referência de localização pra tudo

O Dam, com o Monumento Nacional ao centro: referência de localização pra tudo

Amsterdam não é uma cidade com aquelas grandes atrações tipicamente turísticas, como Paris, Londres, Roma, Madrid, etc. Igrejas e prédios antigos, por exemplo, até há, mas não têm o mesmo destaque (exceção para a enorme De Oudekerk – a qual eu não fui, snif, snif!) – é uma cidade nova, comparada às outras capitais européias. Além do Museu Van Gogh, das coffee shops e do Red Light District, não há muito mais coisas que sejam um consenso absoluto para visitar – mas há muitos locais pequenos e curiosos, para gostos específicos (me esbaldei neles). Na verdade, eu diria que a própria cidade é a sua maior atração, com sua limpeza, segurança e liberdade.

Passeio de barco: as histórias de cada lugar pelo qual o barco passa são contadas em seis línguas

Passeio de barco: as histórias de cada lugar pelo qual o barco passa são contadas em seis línguas

A casa em que ficamos hospedadas está localizada próximo de Jordaan, um bairro cheio de galerias de arte e gatos, perto do centro. No primeiro dia em que fomos rumo a ele, no meio do caminho encontramos a Casa de Anne Frank e um passeio de barco que resolvemos fazer – e você também precisa fazer, pois os canais e os barcos são uma marca de Amsterdam. Por 13 Euros (desculpa, gente, ainda não achei o símbolo dos Euros aqui no meu teclado…) nós passamos uma hora rodando pelos canais e vendo algumas atrações da cidade de dentro d’água, como o museu de ciências Nemo, uma réplica do navio de guerra Amsterdam e um restaurante chinês flutuante(!). Tem até uma ponte (esqueci o nome, affe), debaixo da qual, reza a lenda, os casais que se beijam ficam juntos para sempre (como bem observou minha colega Ana, ninguém no barco se arriscou a tamanho comprometimento). Quanto à casa da menina judia cujo diário é famoso, não animamos a enfrentar a sempre enorme fila e a triste história lá dentro. =/

Uma das salas de uma casa de bonecas holandesa do séc. XVIII ou XIX: porcelanas e vidraria de verdade, mas em miniatura

Uma das salas de uma casa de bonecas holandesa do séc. XVIII ou XIX: porcelanas e vidraria de verdade, mas em miniatura

– O primeiro grande local que visitamos foi o Rijksmuseum, aquele que fica bem atrás do famoso letreiro de Amsterdam, na Museumplein (área verde que concentra os principais museus da cidade, como o Van Gogh e o Museu Stedelijk, e onde as pessoas gostam de se sentar para curtir um solzinho e papear). São quatro andares onde você passeia pela arte desde 1100 até 2000 – prepare-se para andar bastante e ficar extasiado ao final. O Rijksmuseum me lembrou bastante a National Gallery, em Londres, com a diferença (que muito me agrada) de que nele você pode fazer fotos. A entrada custa 15 Euros e é melhor você reservar um dia inteiro para ver tudo com calma, incluindo a Galeria de Honra, onde estão obras de Rembrant, Vermeer e Van Gogh, entre outros ilustres holandeses e as galerias que contam sobre a vida nas casas da Holanda nos séculos XVIII e XIX – tem móveis e outros utensílios interessantíssimos. Para terminar a visita, no primeiro piso do museu tem uma loja tentadora e um grande café. Ah, tenha cuidado quando passar pelo vão do primeiro piso do museu – aquilo é uma rua e uma bicicleta quase me atropelou…

Lá estou eu, entre o M e o S: pronto, agora ninguém pode duvidar de que estive em Amsterdam!

Lá estou eu, entre o M e o S: pronto, agora ninguém pode duvidar de que estive em Amsterdam!

– Uma vez fora do Rijksmuseum, como não poderia deixar de ser, lá fomos nós para o famoso letreiro de Amsterdam tirar a foto que nenhum turista que diz ter ido lá pode esquecer de fazer. Como era um dia de sol e sem chuva, as letras estavam cheias de gente por todos os cantos – mas, ainda assim, foi muito legal “ser parte” desse registro que une gente do mundo todo. Além dessa na Museumplein, o “I amsterdam” tem uma versão itinerante, cuja localização você pode ver aqui. Ah, e, se por acaso, as duas “Garotas Holandesas de verdade” estiverem por lá, aproveite para tirar uma divertida foto também (entendedores entenderão – hehehe). 😉

Albert Cuyp Market: de haring a lingerie

Albert Cuyp Market: de haring a lingerie

– Em nossa segunda investida rumo ao centro de Amsterdam, passamos pela praça principal, vimos o Monumento Nacional, entramos na “liquidação louca” do de Bijenkorf e aí sim, saindo de lá, fomos andando rumo ao conhecido mercado de rua Albert Cuyp. Chegamos lá no fim do dia, então, só pudemos ver os feirantes desmontando suas barracas… mas, para quem chegar mais cedo, dizem que é um grande mercado de rua em que se encontra de tudo. Pelo pouco que eu vi, se parece bastante com as feiras aqui do Brasil, mas com tudo misturado: frutas, verduras, roupas, carnes, peixes, lingerie, eletrônicos, souvenires, utilidades… tudo. Fui em busca de um saca-rolhas e de algo diferente para comer, mas não achei – no entanto, preste atenção às lojas, restaurantes, bares e afins atrás das barracas – tem muita coisa interessante. Para quem curte (porque em ela mim dá dor de cabeça), pertíssimo da feira está o Heineken Experience, um museu da cerveja holandesa com direito a brindes etílicos e filme em 4D – além de outra grande fila na porta.

O Red Light District só tem graça a noite, porque sem o neon não vale

O Red Light District só tem graça a noite, porque sem o neon não vale

– Numa noite de sexta-feira fomos ao mais-famoso-que-tudo-em-Amsterdam Red Light District. Se você aí esfregou as mãos achando que lá é uma p*taria explícita, desculpe pelo balde de água fria: não tem nada disso. O que você vai ver são muitos, muitos, muitos turistas, em sua grande parte homens bêbados, pelas ruas estreitas da área, que é bem próxima da Centraal Station. Mas

Casa Rosso: shows com mulheres, casais e... bananas

Casa Rosso: shows com mulheres, casais e… bananas

tudo no RLD é muito organizado: as moças ficam em pequenos quartos com uma vitrine onde se exibem com mínimas peças íntimas (não vi ninguém nua) e, quando a cortina está fechada, é porque estão com um cliente. São todas lindíssimas e muito diferentes das mulheres daqui, mas, preste atenção, é totalmente PROIBIDO tirar fotos delas. Se você o fizer, vai ser repreendido. Se a vitrine estiver vazia, até pode, mas, fora isso, evite mesmo, porque a polícia fica de olho e não perdoa. Por lá também tem muitos bares, coffee shops e sex shops, tudo sempre muito cheio, assim como as casas de shows eróticos. Dizem que a Casa Rosso tem um show até com uma banana, mas não tivemos coragem de conferir se é verdade…

Cardápio de marijuanas em uma coffee shop: se você curte...

Cardápio de marijuanas em uma coffee shop: se você curte…

Ainda tem as coffee shops, que estão não só no RDL, mas por toda a cidade. Já que não fumo maconha, não posso falar muita coisa delas além do que todo mundo já sabe: você entra, escolhe que tipo de erva quer num cardápio, apresenta um documento de identidade, paga e fuma. Em algumas você também tem coisas para comer e beber, mas em outras é só mesmo o “fumódromo”. Frise-se que não é porque é legalizado que você pode fumar onde quiser – até dá pra comprar as sementes em muitos lugares, mas só é permitido o consumo dentro das coffee shops. Achei tudo muito interessante e divertido no RDL – Amsterdam soube como ninguém aplicar o ditado “se não pode vencê-los, junte-se a eles” no que tange à prostituição e à maconha.

Uma pequena Bíblia com capa de couro e fecho de prata: um dos apaixonantes tesouros do  Antiekcentrum Amsterdam

Uma pequena Bíblia com capa de couro e fecho de prata: um dos apaixonantes tesouros do Antiekcentrum Amsterdam

No dia em que aluguei a bicicleta (falarei dela um pouco à frente), a primeira coisa que fiz foi ir direto ao Antiekcentrum Amsterdam, um grande mercado de antiguidades na Elandsgracht 109, à beira de um canal. Eu, como adoradora de “velharias” que sou, pirei: dezenas de estandes com peças curiosas e lindíssimas mais velhas que eu, você e sua avó juntos. Os preços nem sempre são camaradas, mas, se você tiver paciência, pode garimpar pequenas maravilhas, como o meu mini baralho e o saca-rolhas disfarçado de chave que eu dei de presente. Se eu não tivesse mais coisas na programação, acho que teria passado meu dia todo lá. O atendimento é que é engraçado: você vê o que te interessa, vai até um quiosque de informações e toca a campaninha para alguém te atender – a pessoa te mostra a peça e, se você for comprar, te leva para pagar.

O gato J. P. Morgan foi transformado até em nota de dólar por um de seus fãs

O gato J. P. Morgan foi transformado até em nota de dólar por um de seus fãs

Saí dali e, pedalando, fui à estrela da minha programação, o Katten Kabinet. Prendi a bicicleta na grade do predinho às margens do Herengracht (n.º 497) e lambi os beiços: gatos, gatos e mais gatos, desde a recepção até o andar superior, onde estão as peças. O museu surgiu como uma homenagem de seu fundador, Bob Meijer, ao gato John Pierpont “J. P.” Morgan (1966-1983), seu fiel companheiro por muitos anos. No espaço estão, predominantemente, pinturas e gravuras

Leeuw, meu guia pelo Katten Kabinet

Leeuw, meu guia pelo Katten Kabinet

com gatos, anônimas ou famosas, incluindo propagandas antigas (tudo disponível na lojinha como cartazes ou postais). Também há algumas esculturas, curiosidades (como uma TV passando um filme  do conto The cat who walked by himself, inspirador do logo do museu) e um “santuário” de J.P., onde ficam alguns presentes que ele ganhou em vida. Ah, claro, lá também tem gatos de verdade: são cinco, mas o mais amistoso é Leeuw (leão em holandês), que me acompanhou ronronando por toda a visita.

A ilha de sossego no meio de Amsterdam atende pelo nome de Vondelpark

A ilha de sossego no meio de Amsterdam atende pelo nome de Vondelpark

A parada seguinte com a bike foi o Vondelpark, o mais famoso de Amsterdam, próximo à Leidseplein. Foi maravilhosa a sensação de pedalar sem preocupação com um atropelamento e sem medo de me roubarem! Como o tempo estava bom e ensolarado, muitas pessoas se esparramavam pelos gramados ou passeavam com crianças e cachorros. Lá dentro, próximo da entrada principal, ficava o EYE Film Instituut, mas o prédio foi transferido para trás da Centraal Station, do outro lado do rio, e lá no parque agora só tem tapumes – mas nada que comprometa o resto. Dentre as tantas coisas lindas do parque, certamente você vai passar por uma obra de Pablo Picasso chamada Figure découpée, de 1965, e um charmoso restaurante chamado A Casa Azul de Chá – dê uma paradinha.

Leidseplein em uma noite com tempo bom: muita gente, footing e bares para todos os gostos

Leidseplein em uma noite com tempo bom: muita gente, footing e bares para todos os gostos

Depois do RLD, foi a vez de conhecermos a vida noturna na “Savassi de Amsterdam”, a Leidseplein, uma área com uma praça no meio ao redor da qual se concentram muitos bares e restaurantes. A praça é cheia de mesas, como num shopping, e cheia de gente que vai em busca de jantares, drinks, petiscos, diversão: tem de tudo para todos os gostos. Interessante que a Leidseplein foi talvez o único lugar onde eu vi policiais em Amsterdam (mas sepah nem armas eles tinham). Escolhemos um pub tipicamente irlandês, o Reynders (que é interligado com o Hole in The Wall e o Hoopman) com garçons muito simpáticos e muitas opções de cervejas. Como bem definiu a Ana Elisa, na Leidseplein o povo faz footing: muita gente, de todos os cantos do mundo, andando para lá e para cá, procurando uma mesa ou espiando os bares e as pessoas mesmo. Achei bacana observar que não importa sua roupa, seu cabelo ou suas companhias: ninguém te olha torto e nem fala nada. O mais legal, no entanto, nem está lá: é o fato de ter transporte público a noite toda e em mais horários do que durante o dia e durante a semana, exatamente para garantir que você volte para casa em segurança e rápido depois de beber – isso sim, o Brasil poderia copiar.

"Campo de trigo com corvos" e todas as outras telas famosas de Van Gogh estão no museu

“Campo de trigo com corvos” e todas as outras telas famosas de Van Gogh estão no museu

Nosso último grande programa em Amsterdam foi ir ao Museu Van Gogh. Depois de desistir da primeira vez, por causa da imensa fila, voltamos no domingo e aí sim, entramos sem demora (anote aí) – a entrada custa 15 Euros. Não é um museu muito grande, mas contempla com muita abrangência a obra do artista e é bem interativo, além de ter uma área com atividades para crianças. O visitante tem várias oportunidades de examinar bem de perto as obras e instrumentos usados pelo artista, como uma armação de madeira e vidro que ele projetou para facilitar desenhos em perspectiva – ah, e também permite fotos. A lojinha dele é bem mais legal que todas as outras, pois tem muitas coisas para crianças também, como kits de pintura e estojos e mochilas escolares (e onde eu finalmente consegui comprar meu manequim de madeira – caríssimo no Brasil, lá me custou meros 7 Euros). Meu coração continua sendo do Rijksmuseum, mas ir ao Van Gogh é uma ótima pedida.

PASSEANDO DE BICICLETA

Não deixe de passear de bike em Amsterdam, sério - você nunca mais vai se esquecer da sensação!

Não deixe de passear de bike em Amsterdam, sério – você nunca mais vai se esquecer da sensação!

É CLARO que eu não terminaria esse post sem falar da experiência mais legal da minha vida: andar de bicicleta em Amsterdam! Sério, ainda que você ache que esqueceu, dê uma treinada antes de ir e não deixe de fazer isso. A cidade é famosa exatamente por ter a bike como principal meio de transporte (mesmo na chuva) e pela importância que ela tem na locomoção das pessoas, então, nada melhor para de fato sentir o ambiente do que alugar uma bike e se misturar aos habitantes. E eles fazem absolutamente TUDO de bicicleta: compram, buscam crianças na escola, falam e digitam ao celular, conversam com outros ciclistas, trabalham. As bikes sempre têm uma garupa, e os adicionais incluem cestas, engradados, carretinhas e cadeirinhas para crianças e pets.

Para se misturar direito você não pode parecer turista, então, aluguei uma bicicleta da Bike City (que fica na minha rua preferida, a Bloemgracht), porque lá todas as bikes são pretas, como a maioria das que circulam em Amsterdam, e o logo da loja fica meio disfarçado na bolsinha que carrega uma das trancas (a outra é fixa no pneu

Preços da Bike City: não seja pão-duro, vale a pena!

Preços da Bike City: não seja pão-duro, vale a pena!

de trás). Preferi pegar uma bicicleta com freio dianteiro, que eu já conheço, ao invés das holandesas com coasterbreak (em que a frenagem acontece quando você pedala para trás); foi mais caro, mas pelo menos eu não corria risco de esquecer e entrar rasgando num cruzamento. Também pedi uma cestinha e, juntando com o seguro contra roubo (opcional), paguei 18,50 Euros por 24 horas de pedaladas.

Um segredo: na Bloemgracht tem um banco ao qual todos são bem vindos para descansarem. Os depoimentos de passantes do mundo inteiro ficam em uma janela atrás do banco - pare para ver!

Um segredo: na Bloemgracht tem um banco ao qual todos são bem vindos para descansarem. Os depoimentos de passantes do mundo inteiro ficam em uma janela atrás do banco – pare para ver!

Você sai da loja já com instruções de como usar as trancas, os faróis e a buzina da bicicleta e o resto a cidade te mostra (mas, se esquecer, tem folderes na loja). Amsterdam é toda muito bem sinalizada, até com semáforos exclusivos, mas é bom sempre lembrar do sinal de braço ao parar e fazer uma curva, que eles realmente usam para se orientar. Eu fiquei com um pouco de medo no começo, mas me virei muito bem: quando tinha dúvidas sobre o caminho ou perdia o equilíbrio, saía da ciclovia e parava; se não sentia segurança para atravessar uma via por causa do movimento ou das pessoas, descia da bike e a empurrava até a próxima pista. Também procurei me manter sempre à direita, já que os nativos são bem mais rápidos que eu.

Senti-me muitíssimo bem e rapidamente me adaptei – as únicas coisas que denunciaram que eu era turista eram os meus olhares apreensivos para a bike parada na rua quando eu estava longe e a dor na bunda que eu senti depois, causada pelo banco dura da bicicleta. Mera falta de hábito… depois eu volto lá e resolvo isso. 😉


Ações

Information

3 responses

10 12 2013
Uma história de viagem: putz, a bike! | Janaina Rochido, jornalista

[…] como eu já contei por aqui, esse ano eu estive em Amsterdam durante as minhas férias. Foi uma viagem maravilhosa e cheia de contrastes, recheada de coisas com […]

23 10 2013
Alexandre Kupidlowsky

A melhor parte do texto: “Red Light District sem neon não vale a pena”…

23 10 2013
baskaruz

Delicia de texto (e de waffles)!!! Amsterdam um dia!

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