Bem vindo à minha ficção III: a moça vazia

23 07 2013

Como já falei aqui outras vezes, às vezes me arrisco no campo da ficção pura e simples.

Eis algo do tipo, com um tema sobre o qual gosto de inventar (ou não) minhas histórias: o amor que acaba um dia e deixa um rastro de dor, despeito, vertigem e falta de ar atrás. Não me olhe assim, acontece com todo mundo e com você também – se já não aconteceu, um dia vai, acredite. Aproveite a leitura para estar preparado.

Esses dias sem ele

"Corações acidentais de primavera", do blog Diário Irregular, de Ângela Correia

“Corações acidentais de primavera”, do blog Diário Irregular, de Ângela Correia

Aquela minha bela amiga com cabelos esvoaçantes acabou de postar na internet uma foto dela junto com o namorado, na praia, tendo como legenda uma declaraçãozinha de amor – feita por ele, frise-se. Coisa mais linda.
Quase chorei. Aliás, estou chorando.
Porque eu não tive tempo para isso.
Não pude expor todo o amor que eu guardei aqui tanto tempo…
Ninguém soube. Ninguém viu. Praticamente não aconteceu.
Dois meses… o que se faz com dois meses em um relacionamento? Nada. Porque não dá tempo dele se firmar, dele criar raízes.
Ele mal nasceu e eu já tive que voltar apagando todos os rastros, para não morrer de frustração, vergonha e saudade.
Foi ruim sentir as lágrimas correndo a cada atualização e memória apagada e a cada lembrança do sentimento no momento em que a postei – eu achei que seria pra sempre.
Não foi.
Deus me traiu.
Fez comigo a pior de todas as piadas, a mais dolorosa, a mais sem graça.
A cartomante da qual ri enquanto guiava o carro para fora daquele bairro escuro, aquela bruxa, estava certa… não era ele… “vocês podem até ter alguma coisinha, mas não é ele não. Ele não sabe o que quer, ele não vai te assumir” – era verdade. Vai ver ele era só  mais um dos tipos mal resolvidos, complicados e covardes que ela disse que abundariam na minha vida antes que um tal príncipe maduro, viajante e sereno aparecesse e me trouxesse a paz que eu busco.

Estou brigando comigo mesma para não me deprimir. Aliás, não sei como não desmontei até agora.
Porque morreu tudo.
Morreu (ainda que metaforicamente) ele.
Eu morri.
Minha esperança e minhas perspectivas de um dia ver algo diferente morreram.
Estou morta e ando por aí assim mesmo; uma zumbi com um buraco no lugar do coração.
[Pelo menos sempre fui boa atriz… e tenho conseguido disfarçar.]
A sensação que tenho é de suspensão, de que ainda tem algo (ruim, lógico) por vir.
Tomara que não, porque eu não acho que dou conta – e nem quero mais aguentar, estou cansada de ser forte.

A dor vai e vem, mas a pergunta nunca vai se calar: porque eu?
Porque você, Deus, fez isso comigo?
Porque não me deixou viver o amor que eu mais esperei nessa vida?
O que vai ser de mim agora?
O que vai ser de mim quando toda a saudade dos beijos e abraços (quando eles foram sinceros e cheios de desejo – se é que nesse tão curto espaço de tempo foram) aflorar de vez? Quando a raiva não for mais suficiente para abafá-la?

Como faço para não gritar de raiva e dor cada vez que me disserem “ah, mas não se pode criar expectativas!”? Como fazer para que compreendam que era impossível não esperar nada de bom da maravilha que era amar você dia após dia?
O que vai acontecer comigo quando as minhas parcas certezas desmoronarem de vez?

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