“Pina”: uns pitacos sobre cinema, dança e 3D nisso tudo

19 04 2012

Antes do texto em si, uma advertência: não sou conhecedora profunda de cinema e nem de dança. No máximo, uma apreciadora curiosa e de boa memória das duas coisas, que quer dar uma opinião – então, perdoem qualquer tropeço meu nessa seara que desperta tantas paixões em tanta gente, ok?

"Saudade" (Imagem: Divulgação / internet)

“Saudade” (Imagem: Divulgação / internet)

Feito o rodeio, quero contar que fui, finalmente, assistir “Pina”, documentário de Wim Wenders sobre a dançarina e coreógrafa alemã Pina Bausch (falecida em junho de 2009, aos 68 anos) e sua companhia, a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch – e que fiquei absurdamente embasbacada. Saí do cinema meio tonta e me sentindo saída de um sonho (além da pessoa mais desprovida de talento desse mundo). Te digo que, enquanto documentário, “Pina” é um espetáculo maravilhoso para os olhos e ouvidos – vocês vão ver que meu vocabulário é até pobre para dizer como o filme me afetou.

Wim Wenders e Pina Bausch, em 2008 (Imagem: Divulgação / internet)

Wim Wenders e Pina Bausch, em 2008 (Imagem: Divulgação / internet)

Eu soube do filme pela cerimônia do Oscar desse ano e pelo trailer no cinema. O que me chamou a atenção primeiro foi o diretor ser Wim Wenders, que me marcou por sua participação em “Janela da Alma” de 2001 (que eu adoro) e, em segundo, o uso do 3D, que eu achei fantástico. Aliás, nunca tinha visto 3D sendo usado num documentário… achei bem curioso.

Bom, então aqui vale eu dizer outras duas coisas. A primeira é que eu sempre tive muita resistência com 3D em cinema. Reconheço seu valor para ampliar a experiência do telespectador e já vi filmes nos quais ele foi muito bem empregado, mas acho que o uso abusivo nos filmes infantis e blockbusters cheios de coisas “pulando” da tela me deu uma certa antipatia do recurso. A outra coisa é que eu estou aqui brigando comigo mesma para saber se continuo dizendo que “Pina” é um documentário, posto que a concepção de documentário que o senso comum (me incluo nisso) tem é outra.

A ideia que eu sempre cultivei sobre documentários é que eles eram filmes áridos sobre algo que aconteceu de verdade e não tinham muito espaço para, digamos, “fantasia”, porque era tudo verdade e, normalmente, sobre algo miserável, como uma guerra, uma denúncia ou um caso mal resolvido de anos atrás. Aí eu sentei naquela poltrona do Cinemark e mudei de ideia. Sim, continua tudo sendo verdade, mas é a verdade contada com mais poesia que eu já vi. É onírico. É a visão de uma artista pelo que um artista mais preza: suas sensações, o sentimento que ele quer passar enquanto apresenta sua arte. Está tudo ali.

"Amor" (Imagem: Divulgação / internet)

“Amor” (Imagem: Divulgação / internet)

Aí eu volto à questão do 3D. Não sei como é o filme em duas dimensões, mas o 3D em “Pina” é sutil, brilhantemente utilizado e eu o achei fundamental para que se faça “um mergulho” na obra de Pina Bausch e seus bailarinos, para que você se sinta realmente “dentro” do espetáculo. A profundidade que o recurso traz te faz parte da plateia que assiste a dança – é um clichê idiota, mas eu vou dizer: é como se você pudesse tocar tudo e todos. Some-se a isso a trilha sonora, que, casada às coreografias, te envolve totalmente. O filme é sensível, doce, excitante. É impossível não interagir com ele, não se emocionar com a forma como Wim Wenders conduziu os depoimentos do elenco, como ele deu a cada cena um ar etéreo, de sonho.

Sobre a dança, parte com a qual eu tenho menos intimidade, esse trecho da página dedicada à Pina Bausch na Wikipedia é um resumo simplista, mas ajuda a entender como ela gostava de trabalhar: “Conhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente.” – como o trailer do filme avisou, os movimentos criados por Pina falavam, e falavam tão claramente, que até uma leiga em dança como eu fui capaz de entender e me emocionar. A forma como cada dançarino incorpora isso é de arrepiar – é nítido que cada um deles ama e acredita no que está fazendo, o que contagia naturalmente o público. Comigo, pelo menos, foi assim.

Acho que me fiz entender – tentei, pelo menos. Mas, em suma, corra e vá assistir. “Pina” é uma experiência sensorial que merece que você se entregue sem reservas. Experimente.

 “Dance, dance… otherwise we are lost” – Pina Bausch (Foto: Bernd Thissen/DPA/ABACAPRESS.COM)

“Dance, dance… otherwise we are lost” – Pina Bausch (Foto: Bernd Thissen/DPA/ABACAPRESS.COM)

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19 04 2012
Érico San Juan

Janaina, tem tanto blogueiro aí que fala bobagem e comete erros na maior cara de pau… e vem você, uma pessoa esclarecida, informada e bem-humorada, a nos pedir desculpas por prováveis imprecisões? Comentário bom, seja “pitaco” ou análise caudalosa, é o que nos provoca a ir ver a objeto da análise. E “Pina” eu vou ver, sem dúvida. Por causa das suas palavras acima. Bjs.

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