Uma história de Londres: o polonês defensor dos animais

27 02 2012

Semana passada escrevi sobre as iniciativas para promover o respeito e a proteção aos animais, daí me lembrei dessa história, que aconteceu quando eu andava pela Strand Street, em Londres.

Ano passado, nas minhas férias, fui passar uns dias em Paris e Londres. Nas duas cidades, uma coisa que me chamou muito a atenção foi a total ausência de animais soltos nas ruas. Mesmo com seus donos, vi pouquíssimos – a não ser com os mendigos de Paris, que sempre tinham um cachorro, gato ou coelho(!) consigo em seus tapetes nas ruas – mas isso eu conto depois.

100_5927

Aliás, ÚNICO gato que vi em Londres, morador da Greenwich University. Muito falante, ele tinha na coleira uma plaquinha: “Não me alimente. Se me encontrar, ligue para (telefone)”

Achei curioso, mas essa ausência era uma coisa que eu já esperava, posto que os europeus têm uma visão muito diferente da nossa quanto a animais de estimação. Lá, “estimação” tem o sentido literal da palavra – os bichos são tratados como membros da família, no que tange a cuidados e responsabilidades dos donos. São mais respeitados do que aqui, e quem não cuida bem deles recebe a devida “puxada de orelha” das autoridades.

Mas bem, à história: num dia chuvoso andando pelo centro de Londres, vi um homem com um colete azul e uma prancheta, tentando parar as pessoas na rua. Na hora percebi que ele devia estar pedindo doações ou algo assim, e me preparei para continuar meu caminho. No entanto, o sorridente moço loiro de dentes feios me parou. E o bordado no colete dele dizendo que ele era um voluntário da RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals – ou, Sociedade Real para Prevenção da Crueldade com Animais, que existe desde 1824) me manteve ali.

Muito educado e sempre sorrindo, o moço se identificou como Daniel e disse que era polonês, mas sempre morara em Londres, onde resolveu se juntar ao voluntariado pelos animais. Eu sempre ouço falar do trabalho da RSPCA (ah, tem no Facebook também) pelas notícias aqui no Brasil e achei bom ele me parar, no fim das contas, pois queria saber mais sobre o modus operandi deles. A única coisa que eu sabia, até então, era que eles faziam resgates, incentivavam a adoção e posse responsável e também campanhas educativas.

Eu disse a ele que era turista e perguntei onde estavam os animais da capital britânica, ao que ele, com uma expressão de “ahn?” me respondeu: “oras, você não vai ver nenhum, justamente porque o nosso trabalho é muito bem feito”. Eu sorri de volta, pensando que, além do trabalho bem feito, certamente a população lá colaborava. Daniel me contou que a RSPCA tinha algo como “núcleos” em vários lugares e muitos voluntários, que formavam uma rede com alta capacidade de mobilização. No entanto, até o ponto que eu sei, a entidade também tem um tipo de subsídio do governo, não sei exatamente qual nem quanto.

7_RSPCA

Uma das peças publicitárias da RSPCA, sobre um dos centros de adoção que possuem.

Contei a ele alguma coisa sobre os trabalhos feitos no Brasil e ele anotou alguns sites de ONGs que me vieram à memória na hora. Fiquei envergonhada de contar a ele que aqui ainda estamos anos luz atrás do tratamento dado aos bichos por lá e ele me animou: “é um trabalho cansativo e lento mesmo, mas tem que ser constante. As pessoas precisam ser educadas”, disse, sempre rindo.

Ainda conversei com Daniel mais um pouco, até a chuva apertar. Me diverti com a curiosidade dele a meu respeito: “Que cor diferente a sua pele tem!”, “Posso ver seu cabelo?”, “Como você é bonita! As mulheres no Brasil se parecem com você?” e até um inusitado “oh, você cheira a chocolate!” (oi?). Óbvio que Daniel, além de ter um sério problema de vista por ver tudo isso, também queria alguma coisa a mais, mas isso eu não tive curiosidade de saber. Com a fria chuva londrina na cabeça, me apressei em correr para o metrô mais próximo. Só lamentei não ter tirado uma foto daquele personagem curioso – souvenir de viagem assim ainda não conheci quem tivesse.

Anúncios

Ações

Information

2 responses

14 01 2013
Uma história de viagem: “Que dó, ela está sozinha!” « Janaina Rochido, jornalista

[…] lembrei-me de mais uma história, que não é fofa como a dos mendigos ou interessante como a do polonês da RSPCA, mas é […]

27 02 2012
Érico San Juan

Lega começar a segunda-feira com mais uma postagem sua, Janaina. Muito obrigado! Bjs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: