Animais, animais!

20 02 2012

Ok, admito que esse é um dos trocadilhos mais infames de que se tem notícia, mas a causa é nobre. Estou falando das recentes conquistas dos protetores de animais Brasil a fora no que tange à leis e protestos contra a crueldade que pipoca dia após dia na mídia: cães arrastados pelos próprios donos, gatos mortos para servirem de ingredientes em rituais de gosto (e eficácia) duvidoso, cavalos e afins atados à carroças até morrerem de exaustão sob o jugo do chicote, pássaros contrabandeados das formas mais incríveis possíveis e onças mortas em safaris clandestinos em fazendas do interior (nunca tive coragem de assistir aos vídeos).

Manifestantes tomam a avenida Paulista, em São Paulo, em 22 de janeiro (foto: Estadão)

Manifestantes tomam a avenida Paulista, em São Paulo, em 22 de janeiro (foto: Estadão)

Nos dois últimos exemplos que citei, ainda temos a vantagem da mídia pegar pesado e de haver leis que protegem os animais selvagens e em extinção. Mas cães e gatos continuavam desprotegidos, padecendo nas ruas ou dentro de suas próprias casas – não vou nem falar dos animais que sofrem em rodeios, laboratórios, carroças e circos (odeio, sério), senão esse post não acaba. Mas sigo sem entender o que leva alguém a maltratar um bicho que não pode se defender e (infelizmente) depende do ser humano para comer e se abrigar. Não sei que prazer doentio é esse.

Fiquei feliz em ver que, de meados do ano passado para cá, mais e mais movimentos pela defesa dos animais se expuseram, mais e mais pessoas se organizam para tirá-los das ruas e promover feiras de adoção. Numa das ações que alcançou maior visibilidade, estão as passeatas realizadas em todo Brasil no mesmo dia, 22 de janeiro. Organizadas por adeptos do movimento Crueldade nunca mais!, milhares de pessoas tomaram as ruas pedindo punição mais severa para quem comente crimes contra animais.

Projetos de lei também têm aparecido, nas três esferas da administração pública. No mais novo deles, há alguns dias, o deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP) propôs aumentar de detenção de três meses a um ano para reclusão de um a cinco anos para quem abusar, maltratar, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Aqui em Belo Horizonte, é o deputado estadual Fred Costa (PHS-MG) que têm levado adiante iniciativas desse tipo.

Acho que as redes sociais ajudaram e muito nessa visibilidade – ainda que todo mundo que clique em “Eu vou” em um evento não compareça, o simples ato de compartilhar já lança mais sementes de cada ação. Cada retweet tem 50% de chances de despertar a curiosidade de alguém e angariar mais um membro para as mobilizações. Fato é que depende de nós o sucesso de cada empreitada dessas.

É muito difícil, eu sei. Eu mesma faço um mea culpa e admito que ajudo menos do que gostaria. Confesso que em parte é por puro medo dos horrores que terei que ver para realmente abraçar a causa… meu coração é mole, sofro mais que o bicho que eu teria que ser forte para ajudar. Assim, aqui, de trás da minha covardia, tento ajudar de outras formas, seja por doações ou divulgando ações de proteção e feiras de adoção.

"Curti isso!"

“Curti isso!”

Sinto que aos poucos as coisas vão melhorando. Quando vejo meu filho de sete anos argumentando com os amigos que “gato preto não dá azar, ele é bonzinho como todos os outros”, se indignando e repreendendo outras crianças que jogam pedras em cães e gatos, ou se propondo a abrigar um animal sem dono, sei que a educação tem um papel fundamental nisso e que as crianças são o melhor caminho para mudar o cenário daqui pra frente.

Faça a sua parte, desde já: não maltrate e não deixe ninguém maltratar – não gosta de bicho? Ok, você não é obrigado, simplesmente deixe-o quieto; ensine as crianças que animais não são brinquedos e sentem dor e medo como eles; divulgue iniciativas de proteção e adoção – basta clicar em “Compartilhar” ou “Retweet”, você nem precisa ler.

É simples, não? Experimente e você vai ver!

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5 responses

27 02 2012
Uma história de Londres: o polonês defensor dos animais « Janaina Rochido, jornalista

[…] passada escrevi sobre as iniciativas para promover o respeito e a proteção aos animais, daí me lembrei dessa história, que aconteceu quando eu andava pela Strand Street, em […]

20 02 2012
Aliz de Castro

As pessoas não entendem que quanto mais demoram para respeitar os animais, assim como qualquer ser vivo, mais longe estão da evolução. Gostei muito do seu post. Parabéns!

20 02 2012
Janaina Rochido

Oi, Aliz – bem vinda e muito obrigada pelo comentário! Também acredito que só seremos realmente desenvolvidos quando aprendermos que toda forma de vida merece respeito. Vamos torcer para que este dia não demore!

20 02 2012
Érico San Juan

Janaina, divulguei o link do seu texto nas redes sociais. Bjs.

20 02 2012
Janaina Rochido

Valeu, Érico, muito obrigada!

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