Vossa Alteza, Londres

9 01 2012

Escolhi esse título porque é bem por aí mesmo: Londres, o centro da realeza britânica, é uma cidade imponente, sisuda, que te lembra a todo momento o quanto os ingleses prezam suas raízes, tradições e – é claro – sua família real. Mas não se deixe enganar: por baixo de toda realeza existe uma Londres de gente que cultiva jardins em suas casas e de pessoas que ficam nas praças, vendo a vida passar ou ganhando uns trocados para levar a vida.

De comum com Paris (da qual falei aqui), há o fato de que eu tive que abrir mão de algumas visitas importantes, como a London Eye, o British Museum e a London Tower por falta de tempo também. E aqui vai uma recomendação que eu faço de novo: ANDE A PÉ. So, please, walk with me!

[Ah, sim: veja todas as fotos deste post e muitas, muitas outras, em tamanho grande, nesse álbum do Picasa]

Só para os corajosos: olhar o mar sem fim por 1h30, de dentro do ferry boat

Conhecer Londres era um sonho de adolescente, da época em que comecei a gostar de pop e rock britânicos. Queria ir lá para estar mais perto dos meus ídolos, para comprar CDs e memorabilia. Bom, o tempo passou e isso ficou na gaveta, junto com todas as desculpas que eu tinha para não conhecer a Europa. Assim, quando embarcamos rumo ao porto de Calais, no norte da França, para tomarmos o ferry boat que nos levaria à Inglaterra, eu não sabia mais se iria atrás das bandas que eu gostava, mas tinha uma boa lista de lugares e coisas que eu queria ver.

Depois de uma hora e meia de ferry (onde estava o maior free shop que eu já vi – e o melhor, numa relação custo/benefício) e outras quatro de ônibus, chegamos a Londres. Era fim de tarde e já começava a escurecer. Ah, sim: faz MUITO FRIO em Londres no começo de novembro, anote aí. Recomendo levar na mala uma boa meia calça de lã, luvas, cachecóis e muitos pares de meia para dar conta de caminhar sem sentir seus dedos congelarem. Admito que isso ofuscou um pouco a graça da cidade para  mim, pois, além d’eu sentir frio além do normal, era difícil me animar com o tempo sempre fechado e chuvoso. O Sol, esse troll danado, só deu as caras nas minhas últimas horas na cidade.

PRIMEIRA NOITE: PUB!

Detalhe do The Horniman at Hay’s

Não dá para ir à Londres sem ir a um pub e esse era o passeio programado para a primeira noite na cidade. Depois de deixarmos as malas no hotel – o Premier Inn, em Greenwich: quarto delicioso, café da manhã farto e diária baratinha, vale a pena! – o ônibus da agência levou a todos para um rápido city tour pela noite londrina. Tiramos algumas fotos às margens do rio Tâmisa, perto do Big Ben, e então fomos para o The Horniman at Hay’s, que fica próximo à London Bridge e é parte de uma, digamos, “rede” de pubs, sobre a qual você pode saber mais aqui.

Fish & chips!

Confesso que eu não tinha ideia de como funcionava um pub, mas então me contaram que é o seguinte: você chega, escolhe uma mesa e então vai ao balcão, paga e faz o seu pedido, informando o número da mesa – aí um garçom vai lá e te serve. Ah, bom! Cheia de fome e curiosidade, fui lá e pedi meu fish & chips, o popular peixe com batatas. Apesar da propaganda negativa que me fizeram, o prato é bem bom: um grande filé de peixe sem espinhos [e sem sal] frito à milanesa, batatas fritas macias e quentes e dois tipos de molho. Fora o grande copo de cerveja, dentre as tantas que havia no lugar. Engraçado que, em Londres, não há um “dia oficial da cerveja”, como aqui: em pleno domingo, o pub estava completamente cheio.

COMEÇANDO

Praça em Londres: se o espaço é público, é do povo

O primeiro dia em Londres começou com o city tour oficial, aquele incluído na viagem. Em meio a muito frio, fomos para a margem do Tâmisa novamente e, depois de algumas fotos na região, seguimos para rodar a cidade. Fiquei impressionada em como as pessoas realmente ocupam os espaços públicos – sempre tem alguém sentado nas escadarias e nas praças, a população sabe que aquilo pertence à ela. Quando estive lá, havia dois, digamos, “acampamentos-protesto” em andamento: um, perto do Parlamento, pedia a retirada imediata dos soldados britânicos das guerras mundo afora; o outro, em frente à Catedral de Saint Paul, era da mesma cepa do Occupy Wall Street.

Albert Memorial, em Kensington Gardens: grandeza que impressiona

Como eu disse, a imponência de Londres me impressionou bastante. A toda hora, é preciso torcer o pescoço e olhar bem para o alto para ver por completo um monumento ou prédio. A todo momento, a arquitetura inglesa te lembra que seus heróis, crenças e ídolos nunca são esquecidos. E isso é lindíssimo. O nosso city tour terminou por volta da hora do almoço em frente ao Palácio de Buckingham, onde consegui – apesar da multidão – ver a cerimônia da troca da guarda real. Demos sorte, pois, apesar de ter uma periodicidade, não é sempre que ela acontece.

Devo te avisar que a cerimônia toda é longa e maçante, a não ser que você conheça a simbologia de cada coisa ali. Como eu não conhecia e queria começar logo minha caminhada, saí dali para atravessar o Green Park em busca da minha primeira missão: descarregar o cartão de memória da câmera. Para isso me indicaram a Boots, uma daquelas grandes farmácias onde você encontra de tudo um pouco – memorize onde tem uma para emergências. Nas maiores unidades – como a que eu fui, na Piccadilly – eles têm serviços de fotografia e venda de cartões para celulares e transporte público. Ajudou bastante.

Então – voltando ao esquema dos tópicos, vou tentar falar dos highlights de Londres:

COMPRAS

Desculpe dizer, mas, ao contrário de Paris, Londres é SIM uma cidade cara. Isso é culpa da moeda deles, a Libra Esterlina (£), que é mais cara que o Euro (aqui no Brasil, quando troquei meu dinheiro, em outubro de 2011, cada libra custava R$3,10). Isso me confundiu, especialmente quando eu precisava usar o VTM, que estava carregado em Euros. Ainda assim, não me furtei a fazer nada do que planejei –  e mantive minha determinação em não comer em fast food, rs.

Lojinhas na Oxford Street

– A Oxford Street concentra uma enorme variedade de lojas. Tem para todos os gostos: baratinhas, super caras, de souvenires, de roupas, de sapatos. Se você chegar a ela saindo pelo Speakers Corner do Hyde Park, já verá várias lojas para comprar lembrancinhas. Aproveite, tem muita variedade;

– Por falar em lembranças de Londres, é praticamente obrigatório trazer chá. As latas são uma graça: grandes, pequenas, redondas, quadradas, com estampas do metrô, do Big Ben, dos táxis, dos ônibus, do casamento de William e Kate… e ainda tem aquelas com estampas exclusivas, dependendo de onde você comprar (dentro de museus ou atrações, por exemplo). Mas não deixe de trazer pelo menos uma – elas custam entre £3 e £8. Ah, sim: o chá deles é bem diferente do nosso, viu? Parece com chá preto, é bem forte, e o comum lá é tomá-lo com um pouco de leite;

A famosa cabine

– Outra coisa bem legal de trazer são miniaturas dos símbolos que traduzem Londres: a cabine telefônica vermelha e a caixa de correio – esses são os mais originais, na minha opinião. Porque né, o Big Ben até aqui no Brasil você encontra;

– O metrô, ou Underground de Londres por si só também é uma atração turística. Tanto que ele tem uma grife própria, que tem desde mousepads e latas de chá até camisetas e agasalhos muito legais. O problema é que são bem caros: uma camiseta custa em torno de £20. Mas olha, vale a pena ter pelo menos uma peça dessas de recordação;

Muito mais que um meio de transporte

Muito mais que um meio de transporte

– Se você precisar de roupas, uma opção com bom custo/benefício é a Primark, que também está na Oxford Street. Ela é como uma C&A de Londres e você encontra casacos quentes e bonitinhos por cerca de £29. É uma boa dica para o caso de você precisar de mais meias… porque você vai precisar;

– Aqueles que quiserem comprar tênis ou camisas de clubes europeus com preços bem abaixo dos nossos podem ir à Lillywhites, loja de artigos esportivos que fica na Regent Street. Eu não cheguei a ir lá, mas pessoas que estavam no mesmo hotel que eu voltaram maravilhadas com pares de Nike e Adidas por até 40% do valor que pagamos aqui no Brasil;

Vitrine da Primark

– Para demais lembrancinhas, vale o que eu falei sobre Paris: deixe para comprar dentro de museus, igrejas e outras atrações somente o que for exclusivo, porque todo o resto você acha em outras lojas com preços mais baixos. Também vale a sugestão dos marcadores de livros e lápis – os da National Gallery, por exemplo, são lindos.

ONDE IR

Na minha opinião, Londres não tem tantos detalhes escondidos quanto Paris – é que eles são explícitos mesmo, rs. Vale a pena caminhar com calma (leve um guarda-chuva, porque lá a chuva aparece assim, sem mais nem menos) e reparar em como a maioria das esculturas, monumentos e arquitetura remetem à monarquia. Para orientar minhas caminhadas, eu comprei um guia que se chama “Londres a Pé”, da editora Martins Fontes, que tem uns 20 roteiros de caminhada muito bem detalhados pela capital britânica, além de um bom mapa.

The Diana Princess of Wales Memorial Walk

– Mesmo com todo aquele frio do outono, os parques londrinos estavam lindos, com todas aquelas folhas avermelhadas fazendo um grande tapete, por onde correm esquilinhos (muitas vezes fugindo dos cachorros, coitados). Londres é cheia de parques, grandes e pequenos, mas os que eu consegui ir foram o Green Park, o Hyde Park e o Greenwich Park, esse, mais afastado. O Green Park é mais simples, mas o Hyde Park… ah, tem que ir. É uma delícia sentar-se num banco com um lanche e ficar observando pessoas de várias nacionalidades e sotaques passarem de patins e bicicleta. Não deixe de procurar, no chão, a placa em memória da princesa Diana (The Diana Princess of Wales Memorial Walk). Ali ao lado, com acesso por dentro do parque mesmo, estão os Kensington Gardens – que eu não fui, por pura falta de tempo mesmo;

– O, digamos, centro “real” de Londres está em Westminster, assim como o centro financeiro está em Canary Wharf. Uma caminhada por Westminster vai ter mostrar muitos prédios públicos e o Parlamento, onde está o Big Ben. Nessa área, repare nos leões, que enfeitam a London Bridge e são o símbolo da monarquia britânica;

“Batman” também faz aparições na Trafalgar Square

– Assim como Belo Horizonte tem seu centro “oficial” na Praça Sete, o de Londres fica na Trafalgar Square. É uma grande praça em frente à National Gallery, onde, assim como em BH, há pessoas matando o tempo, passeando, cortando caminho e fazendo seus números para ganhar alguns trocados. É nessa praça que está o relógio digital que faz a contagem regressiva para as olimpíadas deste ano. O mais impressionante lá, na minha opinião, são os monumentos à Lord Nelson (ou Horatio Nelson, em alguns lugares), um herói nacional da Inglaterra. A Coluna de Nelson é tão alta que mal cabe em uma foto sem se perderem os detalhes – para se ter uma ideia, os leões ao pé da coluna têm cerca de dois metros de altura e são ínfimos, se comparados à altura da coluna em si. Há também uma “miniatura” (de quatro toneladas) do navio de Nelson, dentro de uma garrafa, em outra coluna, que vale uma boa olhada dada a riqueza de detalhes;

Detalhe da National Gallery

– Por falar na Trafalgar Square, é nela que está a entrada para a famosa National Gallery, um dos maiores museus britâncos. E é grande mesmo! O acervo abrange obras de arte de diveros artistas, desde o século XIII até os dias de hoje. Mestres como Van Gogh, Rembrandt, Leonardo da Vinci e Michelângelo descansam nas paredes das dezenas de galerias. Uma dica: reserve um dia todo, pelo menos, se quiser tentar ver tudo (com atenção) num dia só. Eu, com parcas duas horas, não consegui fazer mais do que quatro das mais de 60 salas…

Fleet Street

– Saindo da Trafalgar Square, está a Strand Street. Se você for por ela, já fará outro tour muito bacana. Vale a pena parar para ver toda a beleza da Charing Cross Station e da Sommerset House, logo no início dessa rua. Mais um pouco à frente, está a Fleet Street, antigo centro da imprensa em Londres – para mim, que sou jornalista, foi bem interessante saber que quando os ingleses mais velhos dizem que “a Fleet Street mentiu” estão dizendo que a imprensa errou;

Detalhe: domo da Catedral de Saint Paul a noite

– Um pouco à frente da Fleet Street, está a lindíssima Catedral de Saint Paul, com seu domo que se destaca na vista da cidade. Quando eu estive lá, diseram que ela estaria fechada, pois um acampamento de manifestantes estava bem em frente, na praça. Ainda assim, arrisquei e não me arrependi – a catedral estava aberta e, apesar da escuridão, pude ver muita coisa da obra do arquiteto setecentista Sir Christopher Wren – figura interessantíssima responsável pela reconstrução de mais de 50 igrejas depois do incêndio que destruiu Londres em 1666. Ainda, assisti ao Choral Evensong, a missa das 17h onde o coral de meninos canta – é muito bonito, vale a parada;

Uma vista do trajeto do ônibus n.º 15 a noite. Ao fundo, o domo de Saint Paul

– Foi na Catedral de Saint Paul que eu peguei o famoso ônibus vermelho de dois andares, que também é uma atração turística da cidade. O de número 15 segue por toda a Strand Street, passa pela Fleet Street, Cannon Street e vai até a Torre de Londres, constando até no meu guia turístico. Me atrapalhei um pouco nessa parte também, ao pagar o ônibus, porque lá o comum é as pessoas terem o Oyster Card, que serve para os ônibus, metrôs e trens. Como eu ia ficar só três dias na cidade, para mim não compensava comprar. Assim, eu teria que comprar o ticket num dos totens para isso – mas, quem disse que encontrei um nos arredores da catedral? Assim, resolvi pagar as £2,20 em espécie e quase fui xingada pelo motorista, que há muito tempo não deve ver ninguém pagando um ônibus em dinheiro, muito menos sem pegar o comprovante…

– Ainda na questão igrejas, ao lado da Torre de Londres está a All Hallows by the Tower, considerada a igreja mais antiga de Londres. Ela está no mesmo lugar desde 675! Eu infelizmente cheguei tarde para entrar, mas descobri que no site dela é possível fazer um bom tour virtual;

Corredor dentro da Abadia de Westminster: aqui é possível “roubar” uma foto

– A mais linda e melhor de todas as igrejas eu deixei por último: a Abadia de Westminster. Aconteça o que acontecer, NÃO DEIXE DE IR LÁ. Sei que sou suspeita, pois adoro igrejas antigas, mas a abadia é algo fora do comum: seja pelos 46 metros de altura no ponto mais alto da nave, seja pelos túmulos (perfeitamente preservados) dos reis que governaram a Inglaterra no século XIII, seja pelas centenas de esculturas homenageando os enterrados lá (inclusive o túmulo de Isaac Newton, citado no livro O Código da Vinci)… é de encher os olhos, você fica boquiaberto. Em todo o percurso da visita, não deixe de reparar o chão, coberto por sepulturas de todas as épocas – as mais novas que eu vi são dos anos 60 do século passado. Você vai andar bastante lá, então te recomendo reservar metade do seu dia só para isso – porque não é só a igreja, há as capelas, há os pátios, as salas, um museu e há todos os detalhes disso tudo que você precisa ver. Pegue um audioguia com os educadíssimos voluntários que cuidam da abadia e prepare-se para passar por muita história inglesa. Dica: infelizmente, não é permitido tirar fotos lá dentro, mas por £4 você compra livretos com detalhes dos vitrais ou da arquitetura da abadia;

Estátua de Marlon Brando

– Uma coisa que todos me disseram que não valia a pena visitar era o museu de cera Madame Tussauds. Ainda bem que não acreditei, porque foi divertidíssimo! Eu sempre quis conhecer um museu de cera e fiquei espantada com o realismo das figuras. Também me diverti fazendo – e vendo os outros fazerem – poses para fotos junto às estátuas, hahahaha! Mas sério: pelos £28 da entrada você visita não só umas figuras de cera, mas um centro de entretenimento: lá também tem um cinema 4D com um filme dos heróis da Marvel, uma série de atrações interativas e uma espécie de “trem-fantasma” onde, ao invés de sustos, você vê a história da Inglaterra com bonecos animados e narração em seis línguas. Ainda, uma super loja de souvenires e um café na saída. Não perca!

Baker Street Station

– Bem perto do Madame Tussauds, na Baker Street, está outra atração massa que eu não dei conta de ir: o Museu Sherlock Holmes, que, não sei se você sabe, é um detetive que nunca existiu, a não ser na imaginação de seu criador, Sir Arthur Conan Doyle. Quando voltei para o hotel, foi legal reparar nos azulejos da Baker Street Station, que são decorados com a famosa silhueta de Holmes. Bom, e se é para falar de atrações que eu não tive tempo de ir, vá também ao Ripley’s Believe it or Not!, o museu do inacreditável, na Piccadilly Circus;

Greenwich Park, perfeito para horas de sossego

– Voltando um pouco aos parques, lá em Greenwich, onde era meu hotel, fui ao Greenwich Park – o mais bonito e sossegado, na minha opinião. Estando nele, é impossível não visitar também o Old Royal Naval College, com seus dois prédios “gêmeos” que atualmente abrigam a Universidade de Greewich, o National Maritime Museum (onde há muitas informações sobre Lord Nelson e o uniforme conservado que ele usou quando morreu na Batalha de Trafalgar) e o Royal Observatory. Ah, sim: todas as entradas são gratuitas e fotos são permitidas, tá?

Detalhe da fachada do National Maritime Museum

– A marinha é o orgulho da Inglaterra, pioneira em vários aspectos nisso. Assim, no National Maritime Museum, além do Lord Nelson, você também vai encontrar exposições sobre a marinha mercante britânica e suas expedições, sobre a construção dos navios e pontes ao longo dos séculos no país, muitas maquetes e alguns barcos usados pela realeza inglesa, totalmente conservados. E, quando você achar que já viu o bastante, há um café com vista para o Greenwich Park e uma grande loja para você se distrair;

Relógio de sol de golfinhos: dei sorte do sol resolver aparecer…

– Subindo uma colina por dentro do Greenwich Park, você vai chegar ao Royal Observatory, que já foi o centro astronômico da Inglaterra, reunindo cientistas como Sir Edmond Halley, aquele que deu nome ao cometa. Há o observatório, onde não fui, e um museu, que concentra vários instrumentos de medição de tempo e de orientação, tais como bússolas, relógios, telescópios, lunetas e livros a respeito – alguns são bem curiosos, como o relógio de sol de golfinhos. Uma parte do museu tem entrada gratuita, mas, para ter acesso à área com o famoso Meridiano de Greenwich, você precisa pagar £8. Lá, você verá mais áreas do museu e poderá pisar na linha que antes marcava o meridiano zero – ah, essa área é bem cheia, não se espante se custar a conseguir uma foto só sua em cima da linha…

Greenwich Market, fundado no século XIX

– Se quiser ter um pouco de contato com os moradores da pacata área de Greenwich, vá ao Greenwich Market, ali perto. Há bancas e lojinhas de comida, produtos esotéricos, antiguidades, artesanato, camisetas e até massagem e terapias alternativas. Lá eu comprei um dos souvenires mais legais da viagem: um conjunto com 20 descansos de copos antigos de pubs ingleses. A dona da banca me explicou que, dentro de cada um dos cerca de 10 conjuntos que ela tinha, estavam 20 descansos diferentes – ou seja, se você comprasse todos os conjuntos, teria uns 200 descansos de copos diferentes!

COMER EM LONDRES

Servido? Tá bom pra você?

Tal qual em Paris, eu não posso dar lá tantas dicas de onde comer, pois mal parei para isso. O que eu fazia era tomar um SUPER café da manhã no hotel e lanchar de leve ao longo do dia. Aliás, o café da manhã merece uma caixa alta mesmo, porque é ainda mais bem servido do que o de Paris – bacon (que mais parecia um bife), ovos mexidos ou fritos, linguiças, salsichas, tomates, cogumelos (isso mesmo!), feijão (!!!), torradas, leite, sucos, creme, cereais, muffins, bolos, iogurte, frutas, croissants… tudo ali, à disposição. Assim, depois de comer muito bem de manhã, eu levava um iogurte e um muffin na bolsa e saía – bem tranquilo, não?

– Não dá pra ir à Londres e não provar o fish & chips, o tradicional peixe com batatas, do qual falei lá em cima. Qualquer pub tem e o preço fica entre £10 e £14. É uma refeição e tanto: um grande e macio filé de peixe sem espinhos, batatas fritas e dois molhos. Delícia!

– Já que falamos em pubs, se você bebe, experimente as cervejas também. Alguns pubs têm suas próprias variedades, vale a pena prestar atenção nisso e experimentar;

– A rede de fast food “saudável” Pret a Manger está em toda Londres e tem opções saudáveis e muito gostosas por precinhos bem camaradas. São saladas, sopas, barrinhas de cereais, iogurtes, bolos e biscoitos, tudo a base de frutas, legumes e cereais, que você compra e leva para comer onde quiser. Eu passava sempre por lá e gostava de comprar um pote de iogurte com granola, um suco e alguns daqueles deliciosos biscoitos de Natal em forma de boneco de neve… custavam uns £0,50 e eram uma boa para matar a fome a noite no hotel, junto com um chá;

Nham-nham (saudades)

– Também achei uma boa descobrir o Caffè Nero, onde há bolos deliciosos e cappuccinos gigantes. A rede está em toda Londres também, inclusive dentro do Madame Tussauds e do Aeroporto de Heathrow. Além disso, lá tem wi-fi de graça, bastando um cadastro para usar à vontade em qualquer loja deles. Isso me salvou quando precisei saber o saldo do meu VTM, ufa!

FIQUE ESPERTO

As dicas que eu poderia dar aqui são muito parecidas com as de Paris. Sabe como é, precaução é boa em qualquer parte do mundo, em qualquer língua. Mas vejamos algumas:

– A recomendação para não sair tirando câmeras e mapas à torto e a direito na rua vale para Londres também, até porque, lá dá para reparar mais ou menos quando tem alguém te “vigiando”. Inclusive, reparei que os turistas lá são bem mais discretos que em Paris… talvez porque Londres seja uma cidade mais discreta também;

Aproveite a consulta ao mapa para um café.

– O metrô de Londres, apesar de famoso, não é tão, digamos, “fácil”, como o de Paris. Eu, pelo menos, tive um pouco de dificuldade, especialmente quando eu precisava pegar o DLR (um trem que vai para regiões mais afastadas da cidade). Na verdade, é preciso ter atenção com o DLR: não é em todas as estações que você vai ver uma catraca para depositar seu ticket, mas é bom comprar um assim mesmo, por garantia;

– Não recomendo andar sozinho(a) a noite em Londres. Fora do centro a cidade fica bem vazia e tem muitos lugares escuros. Confesso que fiquei meio apreensiva quando voltei um pouco mais tarde em um dos dias…

– Parece idiota, mas nunca é demais lembrar: na Inglaterra existe a mão inglesa no trânsito, ou seja, é tudo invertido com relação ao que nós estamos acostumados. Na maioria das ruas há avisos no chão indicando para onde você deve olhar antes de atravessar e te aconselho a prestar atenção, porque não é fácil lembrar disso o tempo todo. Na dúvida, atravesse nas faixas de pedestre e somente com o sinal verde para você.

Muito bem, é isso. Espero ter te ajudado a saber um pouco mais sobre Londres dividindo minhas impressões da cidade. A melhor dica, no entanto, é ir até lá e descobrir a cidade ao seu modo – é inesquecível. 🙂


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Information

8 responses

23 10 2013
“Eu sou Amsterdam”* | Janaina Rochido, jornalista

[…] assim como eu fiz nos meus textos de dois anos atrás sobre Paris e Londres, repito: ande a pé. A cidade é pequena, linda, limpa, plana e totalmente segura – e, de quebra, […]

14 01 2013
Uma história de viagem: “Que dó, ela está sozinha!” « Janaina Rochido, jornalista

[…] tantas, uma senhora de uns 45 ou 50 anos e carregada de sacolas de grife no ferry que nos levou à Inglaterra me tirou do sério. Quando eu disse que estava sozinha, ela me olhou com pena, sorriu e disse […]

31 12 2012
Os números de 2012 – o ano do engajamento « Janaina Rochido, jornalista

[…] destino europeu, ao invés da Grécia. Por falar nisso, os posts sobre minhas viagens para Paris e Londres, assim como as minhas impressões pré-viagem, continuam muito bem também, […]

27 02 2012
Uma história de Londres: o polonês defensor dos animais « Janaina Rochido, jornalista

[…] Semana passada escrevi sobre as iniciativas para promover o respeito e a proteção aos animais, daí me lembrei dessa história, que aconteceu quando eu andava pela Strand Street, em Londres. […]

9 01 2012
Érico San Juan

Acho legal no seu texto – e na viagem – o exercício da fuga dos lugares-comuns. E um certo humor, meio sutil, permeando as passagens – humor inglês?

20 01 2012
Janaina Rochido

Humor inglês – adoro! Se um dia eu conseguir fazer um humor assim, darei-me por (muito) feliz, rs – obrigada pela visita e pelo comentário!

9 01 2012
@alexandregreis

Legal Janaina, adorei!
Estou me preparando para um tour na europa… espero que seja em no máximo 2 anos, pretendo fotografar tudo!
Pra mim deverá ser mais fácil pois tenho dois irmãos na Europa, mas em Londres não conheço ninguem!

20 01 2012
Janaina Rochido

Grande Alle Reis! Obrigada pela visita! Se tiver oportunidade, vá mesmo – vale muito e pena, é uma experiência incrível e deliciosa. Eu mesmo mal posso esperar para voltar. =D

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