Ir a Paris e Londres: isso dá pra fazer!

29 12 2011

[contrariando as regras de um bom post para blog, este ficou bem grande: mas acredite, vale a pena ler até o final]

Esse ano, nas minhas férias, me dei um presente e tanto: fui passar oito dias em Paris e Londres. Foi algo totalmente inesperado até para mim, do começo ao fim – a experiência de alguém como eu, que nunca saiu do país, não tem grana sobrando e viajou sozinha merece mesmo um post. Aliás, três, porque nesse eu falo só da preparação e nos próximos dois vou contar da estadia em Paris e em Londres, propriamente. E vou te falar: valeu cada minuto e cada real investido, foi um aprendizado maravilhoso!

Apesar de sonhar em conhecer Londres desde a adolescência e pensar em Paris desde que retomei as aulas de francês esse ano, a Europa aparecia lá embaixo das minhas possibilidades, como algo quase inalcançável. “Ah, é caro… é longe… é burocrático… tudo que tem lá eu estou cansada de ver na TV e na web… não tenho ninguém para ir comigo…” eram algumas das justificativas que eu tinha prontas para desanimar a mim mesma.

Mas eis que, numa “virada de mesa” (Meia-Noite em Paris, do Woody Allen, também ajudou MUITO nisso), um dia eu estava dando uma olhada na minha caixa de spam e me deparo com uma promoção de uma agência de turismo. A promoção anunciava oito dias em Paris e Londres, com passagens, traslados e hospedagem por um preço que cabia no meu bolso (porque era baixa temporada, mas isso não foi problema). Na mesma hora tive um estalo: sim, eu posso! Porque não? Como era uma agência conhecida, pela qual já tinha viajado, fui lá no dia seguinte, munida dos anúncios e de mil perguntas.

Até aqui, minha ficha ainda não tinha caído =)

Fiquei sim com um certo medo. Afinal, nunca tinha saído do país, era (e ainda sou) completamente tapada para trâmites burocráticos, meu francês ainda era pouco (inglês eu já falo, mas na França não ajuda muito) e, ainda por cima, teria que ir sozinha, pois, sem namorado, sem ficante que valesse o convite, e sem amigos ou família dispostos a investir nisso na mesma época, não me restava escolha. Então, depois de muito conversar com a agente, assinei a papelada e voilà: embarcaria em 2 de novembro rumo à capital francesa e, depois, Londres, via Canal da Mancha.

Aqui eu já te recomendo abandonar um preconceito, o de viajar para esses lugares por agência. O que é que tem? Legal se você gosta de se aventurar num mochilão, conhece gente lá fora e faz tudo por sua conta, conseguindo tarifas mais baratas, dormindo em albergues e etc. Mas, para pessoas como eu, leigas e sozinhas, foi bem mais confortável já saber de antemão onde eu ficaria, com quem eu estaria e o que esperar de cada serviço. Fora a comodidade de parcelar tudo, porque né… é um investimento grande que você não faz assim, toda hora.

Moleskine, meu bom amigo e confidente de viagem!

Outra coisa, essa um preconceito meu mesmo: eu sempre achei que ficaria chateada em viajar sozinha, sem ter com quem conversar e trocar impressões. Num primeiro momento, bateu sim uma certa tristeza, mas depois percebi que isso podia ser uma vantagem, posto que eu tinha liberdade total para preparar meus roteiros e segui-los (ou não) como bem entendesse, por quanto tempo quisesse. E, para aplacar a vontade de contar as minhas impressões, fiz um diário de viagem num Moleskine que carregava comigo para todo lugar (pois é, não tenho laptop).

Tem muitas outras coisas que eu acho importante que você, que pensa em ir para esses lugares mas é leigo e “medroso” como eu, saiba – assim, as organizei em tópicos aí embaixo, ó:

INDO PELA AGÊNCIA

– Como eu disse, não tem nada demais em viajar via agência de turismo (o único “porém” é que, viajando sozinha, sai um pouco mais caro). Mas escolha uma conhecida, guarde todos os anúncios e e-mails trocados e faça todas – eu disse TODAS – as perguntas que te vierem à cabeça, até as que você considera estúpidas. Não tem coisa pior do que estar num local totalmente estranho e cheio de dúvidas;

– Ainda sobre viajar pela agência: a maioria inclui no pacote um city tour – aproveite-o! Além de já estar pago mesmo, ele vai te dar um panorama da cidade, o que te ajuda muito a “sentir” o lugar e a se orientar por sua conta depois. Fora que os guias podem te dar muitas informações úteis e dicas. Atenção: mas não confie muito nas indicações de lugares para compras, pois normalmente eles passam os mais famosos, e não os mais baratos;

– Por precaução, uns dois ou três dias antes de viajar, procure a agência e confirme os nomes e endereços dos hotéis em que você vai ficar, assim como horários de vôos, traslados e passeios que serão oferecidos.

INFORME-SE

– Converse com pessoas que já foram para onde você vai, se informe sobre o clima que você vai achar por lá e sobre o que vestir. As roupas para o frio, por exemplo, vale a pena pegar emprestado com um amigo, pois são casacos, luvas e botas que você raramente vai usar aqui no Brasil. Prefira levar tênis e sapatos sem saltos (porque o melhor nessas cidades é andar à pé), além de peças que não precisem ser passadas;

Atenção, crianças: não tentem suprir a falta de um adaptador com gambiarras

– Pesquise tudo sobre o país para onde você vai, leia todos os guias de viagem que puder, veja fotos e prepare seus roteiros com antecedência, anotando tudo que for possível. É claro que, quando você chegar ao lugar, tudo pode mudar radicalmente, mas isso vai te dar uma noção para você aproveitar melhor sua visita. Atenção: se informe sobre a voltagem dos lugares, mas deixe para comprar adaptadores lá – é mais barato e não tem como comprar errado;

– Me disseram para comprar ingressos para certas atrações com bastante antecedência, aqui do Brasil mesmo, para pagar um preço menor e para evitar que esgotassem – francamente, não é tão necessário assim: consegui comprar entradas para todos os lugares que quis visitar no próprio país, sem problemas e sem ônus. É claro que, se você for na alta temporada (na Europa é o verão, entre julho e setembro), for com um grupo ou se quiser ir a um show em específico, a dica vale.

PASSAPORTE E VACINAS

– Obviamente, você vai precisar de um passaporte. Providencie-o o quanto antes, porque o processo todo pode demorar um pouco e a agência vai precisar dos dados dele para emitir sua passagem. É fácil – tudo é feito pela internet, via site da Polícia Federal e com pagamento em banco via boleto. Aqui em BH, fiz um agendamento num posto de atendimento da PF na Praça Sete e foi tranquilo. Atenção: uma vez lá fora, não saia sem o passaporte – lá ele é sua única identificação válida;

– Dependendo do lugar que você vai visitar, você precisa de vacinas específicas. Para Paris e Londres não precisava, mas a agência não me falou. Na verdade, é bom se você já tiver tomado a vacina contra sarampo e você vai precisar levar seu cartão de vacinação à Vigilância Sanitária – VISA da mesma forma. Ah, em Belo Horizonte, a VISA não é mais na avenida Getúlio Vargas, ok? É na Secretaria Municipal de Saúde, na avenida Afonso Pena quase esquina com rua Rio Grande do Norte, e lá eles te passarão todas as informações que você precisa.

DINHEIRO

– Falando em dinheiro, você vai ter que trocar o seu numa casa de câmbio (peça uma indicação da agência, é mais seguro). Também é fácil, mas prefira levar o dinheiro em espécie, é menos burocrático para fazer a operação. O mais recomendado é você levar na viagem um VTM (Visa TravelMoneyum cartão de débito para uso no exterior) e algum dinheiro em espécie. Eu fiz o seguinte (e deu muito certo): metade do que eu separei para levar na viagem foi carregado no VTM, e a outra metade dividida entre Euros e Libras em espécie. Atenção: a Inglaterra não pertence à Zona do Euro, então nem pense em levar Euros para lá, porque não são aceitos em lugar nenhum;

– Carregar dinheiro com segurança era uma coisa que me preocupava. Então, segui a dica de uma conhecida que sempre vai para o exterior e comprei o tal do porta-dólares, que é feio pacas mas resolve, posto que anda dentro da sua roupa. Ali eu colocava uma quantidade de dinheiro e o passaporte – na bolsa eu colocava uma quantidade menor, em espécie, e o cartão. Se quiser guardar dinheiro no hotel, pergunte pelo cofre e como usá-lo.

PREPARE-SE

– Dá para usar seu celular e seu cartão de crédito no exterior, mas confirme com sua operadora e seu banco se você precisa habilitar alguma coisa para isso, além das taxas cobradas (aqui tem algumas boas informações sobre tarifas para usar celular no exterior). A noob aqui não olhou e acabou ilhada, sem celular, dependendo de internet em cafés e lan-houses e sem poder usar o cartão de crédito na Europa;

Acredite, ajuda muito ler isso ANTES de ir

– Falar a língua do país para onde você está indo faz TODA a diferença, é impressionante como as portas se abrem para você com muito mais facilidade. Mas, se você não fala nem inglês, procure ao menos saber as expressões mais básicas de cada lugar, afinal, uma cara boa e “bom dia / boa tarde / boa noite”, “por favor”, “com licença” e “desculpe” (no mínimo) são bem-vindos em todo o mundo;

– Separe uma mochila com uma muda de roupa, uma toalhinha, escova de dentes, escova de cabelo, barrinhas de cereal, garrafinha, umas aspirinas e pelo menos um guia de viagem (é que eu levei uns quatro diferentes) para o caso de um incidente (aconteceu comigo, contarei no post sobre Paris) e leve-a sempre consigo. Atenção: é meio complicado comprar remédios na Europa, então, leve os seus consigo na bagagem de mão;

– Aliás, vai levar câmera DSLR, laptop, ou qualquer aparelho eletrônico mais, digamos, chamativo? Ache a nota fiscal e leve-a junto, para você não passar aperto se pedirem. Senão, coloque-os na mala que será despachada. Atenção: lacre as malas com cadeados, lacres e/ou embale-as em plástico no aeroporto mesmo e verifique se ela foi mexida assim que pegá-la de volta no seu destino;

Tenha tudo isso em mãos ao embarcar e desembarcar

– O embarque internacional pede uma antecedência de duas horas e não é à toa: você vai fazer seu check-in e depois vai passar pelo raio-x e pela alfândega, e isso leva tempo. É importante lembrar que, em vôos internacionais, é proibido levar qualquer coisa líquida com mais de 100ml, ou seja, garrafinhas d’água, desodorantes, shampoos e hidratantes ficarão por aqui. Ah, e cuidado com as free-shops dos aeroportos: nem sempre os preços são realmente vantajosos.

Bem, isso é o que eu lembrei até agora. Faço uns updates se lembrar de mais alguma coisa interessante. E em breve… Paris e Londres por uma noob que curte andar à pé e conversar com gente na rua. 😉

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8 responses

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29 12 2011
Isa

Olá, Janaina! Tudo bom?

Descobri seu blog pelo Érico 🙂

Também penso em viajar para a Europa! Até tenho companhia, mas é bom se preparar para ir sozinha. Sinto o mesmo que você em relação à insegurança de estar sem ninguém em países desconhecidos. Mas que bom que tem solução pra isso também 🙂

Muito boas as dicas, gostei bastante!

Até a próxima!
Abraços!

29 12 2011
lucaspinduca

Eu mal posso esperar pelas próximas dicas! =]

29 12 2011
ericosanjuan

Por isso que dá gosto ler blog de jornalista. Uma descrição de viagem vira uma reportagem! Não me importo com postagens longas. Aguardo as próximas. Bj.

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