Quem tem medo do Rio de Janeiro?

5 06 2011

Quando soube que cobriria um evento em um hotel no Centro do Rio de Janeiro, minha primeira reação foi pensar em como me proteger da propalada violência urbana da capital carioca. Antes disso, eu só tinha ido ao Rio duas vezes, sempre fora do centro e sempre de carro, indo só aos lugares para turistas, digamos (mas não conheço o Cristo Redentor até hoje) – e como lá o bicho já pegava, achava que no Centro a coisa seria pior.

Mas chegou o dia da viagem, desembarquei no aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, e percebi que estava com um preconceito dessa área da cidade porque estava pensando no caos em que a minha Belo Horizonte se tornou. Aliás, a área central do Rio me lembrou bastante o centro de BH (a exceção é que, se em BH o centro ferve no fim de semana, no Rio ele fica deserto): muita gente apressada, engarrafamentos, sujeira nas ruas, calçadas esburacadas e muitas lojas, lanchonetes e bancos. Sei que só citei aspectos negativos, mas ó, centro de metrópole é isso aí: feio.

Toda vez que viajo para algum lugar, seja a trabalho ou a lazer, tento andar a pé o máximo possível. Além de eu gostar de andar, isso me dá a oportunidade de sentir o clima da cidade, sentir até onde posso ir, ver gente e me misturar com elas, sem aquela etiqueta de “turista” na testa. Podendo, gosto de andar devagar e olhando tudo, reparando nos detalhes, escutando as conversas – e foi isso que fiz nos meus dois primeiros dias no Rio. Coloquei toda a parafernália tecnológica para trabalhar numa mochila super comum, óculos de grau e saí com as mãos no bolso.

Os contrastes no centro do Rio de Janeiro são para se observar por horas, olhando cada detalhe e pensando na história dele. Achei interessantíssimas as esquinas das ruas centenárias com a ampla avenida Rio Branco, essas mesmas ruas nas quais antes circulavam charretes e hoje há lojas que exibem suas promoções nas vitrines em telas de LCD. A própria Confeitaria Colombo, que eu tinha muita vontade de conhecer (e comer o maior número de doces possíveis, lógico) me provou isso. No caixa, atrás do antigo balcão, tudo é feito no computador; nas mesas, vários clientes com laptops e smartphones.

Voltando do primeiro dia de trabalho pela Rua da Carioca (a rua dos instrumentos musicais), notei que em alguns lugares o centro da Cidade Maravilhosa só é bonito do segundo andar em diante – no térreo, muito lixo nas ruas e calçadas completamente intransitáveis. Mas olhar para o alto e ver as enormes janelas dos casarões do século passado compensam o esforço. A vontade é sacar a câmera e gastar um bom tempo registrando cada detalhe de cada entalhe que a luz dos postes deixa passar a noite [as poucas – mas queridas – fotos que fiz estão no meu Flickr].

Esse carioca simples que me atendeu nos hotéis, lojas e restaurantes é bem bacana e pura simpatia e educação (claro que pode ser um mimo só para turistas, mas bem, funciona). Ainda não vi por aqui o carioca caricatural do “mermão”, “voshêis”, “caraca, maluco!” e “mengão”. E, acreditem ou não, ainda não ouvi funk em lugar nenhum aqui – posso até afirmar que em BH tem mais funk poluindo as ruas do que no Rio. Isso me faz lembrar que as ruas do Rio mereciam ser mais bem tratadas, mais bem limpas – poxa, é a terceira vez que eu venho aqui e acho que tem alguma coisa errada em eu ter a mesma impressão sobre a cidade ser suja de quatro anos atrás.

De qualquer forma, meus receios quanto ao Rio das pessoas comuns como eu diminuiu bastante nessa viagem. Foi tudo muito proveitoso, desde o trabalho feito até a oportunidade de andar por aqui e conhecer coisas que as novelas não mostram em toda sua plenitude, ainda que negativamente. Ainda assim, posso dizer que eu gostei do Rio, agora de verdade. Consegui enxergá-lo com olhos menos medrosos e mais abertos.

Rio, pode esperar que eu volto – e, da próxima, com mais tempo, vou prender cada detalhe seu na memória.

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2 responses

13 06 2011
Gritar não atrai aviões atrasados « Janaina Rochido, jornalista

[…] o primeiro fim de semana de junho trabalhando em um evento de sindicatos no Rio de Janeiro. Fui de avião e meu vôo atrasou cerca de três horas por conta do mau tempo no aeroporto Santos […]

10 06 2011
Thamirys Melo

Concordo com você, também achei o centro do Rio muito sujo e também tive o mesmo receio. Mas gostei bastante da arquitetura e adorei a Confeitaria Colombo, lugar lindo com coisas deliciosas. =D
Beijinhos!

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