Luiz Biajoni e as histórias que poderiam ser as suas

11 05 2011
Igor Cotrim é Madona, que poderia ser aquela que corta o seu cabelo de vez em quando (Foto: divulgação)

Igor Cotrim é Madona, que poderia ser aquela que corta o seu cabelo de vez em quando (Foto: divulgação)

Dia 19 de maio é dia da estreia do filme Elvis & Madona (2010, direção de Marcelo Laffitte – aqui o trailer) lá em Limeira, interior de São Paulo. Eu, aqui em Belo Horizonte, estou ansiosíssima para assistir, pois o acompanho desde o comecinho da produção por conta das minhas incursões na militância LGBT e pela curiosidade mesmo. O filme é a base do livro de mesmo nome do Luiz Biajoni, escritor oriundo da mesma Limeira da estreia, um cara que gosta de bons discos e filmes (de acordo com o Twitter dele) e tem aquela cara de quem gosta também de uma boa conversa.

Até saber do filme, eu não o conhecia. Só vim a conhecê-lo em dezembro de 2010, por ocasião do lançamento do e-book Usina Elevatória de Traição (Mojo Books), do Jorge Rocha, que foi meu professor na pós-graduação. Elvis & Madona – uma novela lilás (2010, Editora Língua Geral) estava sendo lançado no mesmo dia, na mesma livraria. Comprei o meu, o Biajoni o autografou e recomendou que eu o emprestasse aos amigos (preciso vencer meus ciúmes dos meus livros para fazer isso). Cheguei em casa e o li em dois dias, impressionada pela história contemporânea e inusitada, narrada de forma tão natural que poderia ter acontecido com qualquer um.

Aqui encontramos Madona (no filme, Igor Cotrim), travesti que mora em Copacabana, trabalha como cabeleireira e sonha em montar seu próprio show e Elvis, na verdade Elvira (a sempre linda Simone Spoladore), menina lésbica vinda de Minas Gerais que quer ser fotógrafa de jornal no Rio de Janeiro enquanto paga as contas entregando pizzas. Um dia, ambas se encontram – nasce uma amizade e da amizade nasce um amor, que se desenrola em meio a situações que, se eu contar, vão desvendar o livro todo – e não, não vou fazer isso porque eu quero mesmo é que você o leia.

Hey, não é nada do que você está pensando (Foto: print do PDF)

Hey, não é nada do que você está pensando (Foto: print do PDF)

Logo depois desse, eu li outro livro do Biajoni, Sexo Anal – uma novela marrom (2007, disponível em PDF). E não torça esse nariz aí: o livro é ótimo e, assim como Elvis & Madona, contemporâneo, urbano e narrado com uma naturalidade que faz parecer que está se falando daquela sua amiga, ou daquele seu primo. E o mais legal é que o sexo anal do título permeia toda a história, mas de forma sutil e coerente como poucos conseguiriam fazer – porque né? Trazer à tona um tabu e fazer com que ele não vire o personagem principal, mas sim um coadjuvante interessante, não é para qualquer um.

Não vá esperando escatologia, porque o que você vai achar é a história de Luiz e Virgínia, um casal de namorados como vários que você conhece. É claro que tem momentos do texto em que a descrição da cena te deixa desconfortável, mas nada que você já não tenha ouvido ou lido nos jornais do cotidiano. Ela, jornalista iniciante, ele funcionário de uma contabilidade. A história começa a acontecer a partir do momento em que Virgínia conta para Luiz sobre uma inusitada consulta médica. Some-se a isso uma crise no namoro e um crime brutal que pode alçar Virgínia a uma repórter de peso e você tem um livro para ler numa sentada só (ops!).

Ainda não conheço os outros livros do Biajoni (Buceta – uma novela cor-de-rosa e Virgínia Berlim), mas já posso afirmar que adoro essa forma dele criar uma história que te prende até o final com elementos que estão aí todo dia, com pessoas que você encontra o tempo todo. Quem não conhece uma travesti que trabalha em um salão de beleza, uma moça que sonha em melhorar na profissão, um cara que anda de moto e trabalha num escritório? Quem nunca sentou num banco de praça para discutir a relação? Isso aproxima o leitor da narrativa e o envolve de tal forma que é impossível não simpatizar com os personagens. É impossível não  achar uma sacanagem os reveses que os atormentam assim como dar um sorrisinho de lado quando eles enfim encontram um final feliz para seus dramas. Porque aquele drama ali poderia ser o seu também.

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