É Dia do Trabalhador, né?

1 05 2011

Até há algum tempo, o 1º de maio para mim significava apenas duas coisas: feriado e aniversário da minha mãe. Aniversário da minha mãe continua sendo, e feriado também, mas os significados possíveis para esta data se ampliaram para mim, à medida em que eu virei trabalhadora e comecei a ver de forma mais crítica essa data.

Então, quando o diretor de onde eu trabalho me encomendou um texto sobre o 1º de Maio, de forma a criticar todo o caráter de oba-oba que o dia ganhou e chamar as pessoas (lá naquele caso, a categoria a qual o sindicato onde eu trabalho representa) a fazerem uma reflexão crítica e pensarem numa consciência de classe, não foi difícil colocar as idéias no papel.

Meu diretor aprovou o texto para publicação no site do sindicato e o elogiou muito. E eu, por incrível que pareça, também gostei dele. Olha:

1º de Maio, Dia do Trabalhador: não é hora de festejar, mas sim de refletir

Às vésperas de mais um Dia do Trabalho, temos muito no que pensar sobre a data. Se hoje o 1º de maio é sinônimo de feriado e catarse em grandes festas populares, com sorteios de carros e casas, antigamente seu sentido era outro, com este dia sendo palco de protestos em busca de melhores condições de trabalho, como diminuição da jornada, respeito aos direitos e igualdade entre trabalhadores e trabalhadoras. Desde já, nota-se que o sentido histórico da data se perdeu; o que temos hoje é justamente o contrário, uma representação literal do panis et circensis para fazer o trabalhador esquecer que muito ainda precisa ser conquistado para que o trabalho não seja um castigo, mas sim algo que realmente “dignifica o homem”, como diz o conhecido dito popular.

A história do Dia do Trabalho remonta a 1886, em Chicago (Estados Unidos), quando, no dia 1º de maio, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho. Para homenagear os trabalhadores que morreram nos conflitos oriundos dos protestos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida em Paris (França) em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano. Estima-se que, no Brasil, a data seja comemorada desde 1895. Porém, foi somente em 1925 que o 1º de maio tornou-se um feriado oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes. Vários acontecimentos importantes para os trabalhadores brasileiros estão associados à data: em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo; em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho; e, em 1943, surgiu a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Todos esses eventos, aparte sua inquestionável importância para a classe trabalhadora, contribuíram, no entanto, para que os protestos fossem sendo “pacificados” pelo governo.

Para nós, trabalhadores do Judiciário Federal, na atual conjuntura, mais do que nunca o 1º de maio deve ser um dia de reflexão – um dia para pensarmos até que ponto estamos realmente ajudando nossa categoria, contribuindo para uma real consciência de que somos uma classe de trabalhadores como todas as outras, posto que vendemos nossa força de trabalho em troca de nossos salários e precisamos constantemente reivindicar nossos direitos a uma jornada de trabalho justa, ao respeito por parte de nossos superiores, a um local digno para exercermos nossas funções e a tantos outros direitos dos trabalhadores, até hoje vilipendiados pelos patrões.

Estamos em plena luta contra o descaso do governo federal e em prol do PL 6613/2009, nosso PCS, que dia após dia é postergado pela União numa clara tentativa de nos vencer pelo cansaço; estamos, também, correndo contra o tempo para impedir que seja aprovado o PLP 549/2009, nefasto projeto que pretende congelar os salários do funcionalismo público por 10 anos para economizar dinheiro para o governo repassar a banqueiros e para o capital internacional. Mais do que nunca, servidores, não podemos ficar parados, pois motivos para comemorar, no nosso caso, não há nenhum.

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10 01 2014
2013 no meu blog: quase repeteco de 2012 | Janaina Rochido, jornalista

[…] No top 5 também estão, novamente, o post sobre a minha viagem para Paris e Londres e aquele sobre o Dia do Trabalhador. Detalhe interessante: o primeiro é de 2012 e os dois últimos, de 2011. Eu, pessoalmente, prefiro […]

31 12 2012
Os números de 2012 – o ano do engajamento « Janaina Rochido, jornalista

[…] estatísticas que achei curiosas: meus textos sobre o Dia do Trabalhador (2011) e o terremoto no Haiti (2010) continuam sendo bastante acessados – tomara que isso […]

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