De engarrafamentos e colaboração no Twitter

30 03 2011

Para escrever sobre isso é necessário um prólogo:

Eu tenho 30 anos de idade e, desde que me lembro, ando de ônibus e pego engarrafamentos. Não faço questão de contabilizar os seis anos em que tive carro, porque não o usava para trabalhar. Uma vez que o trânsito em Belo Horizonte virou um caos e já compete ombro a ombro com o de qualquer metrópole com sérios problemas de mobilidade urbana, eu já saio de casa (para qualquer lugar) contando com o tempo gasto no engarrafamento, que é de mais ou menos 20, 30 minutos, tirando aquele tempo gasto para esperar o ônibus. Não gosto, mas me conformei.

Agora vamos ao texto em si:

Segunda-feira, dia 28  de março. Um dia bom para uma pessoa que gosta de segundas-feiras, como eu. Saí de casa no horário de sempre, contando com o engarrafamento de sempre em direção ao Prado, mas eis que, devido à presença da presidente Dilma Rousseff em BH para lançar o programa Rede Cegonha, eu peguei um engarrafamento MONSTRO de três horas e meia. Isso mesmo, caro leitor: TRÊS HORAS E MEIA presa dentro de um ônibus, debaixo de um calor de 28°C e com a bateria do celular e do MP3 player no fim. Até engarrafados fazendo “vaquinha” para comprar lanches e água eu vi.

Parte sempre presente nas minhas manhãs.

Parte sempre presente nas minhas manhãs.

Ficar preso num engarrafamento monstro compreende três fases: começa com a reclamação pela demora, passa por levantar do banco do ônibus e tentar saber o que está acontecendo, e termina com o povo descendo do ônibus e indo a pé. Apesar de gostar de andar, eu não podia passar para a fase três, posto que estava bem antes da metade do caminho. Sem saber o motivo da demora, saquei o celular e fui ao Twitter – na minha timeline, nada de mais, tampouco nos TTBr. Então fui ao Trânsito de BH, perfil que dá informações sobre o trânsito em Belo Horizonte, mas não havia nada muito esclarecedor também, a não ser que a cidade estava TODA parada. Atrasada, com calor e desesperada, tuitei um pedido de socorro – e (quase) tudo se resolveu.

Logo após o meu tweet, recebi alguns replies e esses sim, me contaram da visita da presidente e que a nossa competente prefeitura havia fechado o trânsito na altura do Palácio das Artes, onde seria a solenidade. Detalhe, já mencionado em outro post sobre o caos no trânsito daquele dia: não havia agentes da BHTrans ou da PM em lugar nenhum tentando organizar o trânsito. Também fiquei sabendo, via tweets, que havia acidentes no Centro da cidade e que diversas outras vias também estavam paradas, pelos mesmos motivos.

Saber o que estava acontecendo me tranquilizou. Também passei a trocar tweets com outras pessoas que estavam engarrafadas e, seguindo o perfil do Trânsito de BH, pude ver que chegavam informes o tempo todo sobre a bagunça na cidade e sobre rotas alternativas – e o fato do perfil retuitar todas esses informes promovia um intercâmbio bem bacana. Achei interessante observar como a desgraça une todo mundo no sentido de todos se ajudarem – a gente podia até não sair do lugar, mas pelo menos sabíamos o que estava acontecendo. Já reparei isso em várias outras ocasiões também, mas sempre acho interessante: todo mundo tem necessidade de compartilhar informação e saber o que se passa já é um grande alívio. Não tenho o link aqui, mas lembro de ter lido que, no tsunami/terremoto que atingiu o Japão este mês, uma das primeiras coisas que as pessoas faziam era avisar as famílias que estavam bem – um conforto e tanto para ambas as partes.

Fora isso, ainda recebi uns tweets bem-humorados que me distraíram durante minha longa estadia no ônibus e pude comprovar que escolher um celular que acesse a internet e ter um pacote de dados foi uma das melhores coisas que fiz. Agradeço também à Edith Piaf, Carla Bruni e todas as lições de Francês que me acompanharam via MP3 – e já anotei na agenda: passar a sair com mais 20 minutos de antecedência todas as manhãs…

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