Três “tuíteres” e uma jornalista

4 10 2010

Eu acho que esse “plural” de Twitter não existe e nem vai existir, mas não achei nenhuma palavra que se encaixasse melhor. Bom, o que existe mesmo é isso de você ser um profissional que trabalha com mais de um perfil no Twitter ao mesmo tempo, se alternando entre as janelas dos navegadores ou dos aplicativos para falar sobre o seu trabalho e, quando dá, da sua vida pessoal.

Eu trabalho assim. Administro o meu próprio perfil, o do local onde trabalho e o de um grupo que não tem nenhuma relação com os anteriores. Resolvi escrever sobre isso porque notei que isso é uma coisa cada vez mais comum e passível das mais diversas situações constrangedoras, justamente porque chega um ponto em que você pode simplesmente misturar as coisas e tuitar um pensamento seu em nome do seu trabalho – que beleza, hein?

Já aconteceu comigo e recentemente aconteceu com o administrador do perfil do Jornal O Tempo: você está ali, envolvido com alguma coisa e resolve compartilhá-la – só que está logado no perfil errado para isso e voilà, um retweet que não tem nada a ver ou algo como “vontade de comer algo mega calórico…” como postado pelo pessoal do @OTEMPOonline (não tirei um print, sorry). Eu acompanho as postagens deles e considero um dos melhores trabalhos em matéria de interação com os internautas. Por isso mesmo, dei umas boas risadas quando li isso, mas entendi perfeitamente o que rolou, ainda mais porque foi a primeira vez.

Eu tento ter o maior cuidado possível com isso, porque sou viciada em Twitter e administro essas três contas – com a minha eu não me preocupo tanto justamente por ser pessoal, mas como as outras duas estão sempre abertas ao mesmo tempo que ela, então tenho que ficar de olho. Aprendi algumas coisas com essa convivência e decidi compartilhar – a primeira, anterior a todas, é sempre deixar um navegador com cada assunto e não misturar os links de um com o outro: se você está com o Firefox aberto com sua conta pessoal, não vá ler uma notícia sobre um show no Internet Explorer com a conta do trabalho, porque se você a retuitar é certo que ela cairá na conta errada (bem, isso é uma observação muito pessoal – se você usa algum aplicativo para tuitar, talvez isso nunca te aconteça). Vejamos:

Minha conta pessoal: Ela fica aberta pelo Echofon o dia todo e, como já disse, sou viciada naquilo – reclamo, compartilho pensamentos, retuito coisas que considero interessantes, divido links com quem me segue, conto o que acontece enquanto estou engarrafada no trânsito, narro coisas que assisto na TV de madrugada. Apesar de considerar ali um espaço para o que eu quiser, eu não posso simplesmente falar o que me vem à telha – além de arranhar a minha imagem eternamente, o Twitter não tem a opção undo [desfazer] para o que você posta. Ou seja, você pode até apagar o que escreveu, mas ele estará guardado em algum lugar e se algum esperto ler e tirar um print da tela, você e seu comentário [infeliz] estarão imortalizados. Outra coisa, essa fácil de ser lida em qualquer do’s and don’ts do Twitter: não reclame do seu trabalho e nem dê nomes às pessoas na timeline. Tá, admito que posso já ter pecado sobre a primeira coisa, mas só de lembrar de todas as pessoas que perderam o emprego por reclamar na web me sobe um arrepio. No Twitter é ainda pior, porque você nunca sabe direito quem te segue, posto que a maior parte de nós (sim, admita!) nunca lê as notificações que eles enviam te dizendo que passou a te seguir – fora a possibilidade do seu chefe ter criado um fake para te vigiar (é mais comum do que você imagina). E outra: é preciso largar mão da mágoa de miguxo ao ver que um amigo que você segue não te segue, ou que você tomou um unfollow de um conhecido – ninguém é obrigado a te seguir no Twitter, mesmo gostando de você na vida real.

A conta do trabalho: Só posto lá as notícias que colocamos no site e, eventualmente, tuito de um evento em que eu possa ficar conectada em algum lugar com o netbook – tudo com linguagem formal e buscando um português impecável. Sigo todos as entidades da mesma natureza que a nossa e a federação, replicando o que eles postam, caso a notícia seja de relevância aqui em Minas. Também seguimos os principais veículos de comunicação, alguns veículos independentes, os perfis dos tribunais superiores e de alguns órgãos do Governo Federal. Outras coisas para as quais utilizo a conta do trabalho é postar lembretes de atividades promovidas pela entidade com os respectivos links para a notícia e dar dicas de atualizações e de como utilizar o site (que está há pouco tempo no ar e ainda causa estranhamento em alguns internautas). Um cuidado importantíssimo com essa conta é sobre os retweets. Nem sempre o que outra entidade afim posta é compatível com o alinhamento político da sua entidade e isso é muito importante no meio sindical. Então, se for retuitar, leia com atenção o que está dentro do link antes e, na dúvida, não replique. Outra coisa: só deixe outras pessoas “dirigirem” a ferramenta se elas souberem realmente utilizar, porque apesar da popularidade, o Twitter ainda é mistério para muita gente, incluindo jornalistas – lembre-se: não existe undo e um erro na conta do trabalho pode ser fatal para seu emprego (cruzes!). Abrindo um parêntesis, uma coisa que reparei sobre o público que alcançamos com o Twitter é que ele é diferente do esperado – esperávamos alcançar seguidores dentre os profissionais aos quais a entidade representa e os órgãos de imprensa, mas, ao invés disso, temos muitos políticos e sindicatos de várias categorias nos seguindo. Em contrapartida, os [poucos]profissionais que nos seguem interagem bastante, o que é bom. Em suma: não é porque a pessoa tem acesso à internet, se interessa pelo que você noticia e acessa seu site que ela vai ter uma conta no Twitter e te seguir.

A conta do grupo alheio às duas anteriores: Eu também administro a conta do Grupo Universitário de Defesa da Diversidade Sexual – Gudds!, que foi um trabalho que comecei a fazer junto à Comissão de Comunicação do ENUDS 7, em 2009. Foi um trabalho muito bem sucedido e muito prazeroso de se fazer, posto que atingimos a maioria dos nossos objetivos com as ferramentas online que utilizamos. Hoje, um ano depois do evento que deu origem à conta, ela leva o nome do grupo organizador e já tem cerca de 250 seguidores espontâneos – ou seja, nós não precisamos segui-los primeiro para que eles nos seguissem, o que eu considero uma vitória e uma prova de que o conteúdo deles tem relevância suficiente para provocar isso. A conta do Gudds! permite uma certa flexibilidade nas postagens e na linguagem que usamos dado o público que temos e ao perfil do grupo, mas sempre é bom lembrar que tudo tem limite e é bom manter o português em dia e tomar cuidado [novamente] com os retweets. Lá eu também posto lembretes de atividades do grupo com os links para o site ou para o local que as estão noticiando. Admito que tenho um problema sentimental com essa conta: eu a amo, mas não consigo dedicar todo o tempo necessário ao bom funcionamento dela. Assim, ela também fica aberta, mas no meio das atividades do dia, confesso que é difícil eu ler tudo que aparece na timeline para selecionar o que replicar, assim como é difícil para eu atualizar as atividades do grupo a contento, posto que não posso comparecer a muitas delas. Isso é péssimo, uma vez que precisamos manter nossos seguidores informados e não podemos deixar o perfil desatualizado. Nesse sentido, fiquei feliz quando alguns membros do Gudds! me pediram a senha do perfil para também postarem atualizações. Essa até era uma sugestão que eu queria ter dado há muito tempo, mas né, estava com ciuminho [admito] de dar a menina dos meus olhos para outra pessoa [risos] – aqui vale a máxima: “quem ama deixa livre” – e o perfil do Gudds!, para ficar cada vez melhor, tem que ser gerido também pelas pessoas que estão a par de tudo que acontece no grupo, em tempo real.

É isso aí – termino aqui tentando me livrar de outro pecado imperdoável na rede dos 140 caracteres: escrever demais. =)

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