De graça? Então não quero.

22 09 2010

Não, este post não é sobre nada do que você está pensando. Ou melhor, é sim, mas só que do avesso. Assim, é sobre uma entidade carente que não quis ganhar um site novinho em folha, lindo de morrer, moderno e em integração com as redes sociais, fácil de mexer e de graça. Gratuito, for free, DE-GRÁ-TIS. Ainda por cima, o tal site seria feito por quatro profissionais da Comunicação, sendo três jornalistas e um designer, com direito a pós-graduação em Produção em Mídias Digitais em três dessas pessoas.

Estranho? Sim, mas é verdade. Foi uma dessas madrugadas em que eu estava navegando por sites de adoção de animais, especialmente gatos, que eu adoro. Eu então lembrei de uma entidade aqui de Belo Horizonte (cujo nome não vou citar, porque sou moça fina e bem educada) que eu ajudava quando era adolescente, mas há muito tempo não tinha notícias. Eles acolhiam, tratavam e doavam cães e gatos, além de prover atendimento veterinário a preços camaradas. Fui atrás do site para pegar os dados da conta no banco para fazer uma doação ou então comprar alguma coisa da lojinha, mas… cadê o site?

Tá, ele existe e a entidade também existe ainda, mas eu não chamaria aquilo de site: home confusa, cheia de gifs poluindo o visual, sem identidade, uma fonte diferente em cada link e pior: links quebrados aos montes, o que tornou impossível para mim achar as formas de doar ou a lojinha. Cliquei em vários lugares e a mesma mensagem de erro sempre aparecendo, inclusive no formulário (que formulário?) de contato. Fiquei chateada, sério – uma entidade séria daquelas, que sempre precisava de ajuda, sem presença na internet? Como assim eles não tinham um site que prestasse em pleno 2010 de Twitter e Facebook bombando no meio das ONGs?

Pensei então que minha doação para eles poderia ser um site novo, que traria mais visibilidade ao trabalho deles e, daí, mais voluntários, adotantes e doadores. Mais que isso, eu poderia, além de manter o site, cuidar da presença deles na web, quem sabe, (sendo muito pretensiosa) fazer um trabalho nos moldes do que o pessoal do Adote Um Gatinho, de São Paulo, faz: site, blog, perfis no Orkut (mais de 38 mil membros), Facebook (quase 15 mil pessoas), Twitter (cerca de 3 mil seguidores) e interação total com os internautas. Já enxergando o resultado, enviei e-mails aos colegas da graduação e da pós com a idéia e convidando quem mais quisesse participar, já que eu sozinha não saberia construir tudo – protamente atenderam os amigos Carlos Conti, Grazielle Santos e Cynthia Aguiar, já cheios de idéias.

Manteiga

"Como assim não quiseram um site novo? Tô passado."

Empolgados, discutimos algumas coisas que já poderiam ser feitas e tratei de entrar em contato com a entidade: liguei e, como o diretor não podia me atender, peguei o e-mail deles e escrevi, tratando de deixar claro como um site novo poderia ajudá-los, que a nossa iniciativa era sem custo para eles e que, se eles quisessem, teriam total autonomia para manter a ferramenta, já que o objetivo era construir algo acessível e independente. Mandei o e-mail felicíssima, mas… nada. Uma semana e nada. Duas semanas e nada. Três semanas e nada também.

Pensei que eu pudesse estar com o e-mail errado, então liguei novamente para a entidade, confirmei o e-mail, expliquei o que queria e reenviei. Nada de novo. Esperei mais e nada. Fui ao Orkut e deixei uma postagem na comunidade deles, mas nada também. Em mais uma tentativa, deixei um scrap para a dona da comunidade, mas nada também. A essa altura, todo mundo perguntando quando colocaríamos a coisa em prática, fiquei com cara de tacho e comuniquei ao pessoal que, infelizmente, ficaria para uma próxima, pois acho que eles não têm interesse em ganhar o site.

Cá entre nós, fiquei com raiva e bastante chateada. Ok que a entidade não era obrigada a aceitar nossa oferta, mas eles poderiam ao menos ter respondido aos e-mails, nos dado uma satisfação. Pessoalmente falando, eu sou muito “chatinha” com isso: se eu envio uma mensagem com uma pergunta, eu quero receber a resposta – e nós não a recebemos. Profissionalmente falando, eu acho que a entidade perdeu uma grande chance em uma onda (digamos assim) que está cada vez maior e não vai voltar, que é a presença das empresas e ONGs na internet. Diz aí: qual foi a última vez em que você folheou uma lista telefônica? Então. Se eles estivessem na internet, poderiam ter a atenção que os mineiros amantes de animais gostariam de dispensar a quem promove o bem-estar dos bichinhos – e olha que esse público cresce cada vez mais, viu? Eu mesma me incluo aí.

Para se ter uma idéia do que uma boa presença na internet pode fazer ao trabalho de uma ONG, veja o caso do já citado Adote Um Gatinho. Por meio de uma boa gestão das ferramentas online, as fundadoras da entidade conseguiram ganhar visibilidade, mais voluntários, doações, seguidores no Twitter e no Facebook e, o melhor, lares para cerca de 3 mil gatos resgatados. Isso fora as rifas, parcerias, postagens no blog, informações sobre saúde animal, posse responsável… ufa! Como eles, existem outras ONGs (a Adote Um Gato – Campinas e o Clube dos Vira-Latas também têm histórias de sucesso) que estão fazendo um trabalho tão bom quanto e ganhando seu espaço, garantindo sua sobrevivência e a continuidade de seu trabalho.

Bom, a entidade cujo nome não vou dizer não quis nosso oferecimento. Eu ainda estou meio chateada com a atitude deles e espero de coração (nossa, que expressão brega) que o silêncio deles seja uma falha nos e-mails, esquecimento,  ou, melhor, que tenham ficado ricos e não precisem mais de doações. Se não for nada disso, vou tentar relevar o caso em nome dos cães e gatos abrigados lá e manter a idéia de ajudar, mas de outra forma.

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2 responses

22 09 2010
Ana Flávia Dias

Talvez eles não tenham mesmo recebido. Somos parceiras do Adote um Gatinho e aconteceu algo parecido. Oferecemos ajuda e a resposta demorou muito pra vir.

Mesmo assim, parabéns pela sua inciativa e não desista de ajudar os bichinhos, mesmo sendo de outra forma.

=)

22 09 2010
Janaina Rochido

Pois é, Ana… eu continuo torcendo para eles não terem recebido, para ter acontecido alguma coisa nesse caminho aí. O projeto está encostado, mas vou continuar esperando, quem sabe? Beijo e obrigada pela visita!

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