Dá frio na barriga, mas eu gosto

18 05 2010

Há muito tempo não posto alguma coisa aqui, contrariando tudo o que eu sempre defendi sobre manter um blog (acho que daí vem a minha preferência por chamar este espaço de portfólio e não blog). Na verdade, eu gostaria de escrever sobre um outro tema, que até está anotando ali no meu bloquinho de idéias (ao lados dos meus palpites pra loteria), mas estou com sono – então, para não deixar criar poeira, eis me aqui assim mesmo. Mas eu tenho um bom motivo para estar sumida: tenho trabalhado demais lá no Sindicato.

Estamos em um período de greve da categoria. É muito cansativo, mas escola melhor para lidar com crises, egos, prazos curtos e política da boa vizinhança não poderia haver. Estou aprendendo muito, mesmo que, às vezes, eu reclame até perceber que, no fim das contas, saí ganhando. Todos os dias lidamos com tudo que uma assessoria exige e fico feliz em me descobrir superando limites. Pessoalmente falando, as situações que mais me apertam e mais me ensinam são a convivência com as chefias e a tomada de decisões por minha conta, sem telefonar pra pedir autorização de ninguém.

Fora isso, uma das coisas que tenho me esforçado para fazer bem feito é ouvir todas as demandas, por mais absurdas que elas pareçam. Isso é importante porque precisamos tentar entender “o que o povo fala” e entender que a maioria das pessoas, além de ainda não saber que a Comunicação é um setor estratégico nas insituições, acha que nosso trabalho é muito fácil e que tudo é muito rápido (P.S.: lembrei dos meus amigos designers, que sempre têm que ouvir alguém dizer que eles não fazem nada, só desenham o dia inteiro ¬¬), basta escrever algumas linhas.

Desculpaê, pessoal, mas não é não. Se por exemplo o presidente te pede para divulgar uma festa em um momento de greve (como o que estamos passando agora), por mais que aquela festa já estivesse programada, é preciso pensar nas consequências. O que a categoria de trabalhadores a qual o seu Sindicato representa pensaria de uma festa nestas circunstâncias? Quais seriam as interpretações possíveis? Que outras formas de divulgação podemos usar? Quem pode ser o porta-voz dessa festa e qual justificativa para ela ser mantida pode ser utilizada?

Não é fácil, mas algumas vezes, por mais que bata a insegurança, você vai precisar virar-se para o seu chefe (e talvez uma mesa cheia de chefes) e explicar para ele porque você não pode simplesmente colocar um cartaz de divulgação da festa no site naquele momento só porque ele pediu. Vai ter que encher o peito e explicar para ele, com os argumentos técnicos corretos, porque aquela atitude vai fazer bem para ele e para a instituição. Dá muito frio na barriga, mas se você, jornalista de assessoria, conhece o público de sua instituição e está seguro do que está falando, vai sair dessa reunião bem mais seguro do seu trabalho – e mais respeitado.

Vai lá, coragem!

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