Confissões de adolescente (e fã)

14 10 2009
Foto: Janaina Rochido

Foto: Janaina Rochido

Vou começar direto e sem rodeios: sou fã dos Pet Shop Boys. Fã mesmo, de ter cds, fotos, camisetas, gritar horrores em shows e saber as letras de cor e salteado. É claro que hoje gosto de muitas outras coisas além deles e sou mais controlada e crítica, mas eu tive 14 anos de novo semana passada, quando fui a um show deles aqui em Belo Horizonte. Em pleno 2009, 15 anos depois de assisti-los em São Paulo, lá estava eu de novo, na fila do gargarejo, gritando e cantando todas as  músicas de Neil Tennant e Chris Lowe.

Começou em 1994. Lembro como se fosse hoje como os conheci: estava em casa a tarde, depois da escola, assistindo TV. A TV Bandeirantes exibia clipes nos horários vagos da programação e um dia eles passaram I wouldn’t normally do this kind of thing, do recém-lançado (no Brasil) Very. Aos primeiros acordes eu fui fisgada pela música e pelo vídeo, divertido e cheio de efeitos especiais numa época em computação gráfica ainda era vanguarda. Pronto: não desgrudei mais da telinha nas tardes, esperando assistir de novo.

Como a internet ainda era utopia para os brasileiros, eu procurava o que podia do jeito que dava. Achava nos jornais e revistas pessoas que também eram fãs e queriam trocar cartas e fotos, descobri programas de música para os quais escrevia pedindo clipes (que eu gravava cuidadosamente numa fita VHS) e, paralelamente, juntava a mesada para comprar discos. Em 1994 foi meu auge como fã: eles vieram ao Brasil pela primeira vez e fariam shows em São Paulo e Rio de Janeiro. Eu, do alto dos meus 14 anos, estava louca para ir. Mandei muitas cartas para promoções de rádios e rezei para ganhar, mas, como sorte nunca foi meu forte (que horror de rima!), não foi por aí que consegui. Depois de muito chorar e implorar, minha mãe me deixou ir para o show de SP em uma excursão, sozinha, mas cheia de coragem e com o coração aos pulos.

Bem, o show foi uma catarse para mim. Fiquei ainda mais extasiada, fotografei, gritei, chorei, conheci outros fanáticos e fui juntando um pequeno “tesouro”, ajudada por uma amiga do Rio de Janeiro que me mandava coisas do exterior. Isso durou até por volta dos meus 17 anos, quando o ensino médio e os “meninos” passaram a tomar mais meu tempo. Ainda assim, ouvia os cds e guardava tudo com muito carinho – como faço até hoje. Até as revistas que o fã-clube oficial me mandava direto da Inglaterra eu tenho, conservadíssimas.

Bobagem? Oh, não, claro que não. Lembrar de uma das minhas maiores paixões de adolescente me deu um calorzinho bom no coração, por isso resolvi contar essa história. Eu nasci em 1980 e em 1990 estava entrando na adolescência e descobrindo a música e todas as suas variações. Eu gostava de tudo, e descobrir alguma coisa que me parecia tão distante e diferente mas que, no fim, eu pude viver plenamente me deu um ânimo novo. Eu sinto falta dessas paixões hoje em dia.

Parece que o cotidiano, o ônibus cheio, a agenda apertada, o relógio que não dá trégua te deixam menos suscetível a essas coisas simples. Mas tem problema não: depois do YouTube e do MP3 player, nada é impossível: assim, desde o show eu revivo a adolescente leve e extasiada todos os dias, assistindo a shows na internet ou ouvindo música enquanto corro da chuva rumo ao trabalho. E isso me deixa feliz.

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