Vale quanto mostra?

5 10 2009

O texto de hoje foi sugerido pelo meu amigo uberlandense André Baccilli, estudante de Economia da Universidade Federal de Uberlândia. Ele me disse “porque você não escreve sobre o peso da aparência das pessoas quando vão a uma entrevista de emprego?”, ao que eu respondi que todo mundo escrevia sobre isso, não tinha graça. Então ele completou: “não, não é bem da aparência, mas da ostentação quando você vai a uma entrevista de emprego”. Ah, tá – explico.

André tinha um celular simples e velho, que estava sempre com algum defeito. Um dia, o aparelho caiu no chão e se quebrou de vez. Precisando de outro, ele foi a uma loja e resolveu radicalizar: comprou um smartphone estiloso e cheio de recursos. Depois do smartphone, meu amigo reparou que a postura dos recrutadores nas entrevistas de emprego com ele passou a ser outra: sorrisos e apertos de mão calorosos viraram rotina e até mais entrevistas começaram a aparecer. Percebendo essa “mágica”, André não perdeu tempo: onde quer que ele vá, o smartphone descansa em cima da mesa, sempre à vista dos outros.

Onde trabalho, todos os dias chegam muitas pessoas para fazer entrevistas. Gosto de reparar nelas enquanto aguardam seu horário: relógios caros, celulares modernos e notebooks à mão. Fora as roupas, bolsas e sapatos. Às vezes me divirto imaginando que a bolsa Louis Vuitton pode ser emprestada de uma amiga e que o Rolex tão brilhante é, na verdade, vendido a R$50,00 num shopping popular…

Todos conhecemos a etiqueta das entrevistas, aquela que diz sobre a roupa, maquiagem, conversas que homens e mulheres devem adotar nessas ocasiões, mas qual a medida certa? Ostentar um notebook ao aguardar uma entrevista pode despertar uma impressão de desinteresse, assim como ter que recolocar toda hora a fita adesiva que segura a bateria ao celular também não é interessante.

Creio que a empresa não tem como saber de antemão a aparência da pessoa, então, imagino que não é por esse motivo que ela a quer; logo, a hipótese é mesmo que a pessoa se “montou” para impressionar. Se eu fosse recrutadora, olharia com desconfiança quem chega ostentando muitas posses. Pensaria coisas como: Até que ponto este candidato precisa deste emprego? Qual será a postura dele (ou dela) em equipe? O que essa pessoa quer mostrar, colocando celular e notebook assim, tão à vista?

É triste, mas até hoje, em épocas de internet, realidade aumentada e Olimpíadas no Rio(!), as pessoas ainda são medidas pelo que ostentam. Assim como alguém em um cargo de chefia precisa esconder suas tatuagens para ser respeitado, e uma pessoa que usa uniforme no dia a dia precisa retirá-lo caso queira ser bem atendido nos shoppings da Zona Sul, um candidato a um cargo em uma grande empresa carrega badulaques caros e vistosos quando vai a uma entrevista.

Solução? Talvez, educação, respeito pelo próximo e contar até 10 antes de julgar. O melhor da história é ver um trabalhador uniformizado (normalmente invisível) comprar um carro a vista frente a um vendedor embasbacado, ou um engomado candidato a uma entrevista dizer ao telefone: “Fulano, vê se você me liga aqui agora, porque eu estou sem crédito no celular…”

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One response

6 10 2009
Luciane Evans

Jana,
é assim msm. Ainda que estejamos na era da internet e no país das olimpíadas de 2016, não podemos nos esquecer que quem é contratado no país é aquele com o alto QI (se é que vc me entende).
bjocas

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