Eu, jornalista sem diploma – o dia seguinte

19 06 2009

Juro que esta será minha última lamúria sobre a queda da exigência do diploma para o exercício do Jornalismo. Não porque esteja menos chocada, ultrajada (como bem mostrei no blog da Lívia Dutra) ou desamparada, mas sim porque não tenho lá tantos argumentos além dos passionais e econômicos – e porque agora é hora de traçar novas estratégias para tentar voltar para a minha área, a Comunicação.

Pois é, confesso que estou trabalhando fora da área. Não direi onde nem no quê, pois ainda me custa muito admitir isso e me acostumar com a nova situação, totalmente diferente dos meus últimos quatro anos . Enfim. Fato é que, depois da decisão do STF, senti que voltei à estaca zero, como se estivesse recém-saída do ensino médio. Em branco.

Depois do desespero, da vergonha e da perplexidade de ontem, comecei a pensar no que poderia fazer para amenizar as coisas e não acabar no limbo das eternas viúvas. Primeiro, vou terminar a pós-graduação, não posso ficar sem (mais) esse diferencial. Depois, penso em fazer um novo curso superior: quem sabe Letras ou Secretariado, minhas primeiras opções fora da área de Biológicas (eu já quis ser veterinária e biológa, esqueceu?). Ou mesmo Administração ou, em última hipótese, Direito.

Mas, mesmo com todas essas possibilidades, sabe qual é o grande problema, maior que o valor de um novo curso superior, maior que o tempo que isso me tomaria? O problema é que eu gosto de ser jornalista. Nos quatro anos que passei na faculdade aprendi a gostar de usar meu texto para prestação de serviço, aprendi a gostar de teorias e de aplicar técnicas a favor disso. Assim, não consigo me ver engenheira ou advogada, consigo, no máximo, me ver em outro curso da área de Comunicação.

Virar Relações Públicas? Não sei, nunca me atraiu muito o lado de gestão da Comunicação. Pensei em Publicidade ou Design; mas eles também não têm regulamentação, conselho, nem nada! No entanto, todas estas profissões têm uma vantagem: o STF e os lobbys das grandes empresas de comunicação não implicam com RP’s, publicitários nem designers… mas isso é assunto para um outro post, num outro dia.

Anúncios

Ações

Information

5 responses

25 06 2009
Rod

Devo admitir que, se eu tivesse batalhado 4 anos da minha vida pra conseguir um diploma e uma corja, em nome de interesses escusos, surgisse do limbo e fizesse com que todo meu esforço perdesse o sentido, eu também ficaria muito frustrado!!! Ainda bem que não tenho uma arma…

19 06 2009
Gustavo Machala

Jana,

Cabeça pra cima sô!

19 06 2009
Janaina Rochido

Tô chegando lá, Gu… tô chegando. Agora estou começando a ver as outras faces da decisão do Supremo, mas ainda tenho um certo medo do que vai acontecer. Mas não vou desistir =)
Beijo e valeu pela visita!

19 06 2009
k

jana, pelamordedeus! se vc acha isso, vc tá me falando que eu tô na estaca zero por ser formada em tradução! isso que eu queria que vcs entendessem! não é isso! mesma coisa que me dizer que eu estou no ensino médio. e não é isso. eu mudei de área meio radicalmente e tô lutando pra retomar as coisas. mas quem continuou na tradução tá tudo no fmi em washington, em empresas de tradução na europa, trabalhando nos melhores cargos públicos de bsb… entende? o diploma não garante que o cara vá ser bom jornalista. ele pode ajudar os bons com mais técnicas e caminhos. eu já dei aula pra futuros jornalistas e, se eu fosse tirar ponto das correções de português que eu fazia, metade da minha turma não passaria! e vai ter gente, sim, fora da área que vai entrar nas vagas de jornalista. mas isso só vai aumentar a concorrência. vc não devia ter medo de concorrência. vc mesma sabe que seus colegas são, na maioria, péssimos e dão vergonha alheia. vc não precisa de protecionismo.

queria ver agora exigirem diploma pra fazerem tradução, diploma de relações internacionais pra ser diplomata… não rola. o tcu, um órgão que está aplicando a gestão por competências e está tendo resultados ótimos, não exigiu diploma de engenheiro nem pra cargo de auditoria de obras! passa gente ser ser engenheira? passa. mas a maioria é de engenheiros.

já te falei isso. lá fora, só mais recentemente que tem aparecido mais curso de jornalismo. e em nível de pós, como especialização.

eu ainda acho que vcs deviam lutar pra que os jornalistas não fizessem perguntas toscas pra um talese da vida e fossem ler mais. brigar por conta dessa coisa do diploma é perda de tempo.

beijo

19 06 2009
Janaina Rochido

k, o baque e o sentimento de vazio são inevitáveis, afinal, passamos a vida toda aprendendo que um diploma é algo sobrenatural, para ser pendurado na parede, e que te diferencia do restante dos “reles mortais”. De repente, isso muda de figura. Milhares de pessoas Brasil afora estão se sentindo assim, esse período de “luto” faz parte… Eu ainda estou preocupada com o que vai ser agora, mas o próprio fato de ter escrito sobre isso pensando por outros prismas já é uma prova de que o pior já passou =)
Beijo e obrigada pelo comentário!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: